Cristo é Melhor – Parte VII B – Uma Exposição da Carta aos Hebreus

Para ouvir essa mensagem clique no link a seguir.

[audio:http://www.noutesia.com.br/wp-content/uploads/2012/06/018-Cristo-é-Melhor-Parte-VII-B.mp3|titles=Cristo é Melhor – Parte VII B]

Leia Hebreus 10.19 – 12.29

O Chamado para permanecer na fé é o assunto dessa seção da carta aos Hebreus (10.19 – 12.29).

Já vimos os resultados desse chamado, os quais devem ser apresentados em nossa vida na forma do fruto do Espírito Santo (10.19-25). Também vimos o cuidado que devemos ter com esse chamado vivendo como Corpo de Cristo e valorizando a Igreja (10.26-31). Por fim, vimos a necessidade de perseverarmos nesse chamado, e isto significa, permanecermos confiantes em Cristo e no Seu sacrifício por nós (10.32-39).

Dando continuidade a esse assunto (O chamado para permanecermos na fé), vejamos o trecho de 11.1 – 12.29, onde vemos que para permanecermos na fé precisamos viver:

1)      Seguindo o exemplo dos que permaneceram nesse chamado, 11.1 – 12.3

A conexão de Hb 11.1 com Hb 10.39 é muito importante. Depois de dizer que os que permanecem firmes em Cristo não são dos que retrocedem, isto é, abandonam a fé em Cristo, o autor de Hebreus passa a mostrar a natureza dessa fé na qual nós que “não somos dos que retrocedem” permanecemos.

No cap.11 uma expressão que se repete não menos que 19 vezes é “Pela fé”. Essa ênfase é para mostrar-nos que a vida do crente é pela fé em Cristo.

Nos v.1-3 vemos que a fé é resultado da ação de Deus. Nestes versos são mencionados os dois tipos de fé que existem: a fé comum e a fé salvadora.

A fé comum é aquela com a qual todo ser humano nasce. Essa fé pode até admitir a existência de um Deus criador (v.3). Porém, a fé salvadora, aquela através da qual as fortes e firmes convicções são geradas no coração da pessoa, fé está que tiveram os “antigos”, isto é, os servos de Deus no passado, essa fé é o dom de Deus que leva um pecador a crer e a receber a Cristo como seu salvador pessoal e a viver na firme esperança da vida eterna.

Tanto uma como a outra são dom de Deus, mas, somente quando o pecador avança da fé comum para a fé salvadora (algo que ele consegue somente por meio da ação do Espírito Santo em seu coração) é que ele passa a ter a certeza da vida eterna. Foi assim que viveram os “antigos” servos de Deus, dos quais a Bíblia registra seu exemplo.

Nos v.4-7 vemos o exemplo de Abel, Enoque e Noé. Podemos resumir a vida desses homens com uma palavra-chave: obediência.

Sobre Abel podemos dizer que a sua oferta foi aceita por Deus não porque era melhor que a de seu irmão Caim somente, mas porque a sua oferta foi de acordo com a vontade de Deus. Abel foi obediente a Deus mesmo diante da tentação de fazer as coisas por sua própria vontade.

Quanto a Enoque, a Bíblia diz que ele “andou com Deus” (Gn5.24), e isso denota uma vida de comunhão com Deus, e por isso ele agradou a Deus. Enoque foi obediente porque o seu maior prazer era Deus.

Sobre Noé, sua obediência se destaca pelo fato dele ter sido justo e íntegro entre seus contemporâneos perversos e mesquinhos. E semelhantemente a Enoque, Noé também “andava com Deus” (Gn 6.9). Noé mostrou sua obediência a Deus quando confiou em Sua Palavra.

Nos v.8-22 vemos o exemplo dos patriarcas, Abraão, Isaque, Jacó e José. O maior destaque nestes versos é para Abraão de quem se registra aqui dois momentos cruciais em sua vida nos quais ele mostrou que viveu “pela fé” em Deus: (1) quando do seu chamado, ele seguiu a voz de Deus, ele não viu nem apalpou nada, mas, andou seguindo a voz de Deus como uma ovelha segue seu pastor; (2) e, outro momento foi quando Deus exigiu que ele Lhe sacrificasse Isaque sobre um monte, que Deus lhe mostraria. Novamente, vemos Abraão andando seguindo a voz de Deus. E ele tinha tanta fé em Deus que cria que ainda que Isaque fosse sacrificado, “considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos” (v.19).

Isaque, Jacó e José foram homens marcados pela bênção de Deus. Isaque abençoou seus filhos mostrando que a bênção de Deus está na Família da Aliança; Jacó buscou a bênção de Deus com todas as forças do seu ser, mostrando assim que a bênção de Deus é o maior bem da Família da Aliança; José foi uma bênção não só para os seus, mas, para todo o Egito, mostrando assim que muito mais do que ter uma bênção é muito melhor ser uma bênção de Deus para os outros.

