Cristo é Melhor – Uma Exposição da Carta aos Hebreus – Parte IV

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Hb 5.11 – 6.20

Em nossa exposição da Carta aos Hebreus,já vimos que Jesus é a revelação máxima e exata do ser de Deus e por isso Ele pôde nos salvar, e que, devemos fixar nossa mente e coração em Cristo confiando somente em Sua obra de salvação a qual, para ser executada, Ele se identificou plenamente com nossas fraquezas, lutas e tentações vencendo todas elas. Por isso mesmo Ele é o nosso Sumo Sacerdote, e nós, uma nação sacerdotal constituída para a glória de Deus.

Não esquecendo nós do tema central da dessa carta, a saber, Cristo é melhor, prossigamos vendo hoje como o nosso relacionamento com Cristo é vital para o nosso crescimento espiritual.

Neste trecho (5.11 – 6.20) o escritor sagrado passa a falar com os crentes hebreus sobre um problema muito sério que estava acontecendo com eles, a saber, a falta de progresso na fé.

Depois de mostrar-lhes algumas verdades concernentes ao crescimento cristão, ele declara em 6.19 que a promessa que Deus fez com base no Seu próprio ser, e que se cumpriu na pessoa de Jesus Cristo é a âncora da nossa alma, ou seja, a nossa esperança.

Para o crente, a esperança tem um nome e é uma pessoa: Cristo Jesus (cf. 1Tm 1.1).

Por isso vamos meditar hoje sobre: “Jesus Cristo: a âncora da nossa alma”.

Como se relaciona a nossa esperança em Cristo com o nosso crescimento espiritual?

1)       Quem Nele confia não fica estagnado espiritualmente, 5.11-14; 6.1-3

Um dos problemas mais sérios que afetam os crentes é o comodismo. Uma vez que o crente se acomoda em seu crescimento espiritual ele deixa de crescer. Muitos crentes justificam a estagnação e o marasmo espiritual dizendo que “amadureceram”. Mas, não houve amadurecimento algum. Tais crentes continuam infantis, melindrosos, fracos e sem qualquer habilidade para resolverem problemas decorrentes de pecados.

O escritor de Hebreus detectou esse mesmo problema na vida daqueles irmãos, e lhes mostrou que quem confia de verdade em Cristo não fica estagnado espiritualmente, mas:

Busca compreender as “coisas difíceis”, ouvindo atentamente a Palavra (5.11 e 6.1-3). Havia muitas coisas a serem ensinadas àqueles irmãos, as quais eram “difíceis de explicar”, mas, eles se tornaram tardios em ouvir. O adjetivo “tardios” denota vagareza. Essa palavra era usada para descrever um leão que tinha um membro adoecido. Por isso mesmo, essa palavra sempre aparece ligada a doenças.

Em 6.1-3 o escritor sagrado faz uma lista de doutrinas da Fé Cristã, as quais ele as considerava “princípios elementares” (6.1), a saber: arrependimento, fé em Deus, batismo, imposição de mãos, ressurreição dos mortos e juízo eterno. Quando ele chamou essas doutrinas de princípios elementares, obviamente não estava desdenhando delas, mas, sim, dizendo que todo cristão precisa saber dessas doutrinas logo no início de sua vida com Cristo. Eu fico pensando no “analfabetismo doutrinário” dos nossos dias! As pessoas têm ojeriza quando ouvem falar de “estudos doutrinários”.

Um crente que está crescendo, busca se aprofundar cada vez mais na doutrina da Palavra de Deus.

Em 5.12 vemos que aquele que confia em Cristo por buscar crescer doutrinariamente se torna apto a ensinar. Crescimento espiritual nos leva à condição de mestres. O escritor sagrado constatou que aqueles irmãos, pelo tempo que haviam recebido a Cristo como Salvador e Senhor, já deveriam estar ensinando. No entanto, necessitavam que alguém ainda os ensinasse. Em 5.13,14 aquele que cresce espiritualmente prova das delícias que Deus preparou para o seu coração. O que acontece com um bebê que cresce e depois de alguns anos continua se alimentando somente de leite? Terá sérias complicações no seu aparelho digestivo. Da mesma forma, um crente que deixa de fazer progresso em sua vida espiritual, não somente deixará de desfrutar de delícias que Deus lhe tem reservado, como também causará problemas para os outros crentes.

 2) Quem Nele confia, jamais O abandona, 6.4-8

Estamos diante de um texto difícil. Como reformado não creio em “perda de salvação” ou em “cair da graça” como o creem os arminianos. Contudo, este texto é muito usado para se afirmar que há perda de salvação. Mas, este texto não está falando de pessoas que foram salvas e vieram a perder a salvação. Este texto está falando daqueles que apostatam da fé. E quem O abandona é porque jamais foi salvo.

Sim, é possível que uma pessoa que tenha sido iluminada, recebido o entendimento de verdades da Fé Cristã, tenha se tornado participante do Espírito Santo, ou seja, visto o agir do Espírito na vida dos outros e na sua própria, tenha provado das delícias da Palavra de Deus, e não ser convertida de verdade a Cristo.

A esta pessoa é impossível outra vez fazer com que ela se arrependa, porque ela está “crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-O à ignomínia” (v.6). Este texto deve ser

entendido à luz da parábola do semeador que o Senhor Jesus contou em Lc 8.4-15. Aqueles que são como o solo à beira do caminho, ouviram a Palavra, mas, o diabo a arrancou de seus corações (v.12). Aqueles cujo coração é como o solo rochoso, até veem com alegria a Palavra brotar dentro de si, mas, não têm raiz em si mesmos, ou seja, são superficiais em sua fé e por isso mesmo, murcham e sacam (v.13). Os que têm o coração como o solo cheio de espinhos, até veem a Palavra crescer em seus corações e produzir frutos, mas, esses frutos não permanecem porque os deleites e prazeres desse mundo falam mais alto em seus corações (v.14). Mas, aqueles cujo coração é como terra boa e preparada, ao receber a Palavra de Deus, produzem frutos abundantes e permanentes.

