Cristo é melhor – uma exposição da carta aos Hebreus – parte II

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Leia Hb 3.1 – 4.13

Os crentes hebreus, a quem esta carta foi dirigida originalmente, estavam se desviando da confiança exclusiva em Cristo Jesus. O que estava acontecendo com eles, acontece também conosco, a saber, o perigo de tentarmos fazer com as nossas próprias mãos obras com as quais tentamos comprar e conseguir a nossa salvação.

Aqueles crentes haviam aprendido que o Senhor Jesus Cristo era suficientemente poderoso para salvá-los porque Ele é o próprio Deus encarnado, e que, nenhuma obra ou sacrifício que eles pudessem fazer sequer se assemelharia ao que Cristo fez. É contra essa mesma tentação de querer conquistar a salvação com as nossas próprias mãos que devemos lutar, porque isso é pecado de incredulidade.

Geralmente, pensamos que incredulidade é coisa só de ateu, mas, biblicamente falando, alguém que crê que Deus existe, pode cometer o pecado de incredulidade quando não confia exclusivamente no poder, misericórdia, amor e graça de Deus.

Daí chegamos ao tema da nossa mensagem: É preciso estar em Jesus Cristo. Sim, precisamos estar firmes em Cristo por que Cristo é melhor do que qualquer coisa que fizermos.

Mas, o que significa estar firme em Jesus Cristo?

Estar firme em Cristo Jesus é uma resolução não só do nosso coração, mas, da nossa mente. E uma expressão que encontramos no texto (e em toda a carta aos Hebreus) que mostra que estar firme em Cristo é uma resolução firme da nossa mente é “considerai atentamente” (3.1).

Essa expressão vem do verbo grego katanoéô e significa: “fixar a mente em” denotando atenção e observação contínuas (RIENECKER-ROGERS, 1988, p.498).

Vejamos como devemos fixar nossa mente em Cristo para não incorrermos no pecado da incredulidade:

 1)      Fixando a nossa mente na Sua Obra e Pessoa, 3.1-6

O texto começa nos exortando a considerarmos com muita atenção “o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus” (v.1). É em Jesus que devemos fixar nossa mente, pois, Ele é o Apóstolo, ou seja, o “enviado de Deus” para ser o “Sumo Sacerdote” do Seu povo, e no ofício de Sumo Sacerdote Ele conduz a “nação de sacerdotes” que é o Seu povo.

Nos v.2-6 vemos que Cristo é a base da Casa de Deus a qual somos nós. Apresentando um contraste entre Moisés e Jesus, o escritor de Hebreus mostra que Cristo “tem sido considerado digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a estabeleceu” (v.3). O que isso quer dizer? Que maior honra do que a casa que foi construída tem aquele que a construiu. Dessa forma Moisés não é mais importante do que Jesus porque foi Jesus quem constiuiu essa “casa”, “a qual somos nós” (v.6).

Nunca devemos nos esquecer que foi por causa da Obra e da Pessoa de Jesus Cristo que nos tornamos o Seu povo. Esse privilégio transcende ao ser humano, não está em nossos méritos, mas, sim, por causa da Graça de Deus que é quem estabelece todas as coisas (v.4).

Tal verdade deve nortear nosso coração paraque nunca deixemos de fixar nossa mente em Cristo e depositar Nele nossa fé, alegria e esperança.

 2) Fixando a nossa mente na urgência do chamado Divino, 3.7-19; 4.7

Uma vez que fomos chamados com vocação celestial (v.1) para sermos transformados em povo de Deus, em nação de sacerdotes cujo Sumo Sacerdote é Jesus devemos considera com atenção, fixar nossa mente na urgência do chamado divino.