Nos v.23-29 chegamos ao exemplo de Moisés. Diferentemente do que muitos pensam, Moisés não era confuso em relação à sua origem e ao seu chamado. Ele sabia muito bem quem ele era e isso desde cedo, tanto que tendo a oportunidade de ficar no palácio do Faraó desfrutando das benesses daquele lugar, preferiu sofrer com seus irmãos. Agora preste atenção ao que diz o v.26: “porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão”, em outras palavras, ele achava que ser desprezado como o Messias haveria de ser, tinha muito mais valor que todos os tesouros do Egito. Mas o que leva alguém trocar o luxo pelo sofrimento? Ter os olhos num tesouro muito mais precioso: o céu.

“Pela fé” Moisés, “abandonou o Egito”, não se importando com o que deixava para trás e não se intimidando com o que vinha pela frente; “celebrou a Páscoa” com o povo promovendo a salvação do povo de Deus; comandou os israelitas que “atravessaram o mar Vermelho”.

Nos v.30-40 vemos o exemplo de outros servos de Deus no Antigo Testamento. Desde o período da conquista da Terra Prometida sob o comando de Josué tomando cidades como a fortificada Jericó, passando por Raabe, uma meretriz que mostrou-se temente a Deus quando viu Israel se aproximar, falando também de Gideão, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e outros que venceram inimigos muito mais poderosos, chegando até aos dias dos profetas que foram maltratados, escarnecidos, açoitados, mortos ao fio da espada, esquartejados e torturados das mais variadas formas, o autor sagrado mostra o que significa viver pela fé. Ele não deixou de lado as mulheres que viveram “pela fé” e viram seus entes queridos serem ressuscitados. Todos estes a Escritura os considera “homens dos quais o mundo não era digno” (v.38).

Mas, os v.39 e 40 nos mostram algo maravilhoso: eles receberam a promessa da vinda do Messias, e por isso viveram pela fé nessa promessa ainda que esta não tenha se concretizado nos dias deles. Porém, nós vivemos na certeza de que essa promessa se concretizou. Assim eles não são mais especiais que nós. Agora, longe de ser uma palavra que aumenta nossa autoestima (coisa que a Bíblia nunca faz!), essa palavra nos remete ao peso do v.38: devemos ser tais quais esses homens foram, isto é, pessoas das quais este mundo não é digno! Pessoas que vivem pela fé em Cristo e não confiantes em si mesmas. Você está disposto a ser esse tipo de gente?

Em 12.1-3 vemos o maior exemplo de todos: Jesus Cristo. Sendo Ele a concretização da promessa feita aos antepassados e o “Autor e Consumador” da nossa fé: (1) é para Ele que devemos olhar firmemente (v.2); (2) devemos considerar atentamente a forma como Ele enfrentou a oposição dos pecadores e assim enfrentarmos as oposições que se levantam contra nós (v.3), pois, somente agindo confiantes em Cristo é que correremos “com perseverança a carreira que nos está proposta” (v.1).

Para permanecermos firmes na fé devemos entender que:

 

2) O chamado de Deus é para os Seus filhos, 12.4-17

Depois de mostrar como o Senhor Jesus sofreu por causa do pecado dos pecadores, o autor de Hebreus nos mostra que os filhos de Deus estão numa situação nada confortável. Os verdadeiros filhos de Deus travam uma luta constante contra o pecado. Nesta luta ainda não sabemos o que é dar a nossa vida para vencermos o pecado. O que o autor de Hebreus está querendo dizer com isso é que não há Evangelho fácil, sem renúncia, sem sofrimento e dor. Mas, essas palavras não são para desanimar-nos. Antes, devemos nos lembrar das palavras que Deus nos disse a fim de encorajar-nos: “Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por Ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (v.5,6).

No restante desse parágrafo, o autor sagrado passa a mostrar que Deus usa essas situações que nos trazem desconforto para nos corrigir e disciplinar. Ainda que a disciplina do Senhor a princípio não seja nada agradável, o resultado dela quando nos submetemos humildemente a Ele será maravilhoso, será a confirmação do amor de Deus por nós. O fruto que a disciplina de Deus gera em nosso coração é “fruto de justiça” (v.11).

Nos v.14-17 vemos que Ele nos ordena a cuidarmos uns dos outros. Uma vez que o fruto de justiça surgir em nós como resultado da disciplina que Deus executa em nós, então, devemos olhar para nossos irmãos e tê-los em alta consideração, empenhando-nos para vivermos em paz com todos e em santificação sem a qual não veremos ao Senhor (v.14); sendo diligentes em corrigirmos qualquer falta e arrancando qualquer raiz de amargura a qual pode se transformar numa “árvore” de perturbação e contaminação (v.15); sendo firmes contra a imoralidade e atitudes profanas que menosprezam as coisas sagradas de Deus e a Ele próprio (v.16), pessoas essas que ainda que venham a se arrepender, não acharão a bênção de Deus porque a menosprezaram (v.17) como Esaú.