Voltando para Hb 6.4-8 afirmamos:

– quem abandona a Cristo é porque nunca foi salvo;

– o eleito jamais abandona a Cristo.

Essa é a exortação que o escritor sagrado está fazendo aqui: cuidado para não interromper seu crescimento espiritual, pois, se isso acontecer, você se apartará de Cristo. E quem é de Cristo jamais fica estagnado e se aparta Dele!

Devemos ficar mais atentos conosco e com aqueles irmãos que estão se relaxando com a comunhão, pois, quem não se importa com isso está dando provas de que não é um convertido de verdade. Voltaremos a este assunto no Cap.9.

Em vez de ficar estagnado e abandonar a Cristo:

3) Quem Nele confia dá provas de seu crescimento, 6.9-12

No v.9 vemos que o nosso bom testemunho é o que os outros falam a nosso respeito. Não somente a forma como ele tratou esses irmãos aos chamá-los de “amados” (uma expressão que mostra não só o amor dele por eles, mas, o amor de Deus por eles), mas, também quando diz que estava convicto de que as “coisas que são melhores e pertencentes à salvação” diziam respeito a eles. O que ele estava dizendo era que embora no meio deles houvesse pessoas que desertaram da fé, outros estavam firmes e deveriam continuar assim, pois, é dessa forma que se comprova que alguém pertence a Cristo, a saber, ficando firme na fé até ao fim.

Já no v.10 vemos que o nosso crescimento abençoa outras pessoas e é recompensado por Deus. Aqueles irmãos serviram com dedicação aos outros, e fazendo isso, estavam fazendo para Deus que os haveria de recompensar.

No v.11 vemos que o nosso crescimento mantém a nossa esperança. A palavra de ordem é “até ao fim”. Muitos são os que perdem a esperança mesmo tendo conhecido a Cristo Jesus e a Sua Palavra. E por quê? Porque deixaram de crescer espiritualmente. Sem crescimento espiritual, a esperança desvanece. Sem crescimento espiritual, a esperança não se aprofunda em convicção na Palavra de Deus.

No v.12 vemos qual o método para o crescimento espiritual: o nosso crescimento resulta de um discipulado verdadeiro. O escritor sagrado exortou aqueles irmãos a que se tornassem “imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas”. Todos nós sempre imitamos alguém. O problema não está em imitar alguém, mas, sim, em quem estamos imitando. É por isso que fazer discípulos é se tornar referencial enquanto segue um referencial, que no nosso caso é Cristo Jesus.

Muitos são os que deixam de crescer porque não tiveram um discipulado consistente, ou se, tiveram, não seguiram corretamente o exemplo deixado pelos seus discipuladores.

E quando seguimos a Cristo com fé e longanimidade demonstramos algo muito importante:

4) Quem Nele confia, O glorifica, 6.13-20

Estes versos finais falam do caráter de Deus. Nos v.13,14 vemos que quem confia em Cristo O glorifica como o único e verdadeiro Deus.

Reportando à promessa de Deus a Abraão, o escritor sagrado mostra que na ocasião Deus jurou por Si mesmo por que só Ele é Deus e não há Nome algum neste universo mais alto, glorioso e digno de ser acreditado que o de Deus.

Nos v.15-17 quem confia em Cristo O glorifica como o Deus fiel. Ao estabelecer a promessa a Abraão Deus se interpôs com juramento. Deus não faz promessas que não pretende cumprir. Aliás, algo que aborrece profundamente a Deus é quando pessoas fazem votos e não tem diligência em cumpri-los.

No v.18 temos uma verdade preciosa sobre Deus. Quem Nele confia O glorifica como o Deus imutável. Deus fez a promessa e ainda fez um juramento em cumprir essa promessa. Por meio dessas duas coisas (a promessa e o juramento) Ele afirmou mais uma vez Sua imutabilidade. Ele não faz promessas hoje que não queira cumpri-las, pois, assim Ele poria em questão o Seu caráter.

Por fim, os v.19,20 nos mostram que se Nele confiamos O glorificamos como a âncora da nossa alma que nos garante a salvação eterna. A âncora segura um navio atracado, e se vier uma tempestade o navio não é arrastado para longe porque a âncora o segura.

Cristo é o firme fundamento da nossa esperança da vida eterna. Podemos crer que receberemos a vida eterna porque Cristo no-la garantiu por Seu poder e sacrifício. Ele penetrou o véu da glória eterna para que o caminho fosse aberto para nós.

Implicações e aplicações

Primeira

          Você está satisfeito com seu crescimento espiritual? Cuidado! É bem provável que você esteja acomodado e perto de uma apostasia!

 Segunda

          Você tem crescido espiritualmente? Quais provas você tem dado desse crescimento? Não basta frutificarmos. É indispensável que o nosso fruto permaneça.

 Terceira

          Você está disposto a permanecer em Cristo até ao fim? Aqueles que realmente foram salvos por Cristo permanecem firmes na Fé não só por um momento, mas, por toda a vida até ao fim.

 Conclusão

          Não basta apenas frutificarmos; esses frutos têm de ser permanentes.

São José dos Campos, 08/04/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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