Cristo é Melhor – Uma Exposição da Carta aos Hebreus – Parte III

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Cristo, o nosso grande Sumo Sacerdote – Hb 4.14 – 5.10

Uma das muitas preciosas verdades do Evangelho há uma em especial que diz respeito à identificação de Cristo conosco.

As mitologias antigas descrevem o desejo dos homens de que um dia suas divindades descessem à Terra e visitassem os mortais. Mas, somente o Evangelho pode afirmar que o Seu Deus um dia fez-se carne e se tornou um ser humano como nós. A essa altura sempre ouço os céticos dizerem que o Evangelho e Jesus Cristo são uma imitação das mitologias antigas. Mas como disse C. S. Lewis, a verdade precede a mentira. Satanás sabendo que um dia o Filho de Deus viria a esse mundo, fato este que ele sabia desde o princípio (cf. Gn 3.15), tratou de inventar mentiras sobre deuses que um dia viriam à Terra, para que quando isso realmente acontecesse na Pessoa de Jesus Cristo, os homens ficassem confusos. Mas, a mentira jamais supera a Verdade! Mais uma vez constatamos: Cristo é Melhor.

Olhando para o nosso texto básico de Hb 4.14 – 5.10, constatamos que Cristo se identificou conosco e por isso mesmo Ele é o nosso Sumo Sacerdote perfeito. Por isso mesmo meditemos sobre: Cristo, o nosso Grande  Sumo Sacerdote.

Mas, como é essa identificação conosco?

1) A identificação de Cristo com Seu povo é eficaz, v.4-16

O v.14 vemos que Cristo é a base da nossa confissão: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão”.

 No início desse capítulo o escritor sagrado já havia falado sobre a nossa “confissão” a qual é o próprio Senhor Jesus (4.1). A fé cristã não é só uma confissão de uma doutrina, ela é a confissão de uma Pessoa, a saber, Jesus Cristo. Confessar-se cristão não é dizer que é adepto de uma religião, mas, sim, seguidor de uma Pessoa – Jesus Cristo!

Uma vez que confessamos a Cristo, expressamos nossa confiança Nele, e isso quer dizer, confiamos que Ele nos abriu acesso a Deus, tornando o Céu uma realidade possível a nós por meio do Seu sacrifício.

No v.15 vemos como Cristo Se identificou conosco, pois, Ele sofreu os nossos sofrimentos e tentações. O verbo grego que aqui foi traduzido por “compadecer-se” é sumpaqe,w de onde vem a nossa palavra “simpatia”. Ele tem como significado “compartilhar da experiência de alguém”. Não deve ser visto no sentido psicológico, mas, sim, que, o Exaltado sofre junto com a fraqueza do que é tentado (RIENECKER-ROGERS, 1988, p.502).

Que maravilhosa verdade! Quanto conforto traz ao nosso coração sabermos que quando somos tentados, o Senhor Jesus sabe muito bem como é essa luta que travamos.

Não se trata somente Dele saber o que é ser tentado, mas, também, que quando somos tentados, o Senhor Jesus sofre conosco. Isto está em perfeita harmonia com Rm 8.26,27 que diz que o Espírito Santo geme diante de Deus intercedendo por nós.

Temos um Deus que se identifica com a nossa dor, que sabe o quanto sofremos, e, por isso mesmo, nos dá o conforto que advém do sacerdócio perfeito e grandioso de Cristo por nós.

No v.16 vemos que Nele está a nossa confiança. Por meio de Cristo podemos nos aproximar de Deus. A ideia aqui é a do Antigo Testamento quando os sacerdotes poderiam se aproximar do altar do SENHOR estando devidamente preparados e purificados para isso. Em Cristo, fomos purificados e santificados, e nessa santa condição podemos nos aproximar do “trono da graça”, isto é, da presença santa de Deus sem termer sermos fulminados por Ele por sermos pecadores. Por meio de Cristo, isto é, da obra que Ele realizou derramando Seu sangue, podemos nos aproximar de Deus, pois, por causa do sacrifício Dele chegamos “confiadamente” (parresía), o que não quer dizer uma postura de quem está “à vontade” diante de Deus. Isso não é ousadia confiança, mas, sim, atrevimento e irreverência. Diante do “trono da graça” achamos “graça para socorro em ocasião oportuna”.

Mas porque Deus teve de enviar o Seu Santo Filho para ser o nosso Sumo Sacerdote?

2) A identificação dos sacerdotes levitas com o povo era limitada, 5.1-4

Nos tempos do Antigo Testamento, os sacerdotes do povo de Israel eram pessoas escolhidas dentre o povo. A tribo de Levi foi separada por Deus, e dentre os levitas, os sacerdotes eram escolhidos por Deus. Mas, eram homens intercedendo por homens.

