Cristo é Melhor – Parte VII (A) – Uma exposição da Carta aos Hebreus

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Hebreus 10.19-39

Cristo é melhor do que tudo neste mundo. Nada é mais valioso do que Cristo. Lugar algum é melhor do que a presença de Cristo. Alegria alguma neste mundo é melhor do que a alegria que Cristo nos dá. Nas palavras do apóstolo Pedro: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6.68). Não troque Cristo por nada neste mundo; não troque o sacrifício de Cristo por obras que você faz no intuito de ser salvo. Cristo é melhor!

O trecho da carta que vai de 10.19 – 12.29 fala sobre O Chamado para permanecer na fé.

Dividiremos este trecho em duas mensagens. Veremos hoje até 10.39.

Em nossos dias tem sido pregado em muitas igrejas a importância das pessoas tomarem uma “decisão por Cristo”, e esta decisão tem sido apresentada como um ato de ir à frente quando o pastor faz um apelo, ou quando a pessoa fica para conversar com o pregador depois do culto, ou preenche um formulário de dados pessoais, ou ainda que elas têm de ser batizadas o quanto antes. Admitimos que algumas dessas atitudes são corretas e até fazem parte dessa “decisão por Cristo”. Porém, a vida cristã não se resume somente a isso. O chamado de Deus não é só para recebermos a Cristo, mas, principalmente para permanecermos Nele.

Em Jo 15, o Senhor Jesus enfatizou muito a importância que devemos dar ao ato de permanecermos Nele, e isto porque só veremos o propósito de Deus se cumprir em nós, que é o frutificarmos, se permanecermos Nele, pois, é Ele quem nos faz frutificar, como Ele mesmo disse: “sem mim, nada podeis fazer” (Jo15.5).

Mas, como o permanecer na fé em Cristo é essencial para nossa salvação?

Não quero dar a entender com isso que a certeza da salvação é algo que teremos somente no fim da nossa vida, depois que tivermos permanecido em Cristo. Isso não seria certeza da salvação. Seria uma vida de dúvidas. Quando faço essa pergunta “Como o permanecer na fé em Cristo é essencial para nossa salvação?”, faço na perspectiva de que só podemos ter certeza da nossa salvação se estivermos em Cristo.

Vejamos alguns aspectos do chamado que Deus nos faz para permanecermos na Fé em Cristo.

1)      Os resultados desse chamado, v.19-25

Somente quando permanecemos em Cristo é que desfrutamos das seguintes bênçãos:

Os v.19-22 nos dizem que temos liberdade para nos aproximarmos de Deus por causa da obra de Cristo. O sangue de Jesus, isto é, o Seu sacrifício nos dá o acesso ao Santo dos Santos, isto é, à presença de Deus. No Antigo Testamento, todos, inclusive o sumo sacerdote, tinha medo de entrar no Santo dos Santos porque se o fizessem de forma indevida certamente morreriam. Mas, agora, na Nova Aliança feita no sangue de Jesus, não precisamos mais temer, antes, devemos nos aproximar de Deus com “intrepidez”. Não pense que isso significa irreverência ou “chegar de qualquer jeito”, porque Deus “baixou a guarda”. De jeito nenhum! A palavra que aqui foi traduzida por “intrepidez” no grego é parrhsi,a e traz a ideia de que podemos entrar “com confiança” e não com medo como antes. Confiança não em nós mesmos (autoconfiança), mas, confiantes em Cristo. Por meio de Seu sacrifício Cristo abriu-nos “novo e vivo caminho que Ele nos consagrou pelo véu, isto é pela sua carne” (v.20).

Por esse motivo o v.22 nos exorta a aproximarmos de Deus confiantes de que o sacrifício de Cristo nos enche de plena certeza de fé, nos purifica a consciência e todo o nosso ser de qualquer pecado cometido.

Algo maravilhoso que vemos nestes três versos e que se repete na carta aos Hebreus várias vezes é que Cristo ao mesmo tempo que foi o sacrifício de Deus, também foi o Sumo Sacerdote que oficiou este sacrifício. Que Salvador maravilhoso é Jesus!