Em 3.7,13,15; 4.7 o dia da aceitação é Hoje! Estes textos são citações do Sl 95.7-11 que por sua vez narram os fatos ocorridos em Ex 17.7; Nm 14.26-35; 20.13. Em Ex.17.7, o povo de Israel murmurou contra Deus por estar com sede. E em Refidim, Deus lhes saciou a sede fazendo com que da rocha saísse água para o povo beber, e este lugar passou a ser chamado de Massá e Meribá. Em Nm 14.26-35 vemos que Deus castigou o povo porque este em vez de crer no relato de Josué e Calebe, creu no relato dos outros dez espias que se amedrontaram diante do que viram. Estes ao verem os gigantes na terra disseram que a terra devorava os seus moradores, e que eles se viam como gafanhotos perante os habitantes de terra (Nm 13.32,33). Josué e Calebe em vez disso, encorajou o povo a partir para a luta, pois, certamente eles venceriam porque Deus é quem os capacitava para a batalha. O povo acatou a palavras dos dez espias covardes. Houve uma sedição do povo, e por isso, Deus os castigou fazendo com que aquela geração mais velha, os homens de vinte anos para cima que murmuraram contra Deus, morreram no deserto, e não entraram na Terra Prometida.

Em Nm 20.13, é o episódio em que Moisés em vez de falar com a rocha em Meribá (lugar onde ele já havia visto Deus fazer um milagre), espancou a rocha para que essa lhes desse água, e o resultado disso foi que apesar do povo ter bebido água, Moisés não entrou na Terra Prometida estando tão próximo dela, mas, somente a viu de longe.

Tendo em vista esses fatos, o escritor de Hebreus conclama aqueles irmãos na não desperdiçarem a oportunidade que Deus lhes dava, e esta oportunidade tem um dia específico: “Hoje”.

Em 3.12,16-19, a incredulidade é rejeição a esse chamado e traz a ira de Deus. Apelando para o triste exemplo do povo de Israel que por ter sido incrédulo quando Deus lhes ordenou lutar para vencer apensar de terem visto tantos outros milagres e prodígios que Deus fizera para libertá-los, o mesmo risco rondava aqueles crentes Hebreus séculos depois, e também ronda a nossa vida.

A incredulidade é pecado porque ela rejeita o chamado de Deus para que andemos com fé em Cristo Jesus. E uma vez que rejeitamos Cristo, atraímos sobre nós a ira de Deus como um raio. Constantemente nos deparamos com o cuidado de Deus em nossas vidas, contudo, a mais importante prova do amor e cuidado de Deus para conosco foi o sacrifício de Cristo. E mesmo assim, muitas vezes não confiamos em Deus agindo com incredulidade em vez e depositarmos Nele nossa esperança e fé.

Em 3.13 vemos o cuidado com todos para que o pecado não nos endureça. A caminhada cristã é uma caminhada em grupo. O crescimento espiritual de uma Igreja não deve ser privilégio de alguns, mas de todos. Devemos nos preocupar com cada um dos irmãos a fim de que todos nós cresçamos espiritualmente e cheguemos aos Descanso Eterno.

Em 3.14, vemos que só está em Cristo quem confia Nele do começo ao fim. Só participa das bênçãos, da glória e do Descanso de Cristo, aqueles que permanecem firmes em Cristo do começo ao fim: “…guardamos firme até o fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos”.

Por fim, é preciso estar firme em Jesus Cristo

 3) Fixando a nossa mente na Glória Eterna, 4.1-11

Alguém disse com muita propriedade que nós crentes estamos “acampados neste mundo”. Chegará o dia em que levantaremos acampamento e partiremos para nossa morada definitiva: o céu. É lá que tem de estar o nosso coração, a nossa mente. Como o apóstolo Paulo disse em Cl 3.1,2: “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra”.

Nos v.1-3, vemos que sendo diligentes para com a Palavra que nos foi anunciada demonstramos apego pelas coisas do céu, fixando nossa mente na Glória Eterna. A Palavra de Deus nos foi anunciada e ela nos traz preciosas promessas, sendo a principal, a Glória Eterna.

Devemos temer com a possibilidade de alguém dos nossos ficar fora desse descanso.