Devemos cuidar uns dos outros para que não tenhamos o desprazer de ver alguém de nós a quem amamos se enquadrar numa situação tão terrível assim.

Isso é ser Igreja, isto é, aqui um cuida do outro enquanto cuida de si mesmo. Não há espaço para ações egoístas.

Por fim, o chamado de Deus para permanecermos na fé nos reporta a outra verdade crucial:

 

3) A solenidade desse chamado, v.18-29

Retomando a história dos seus ancestrais lá no deserto quando foram guiados por Deus, o autor de Hebreus nos lembra que:

A manifestação de Deus no Sinai é só um relance da Sua manifestação da Sião Celestial (v.18-24). Tanto povo de Israel quanto Moisés ao verem Deus se manifestando gloriosamente sobre o Sinai foram tomados de profundo temor.

O povo não suportou (v.20), Moisés disse: “Sinto-me aterrado e trêmulo!” (v.21). Mas, se o Monte Sinai nos remete a tamanha solenidade e respeito, muito mais solene e respeitoso é o Monte da Sião Celestial, a saber, o próprio Deus em Sua Glória Eterna para a qual vão todos os que são verdadeiramente Seus filhos!

A Glória Eterna é:

– “cidade do Deus vivo”;

– “Jerusalém Celestial”;

– “habitação dos anjos de Deus”

– “universal assembleia”

-“Igreja dos primogênitos arrolados nos céus”

-“a presença de Deus, o Juiz de todos”

-“habitação dos espíritos dos justos aperfeiçoados”

-“a presença de Jesus, o Mediador da Nova Aliança”.

Essas descrições da Glória Eterna nos remetem à verdade santa de que estamos na presença gloriosa de Deus diante de Quem devemos demonstrar todo o respeito e solenidade.

Mas como se dá essa reverência? Como demonstramos esse profundo respeito pela santidade de Deus?

Os v.25-29 respondem: a verdadeira reverência é refletida num viver agradável a Deus. O que esses versos estão nos mostrando é que no passado Deus falou por meio de Seus servos e a Sua Palavra se fez cumprir. Não devemos pensar que hoje tal solenidade e seriedade diminuíram. Aliás, este texto rebate àquela famigerada ideia de que a “Era da Graça é mais permissiva e complacente com os pecadores do que a Era da Lei”. Como vimos quando tratamos da Nova Aliança em Hb 8.13 existe uma única Aliança, e que agora, em Cristo foi ampliada e concluída. Se na Era da Graça tudo é mais ampliado e aperfeiçoado, porque então a solenidade e o respeito para com a presença de Deus diminuíram? Com certeza isso não aconteceu. Na Era da Graça devemos levar Deus ainda muito mais a sério como dizem os v.28 e 29: “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor”.

Implicações e aplicações

Primeira

O exemplo que os servos de Deus no passado nos deixaram foi de obediência a Deus permanecendo no chamado da fé. Que exemplo você tem deixado uma vez que diz que é um filho de Deus?

Segunda

A disciplina de Deus na vida do crente é prova do Seu amor que mantém na fé o Seu filho.

Como você tem reagido diante da disciplina que Deus tem aplicado à sua vida por causa de erros que você tem cometido?

Terceira

A solenidade e respeito que Deus requer de nós em nosso cotidiano é prova de que permanecemos na fé em Cristo. No seu dia a dia você tem mostrado a mesma solenidade e respeito por Deus que você demonstra aqui na Igreja? Permanecer solene diante de Deus é permanecer na fé que Ele implantou em nosso coração.

Conclusão

O chamado de Deus para você é para uma vida obediente a Ele e plena Nele.

São José dos Campos, 06/05/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

 





 


 


About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
This entry was posted in Mensagens Expositivas na Carta aos Hebreus - Cristo é Melhor. Bookmark the permalink.

2 Responses to Cristo é Melhor – Parte VII B – Uma Exposição da Carta aos Hebreus

  1. OSMAR OLIVEIRA ALVES says:

    É maravilhoso quando um estudioso da Palavra de Deus se detém na Palavra, pois ela mesmo se explica e nos da conhecimento suficiente para permanecermos na fé, o Rev. Olivar faz isso com muita propriedade, que o Senhor o ilumine sempre.

    • Olivar Alves Pereira says:

      Sim, amado, quanto mais nos aprofundamos no estudo da Palavra mais percebemos que Dela necessitamos. Conto com suas orações.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.