No v.23 vemos a confiança inabalável no caráter de Deus. Guardar firme a nossa confissão não se trata de um empenho embasado em nossas forças, mas, sim, em depositarmos nossa confiança no Ser de Deus, “…pois quem fez a promessa é fiel”. Se a nossa salvação dependesse de nós estaríamos perdidos. Mas, ela depende do caráter de Deus, Deste que não muda, Deste que é fiel (digno da nossa confiança). Devemos permanecer firmes Nele, “sem vacilar”. Ainda que viermos a falhar e pecar, devemos continuar confiantes em Deus porque Ele empenhou Sua Palavra. Quando a Bíblia nos ordena a ficarmos firmes, ela não dizendo que “ficar firme” significa não pecar, mas, sim, que devemos confiar no amor de Deus e em Cristo para não pecarmos. É bom lembrar nesse instante o que o apóstolo João disse: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo2.1).

A confiança em Deus não é uma licença para pecarmos, mas, sim, a certeza de que se viermos a pecar, Deus não nos rejeitará por causa do sangue de Jesus que foi derramado por nós.

Os v.24,25 nos mostram a importância da compreensão da necessidade que temos da Igreja de Cristo se quisermos permanecer na fé.

Duas ações são descritas, uma no v.24 e outra no v.25 resultam em duas outras ações importantes em nossa vida como Igreja de Cristo.

No v.24 a ordem é “Consideremo-nos também uns aos outros” e essa consideração (no grego katanoéo) que é um ato de “trazer no coração, querer o bem do outro por causa do amor que se tem por ele”, nos leva a “estimularmos ao amor e às boas obras”. Fico triste quando ouço crentes dizerem que não precisam estar na Igreja para serem crentes. Será que ficando em casa assistindo TV em vez de estar na Igreja ele será estimulado às boas obras? Muitos casamentos foram destruídos porque as pessoas se deixaram levar pelo que a TV ensina. Será que estando passeando no dia do Senhor em vez de estar na Casa Dele, tal pessoa será estimulada como deveria? É no Corpo de Cristo que somos estimulados a agir como a Cabeça determina.

No v.25 a ordem é “Não deixemos de nos congregar como é costume de alguns” e essa ação nos leva a que “façamos admoestações” porque o Dia do Senhor está próximo. É permanecendo no Corpo de Cristo que estaremos sempre preparados para o Dia do Senhor.

2) O cuidado com esse chamado, v.26-31 

Nestes versos o autor de Hebreus traz de volta o assunto que ele tratou em 6.4-8: quem não permanece firme é porque nunca foi convertido de verdade.

Por esse motivo o autor sagrado volta a alertar aqueles irmãos assim como ele lhes ordenara no v.25. Ele os exortou mostrando que é preciso tomar cuidado com esse chamado, e, que só persevera quem realmente é salvo. Logo a conclusão que se chega é: se você permanece em Cristo está dando provas claras de que é salvo. É por isso que permanecer em Cristo é tão importante quanto tomar uma “decisão” por Ele.

Nos v.26 e 27 vemos que viver na Graça não é ter liberdade para pecar. Se em vez de permanecermos firmes em Cristo, isto é, confiantes Nele, “…vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados”. Duas verdades são destacadas aqui: (1) ter pleno conhecimento da verdade não é o mesmo que crer plenamente nessa verdade. Crer plenamente nessa verdade significa obedeça-la. Muitos têm pleno conhecimento da verdade, mas, não creem nela e muito menos a obedecem; por isso mesmo vivem deliberadamente em pecado. (2) aquele que é verdadeiramente salvo não vive deliberadamente em pecado, pois, quem vive em pecado não deve jamais se iludir pensando que será salvo, mas, sim, que resta “certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (v.27). Em vez de certeza da salvação é certeza da condenação para quem vive deliberadamente em pecado e ainda vive dizendo que tem o pleno conhecimento da verdade.

Nos v.28-31, vemos que Deus é o próprio vingador dos incontinentes. Se na Lei de Moisés (que era ratificada com sangue de animais) alguém que houvesse cometido algum pecado sofria as consequências, que se dirá na Nova Aliança a qual é ratificada no Sangue de Jesus Cristo e tem o Espírito da graça atuando nos corações, se alguém viver pecando deliberadamente e ainda disser que tem o pleno conhecimento da verdade? Esse tal acertará contas com ninguém menos do que o próprio Deus, Aquele a quem “…pertence a vingança” e diz: “eu retribuirei” (v.30).