Nos v.1-3 vemos que eles eram tão pecadores quanto o povo. O sumo sacerdote nos tempos do Antigo Testamento no “Dia da Expiação”, uma vez por ano deveria entrar no Santo dos Santos, a parte mais sagrada do tabernáculo, e lá derramar sobre a tampa do propiciatório o sangue do sacrifício oferecido a Deus em favor do povo. Mas, antes disso, ele deveria passar por um processo de purificação ritual para que ele mesmo não sofresse com a ira de Deus e viesse a morrer lá dentro. Ao mesmo tempo que entrar no Santo dos Santos era o ápice do seu sacerdócio, pois, era algo muito difícil de acontecer a um sacerdote (ele tinha de se tornar sumo sacerdote primeiro, algo muito difícil de acontecer) e ter esse privilégio de entrar na Presença de Deus. Enquanto fazia todos os preparativos, o sumo sacerdote sabia perfeitamente que ele era um pecador e que também precisava da graça de Deus.

No v.4 vemos que ofício sacerdotal tem sua origem no chamado Divino para mostrar que é uma obra de Deus. Aqui temos uma verdade muito importante: é Deus quem designava e estabelecia alguém como sacerdote e sumo sacerdote de Seu povo. Houve aqueles que tentaram usurpar para si esse ofício e foram duramente punidos por Deus. Saul, por exemplo, usurpou o ofício sacerdotal e isto lhe custou seu reino.

Em tudo isso Deus estava apontando para Cristo, pois, era Cristo quem haveria de nos salvar, e tudo isso é obra de Deus e não nossa!

3) A identificação de Cristo com o Pai – Ele é Deus, 5.5-10

Na parte final desse trecho, o escritor sagrado nos mostra como Cristo Se identifica com o Pai através da Sua disposição em honrar ao Pai em todas as circunstâncias.

No v.5,6 vemos que o alvo de Cristo: glorificar ao Pai. Cristo não buscou a Sua própria glória enquanto cumpria a vontade do Pai. Se no passado houveram pessoas que usurparam o ofício sacerdotal, Cristo, o escolhido de Deus para ser o Grande e Sumo Sacerdote que ofereceria o sacrifício eterno e perfeito, não usurpou a glória de Deus (cf. Fp 2.5-11). Em vez disso, o tempo todo o Seu objetivo foi apontar para a glória do Pai.

Nos v.7,8 vemos em que consistia a obra de Cristo: obedecer ao Pai. Sempre que eu era questionado sobre como eu poderia saber que Deus havia aceito o sacrifício de Cristo por nós, eu ficava embaraçado. Meu coração ficou inquieto quanto a isso, e busquei a ajuda de professores piedosos. Eles me orientaram a estudar sobre a ressurreição de Jesus. De fato, é na ressurreição de Jesus que Deus Pai mostra que Ele aceitou o sacrifício de Cristo e põe sobre Ele toda a base da nossa salvação. O v.7 trata desse assunto. Ele diz que Deus ouviu ao forte clamor de Jesus para livrá-Lo da morte. Aí vem a pergunta: Como Deus livrou Jesus da morte se Jesus morreu de fato lá na cruz? Embora Deus não tenha livrado Cristo da cruz, livrou-O sim, da morte. No Sl 16.10 lemos: Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”. Este verso se repete em At 2.27; 3.35 referindo-se a Jesus. Ao ressuscitar Jesus dentre os mortos, Deus O livrou das garras da morte.

Mas a questão aqui é: porque Deus ressuscitou a Jesus? E a resposta está no v.8“embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”. A identificação de Cristo com o Pai está em Sua obediência, ou seja, a fim de mostrar a todos que o Pai é o Grande, Único e Verdadeiro Deus, Ele Se submeteu ao Pai identificando-Se como o Filho de Deus que em tudo e completamente Lhe foi obediente.

E nos v.9,10 vemos a recompensa de Cristo: ser glorificado pelo Pai. Devemos imitar Cristo em Sua obediência ao Pai. Sim, somos filhos, mas, isso não nos dá o direito de vivermos de qualquer jeito. Como filhos de Deus devemos expressar o Seu caráter neste mundo. Cristo ao colocar-Se obediente a Deus fez a vontade do Pai e não a Sua própria.

Ao dizer que Ele foi “aperfeiçoado”, a Bíblia não está dizendo que havia alguma imperfeição em Cristo e por Sua obediência Ele foi aperfeiçoado por Deus. Esse aperfeiçoamento acontece conosco, mas, não com Jesus porque Ele é e sempre foi perfeito. O particípio “aperfeiçoado”  aqui no grego é teleiwqei.j (teleio,w) e indica que Cristo foi perfeito em suportar toda sorte de ataques aos quais Ele resistiu sem cair na tentação e assim, Ele estabeleceu Sua integridade, e por esse motivo Ele foi nomeado por Deus “sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (v.10). Quando estudarmos o Cap.7 veremos o que significa essa “ordem de Melquisedeque”.