Muitos há que mesmo ouvindo, e por algum tempo participando das maravilhas da Palavra de Deus, não creem de verdade, não se entregam totalmente a Deus e não colocam seu coração exclusivamente na esperança da Glória Eterna. Estes, não entrarão no Descanso Eterno, porque a perseverança deve ser do começo ao fim.

Os v.4-8 nos mostram que o descanso nessa vida é um reflexo do Descanso Eterno. O v.8 diz: “Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria, posteriormente, a respeito de outro dia”. Este verso mostra que Deus havendo prometido aos israelitas que eles entrariam na Terra Prometida e descansariam, posteriormente, pela boca de Davi no Sl 95, Deus novamente promete um descanso. Obviamente, o descanso eterno. Irmãos, enquanto estamos neste mundo nos dediquemos ao trabalho do Senhor, vivamos produzindo frutos para a glória de Deus, pois, o nosso descanso é na eternidade ao lado de Cristo!

Os v.9-11, nos mostram porque o Descanso eterno deve ser almejado pelo nosso coração. O Descanso Eterno é o eterno deleite em Cristo. O descanso eterno só será maravilhoso porque nos deleitaremos plenamente na Pessoa de Cristo. Ele será o nosso Sol Eterno, a Árvore da Vida, a Fonte Eterna para os que lá entrarem.

Resta para nós um descanso! Isso porque por mais que tenhamos descanso nesta vida, não passam de momentos de refrigério. O descanso verdadeiro é aquele ao lado de Cristo, onde O veremos como Ele é, onde ouviremos a Sua voz sem qualquer interferência, onde Suas mãos segurarão as nossas e juntos viveremos eternamente para o Seu louvor. Por isso mesmo a exortação: “Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso…” (v.11).

O v.12, talvez um dos mais conhecidos de todos nós. Ele nos mostra que é a Palavra de Deus que nos manterá na direção desse Descanso. No começo desse capítulo o escritor sagrado falou da Palavra de Deus que nos foi anunciada, mas, que muitos de nós não creram nela (v.2). Agora, novamente ele mostra a importância que devemos dar à Palavra de Deus, pois, ela é viva e eficaz, penetra no mais profundo do nosso coração e torna o homem carnal num homem espiritual, isto é, guiado pela Palavra de Deus, um crente. Ela é o instrumento pelo qual podemos conhecer o nosso coração e as motivações do mesmo.

O v.13 é inquietante: o Descanso Eterno será o dia da verdade. John Piper disse: Hoje é o dia das comunicações rápidas. Amanhã é o dia dos negócios. A eternidade é o dia da verdade”. Todas as coisas estão patentes aos olhos de Deus. A pior forma de ateísmo não é aquela em que a pessoa declaradamente diz não crer na existência de Deus, mas, sim, é aquela em que alguém que se diz crente vive pecando deliberadamente, ou tenta esconder das pessoas os seus pecados, como se de Deus os pudesse esconder. No seu âmago, todo pecado é uma forma de ateísmo, pois, é a rebelião do homem contra Deus.

Mas, o Dia do Descanso será precedido pelo Dia do Juízo, quando todos haveremos de prestar contas a Deus.

Implicações e aplicações

Diante do que nos foi exposto aqui destacamos as seguintes perguntas:

Você já atendeu ao convite urgente que deus lhe faz de “Hoje” receber a Cristo como o seu salvador? O dia é hoje! Você não sabe quanto tempo ainda lhe resta.

Você diz que é em crente em Cristo Jesus, mas, vive agindo com incredulidade diante da Palavra Dele? Não pense que ateu é somente quem declaradamente diz não crer na existência de Deus. Pior é a situação daquele que diz crer em Deus, mas, não confia Nele em momentos difíceis, ou

vive murmurando pelos cantos demonstrando ingratidão e falta de confiança no cuidado de Deus? “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Hb 3.12).

Conclusão

É preciso estar firme em Cristo do começo ao fim.

Mensagem proclamada na IPBJardimSul em São José dos Campos, 25/03/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 







About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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