3) A necessidade de perseverar nesse chamado, 10.32-39

A perseverança do crente nesse chamado implica em algumas atitudes:

Lembrando da firmeza inicial (v.32-34). O autor sagrado lembra àqueles irmãos que quando no início da Fé em Cristo eles sustentaram “grande luta e sofrimentos” (v.32). O que eles passaram foi terrível. Quando disseram que receberam a Cristo Jesus como Senhor e Salvador, os romanos se enfureceram porque eles não se devotavam ao imperador e por isso fizeram deles espetáculo nas arenas; os judeus os perseguiram atribulando-os de diversas formas (v.33), mas eles aguentaram firmes.

Eles também mostraram solidariedade aos demais irmãos que estavam sofrendo porque afinal de contas é isso o que é ser Igreja de Cristo: se um se alegra todos se alegram, se um sofre, todos sofrem também.

Agora quero chamar a sua atenção para o v.34. Observe como esses irmãos reagiram enquanto sofriam nas mãos de seus algozes. Eles suportaram tudo “com alegria” porque o coração deles não estava nas coisas deste mundo, e, sim, na Glória. Corações ocupados com a glória de Deus não se prendem às coisas desse mundo, mas, amam pessoas porque estas são mais importantes.

Devemos sempre ter um olhar no passado para vermos o quanto Deus já fez por nós.

Necessitamos permanecer neste chamado, não abandonando a confiança em Cristo (v.35). Há grande galardão (recompensa) para os que permanecem firmes. Os que permanecem firmes são os que estão olhando para a glória eterna desejando-a mais que tudo porque é lá que Cristo está. Quem assim persevera receberá essa recompensa e também:

Vive aguardando o cumprimento da promessa de Deus (v.36-39). Há uma promessa a ser alcançada, a saber, a glória eterna. Mas ela está reservada para aqueles que perseveram (v.36).

No v.37, vemos que a volta do Senhor Jesus é certa e será no tempo determinado por Deus. E é nessa certeza que o justo (aquele que foi justificado por Cristo) vive, e “se retroceder, nele não se compraz a minha alma” (v.38), ou seja, o retrocesso é algo que traz desprazer ao coração de Deus.

Mas, “nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos entretanto, da fé, para a conservação da alma” (v.39). Assim o autor sagrado encerra este capítulo aplicando a ele e aos seus irmãos tudo o que ele disse até aqui e lembrando aqueles irmãos de que eles (e ele também) não são dos que retrocedem, ou seja, apostatam da Fé, mas, permanecem firmes em Cristo.

Implicações e aplicações

No que implica o chamado de Deus a nós para permanecermos firmes na Fé?

Primeira implicação

Esse chamado é para apresentarmos frutos verdadeiros de uma vida que está ligada a Cristo. Se você diz que está em Cristo, mas, não apresenta o fruto do Espírito em sua vida, você está se enganando e continua caminhando para a perdição.

Segunda implicação

Esse chamado é para conhecer, crer e obedecer plenamente a verdade. Não fique só no conhecimento da Verdade. Muitos intelectuais fazem o mesmo, mas, não alcançarão jamais a salvação. Siga em frente e creia na Verdade, e crendo, obedeça-a. Uma vida de santidade é uma vida obediente à Verdade e confiante somente em Cristo.

Terceira implicação

Deus não quer você apenas vencendo o pecado; Ele o quer confiante em Cristo somente.  A vida cristã não se resume somente a não cair em pecados. Há quem consiga vencer pecados em sua vida, mas, cai na arrogância de achar que conseguiu isso por seus esforços. Muito mais do que não cair em pecados é necessário você confiar constantemente em Cristo, pois, é somente Ele quem pode garanti-lo diante de Deus. Confie em Cristo para vencer o pecado, em vez de querer vencer o pecado para depois permanecer em Cristo.

Conclusão

É permanecendo em Cristo que você vencerá o pecado e entrará no céu.

São José dos Campos, 29/04/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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