Implicações e Aplicações

Primeira Implicação

Uma vez que Cristo se identifica conosco nossa reação em meio às tentações deve ser de :

– confiança em Seu poder para vencer a tentação;

– esperança em Seu amor quando fracassarmos;

– obediência em continuar fazendo Sua vontade.

Segunda Implicação

Havendo Deus enviado Jesus para ser nosso Sumo Sacerdote porque os sumo sacerdotes humanos são tão falhos como nós, devemos:

– fugir de toda idolatria com relação aos líderes, pois eles também falham;

– depender somente de Jesus para agradarmos a Deus.

Terceira Implicação

Sendo o Senhor Jesus o nosso Sumo Sacerdote, então somos Sua nação de sacerdotes e como tais nosso dever é levar as pessoas à verdadeira adoração a Deus, a qual se processa por meio de Cristo somente.

Conclusão

Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote nos chama para oficiarmos com Ele neste mundo.

São José dos Campos, 01/04/2012

Rev.Olivar Alves Pereira




About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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2 Responses to Cristo é Melhor – Uma Exposição da Carta aos Hebreus – Parte III

  1. pastor estou me entereçando a pouco tempo em me dedicar em querer entender melhor o que os texto da biblia nos pode dizer eu acho que deus esta me dando um entendimento pois agora consigo ler e entender um pouco hoje eu abri a biblia neste vesiculo como para ter uma mensagem para meu dia e entendi como o senhor nos ensinou hoje é claro com mais aperfeiçoamento mas estou feliz em ter esse saite para nos ajudar mais em aprender sobre a biblia foi hebreus 5

    • Olivar Alves Pereira says:

      Olá Giane.
      Primeiramente, quero lhe incentivar a continuar lendo a Bíblia. Toda vez que for ler a Bíblia faça o seguinte:
      1) Com fé peça a Deus que através do Espírito Santo a ilumine para entender o que o texto diz. Foi o Espírito Santo quem inspirou santos homens a escreverem a Palavra de Deus (cf. 2Pedro 1.20,21),por isso, Ele é o único que pode lhe dar o verdadeiro conhecimento da Pessoa de Jesus Cristo.
      2) Não leia a Bíblia como se fosse um amuleto ou coisa parecida. Clame a Deus que tire do seu coração as superstições e coloque Fé Verdadeira na Palavra Dele em sua alma. Por isso mesmo, comece a estudar livros inteiros da Bíblia. Comece com o livro dos Salmos,o Evangelho de João e depois os outros três Evangelhos. Enquanto estiver lendo a Bíblia sempre pergunte:
      (a) o que este texto me ensina sobre o caráter de Deus?
      (b) O que este texto me ensina sobre o ser humano (seu caráter, sua conduta, etc) e como este deve ou não agir?
      (c) o que eu aprendi neste texto e que devo colocar em prática em minha vida? Você ficará surpresa de como a Bíblia é atual e escrita para você (para todos nós!!!).
      3) Sempre que tiver alguma dúvida busque ajuda de alguém mais experiente na Fé Cristã. Mas, cuidado! Existem muitos “pregadores” de um evangelho que nada tem a ver com Cristo. Para não cair em ciladas sempre observe:
      (a) o que está sendo dito está de acordo com o que a Bíblia diz? Se sim, tudo bem. Se não, então fuja.
      (b) o que está sendo dito dá a Cristo somente toda a honra e glória, ou alguém mais está recebendo a glória que é só Dele? Lembre-se de que a glória de Deus Ele não a divide com ninguém.
      (c) o Verdadeiro Evangelho fará você amar mais o Céu do que este mundo. Então se o que você estiver ouvindo fala mais sobre “como vencer em sua carreira profissional”, “como ficar rico para a glória de Deus”, ou “receba a cura dos caroços que estão em seu corpo porque Deus quer você com saúde”, etc, saiba que está ouvindo algo que fará você amar mais a terra do que o Céu. Definitivamente, você não está ouvindo o Verdadeiro Evangelho, pois, este fala do seu pecado o qual a afasta de Deus, do qual você tem de arrepender-se e depender somente de Cristo para vencê-lo.

      Por fim, querida, pode vir aqui no Noutesia quantas vezes quiser e perguntar o que quiser que eu lhe responderei se souber. Não sabendo, pesquisarei estudarei e orarei a Deus para me ajudar a ajudá-la no que eu puder.
      Deus a abençoe!

      Rev.Olivar

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