Cristo é melhor – Uma exposição da Carta aos Hebreus

Você pode ouvir essa mensagem através desse link:

[audio:http://www.noutesia.com.br/wp-content/uploads/2012/03/011-Cristo-é-Melhor-Parte-I.mp3|titles=Cristo é Melhor – Parte I]

Apresentando o Senhor Jesus Cristo – Hb 1 e 2

Em algum momento entre os anos 70 a 96 d.C., judeus que haviam sido convertidos a Cristo e que foram dispersos para várias partes do globo terrestre, fato este que ficou conhecido como a Diáspora, agora estando longe do seu centro de culto a Deus, Jerusalém, e do contato próximo com os líderes da Igreja Crista, estes irmãos se viram tentados a voltarem às práticas de sua antiga religião, o Judaísmo, sem deixar Cristo de lado. Em sua concepção, eles entendiam que Cristo é o Salvador dos pecadores, mas, que, a observância das normas da Antiga Aliança ainda eram necessárias a fim de se viver de forma agradável a Deus.

Daí, o autor da carta, que não sabemos quem é, inspirado pelo Espírito Santo traz uma exortação séria a esses irmãos a fim de vê-los firmes em Cristo somente, porque a Antiga Aliança apesar de ter cumprido o seu papel era imperfeita, pois, a Lei quando muito dizia o que era certo e o que era errado, mas, quando o homem quebrasse a Lei esta só poderia aplicar-lhe seus rigores e condenação.

Partindo desse ponto, o escritor de Hebreus afirma: Cristo é Melhor. Cristo é melhor que o sistema mosaico de expiação e, por isso mesmo, Seu sacrifício é eficaz e pode não só livrar o homem da condenação como apresentá-lo com segurança e perfeição diante de Deus.

Enquanto estivermos meditando na carta aos Hebreus é importante ter em mente esse tema, pois, comparado a tudo o que temos, tudo o que fazemos, tudo o que oferecemos a Deus, Cristo é melhor.

Nesse primeiro estudo expositivo da carta aos Hebreus eu estarei: Apresentando o Senhor Jesus Cristo (1.1 – 2.18).

E uma pergunta que precida ser respondida aqui é: quem é Jesus Cristo e porque Ele pode salvar pecadores?

Nos dois primeiros capítulos da carta encontramos as seguintes verdades sobre a pessoa de Cristo que respondem a essa pergunta:

 1) Ele é a revelação máxima e exata de Deus, 1.1-4

 v.1,2: as outras formas de revelação de Deus estão subordinadas a Cristo. No Passado Deus transmitiu a Sua Palavra de diversas formas: visões, anjos, sonhos, etc., mas, “nestes últimos dias, nos falou pelo Filho”. Cisto é, portanto, infinitamente melhor do que as outras formas de revelação de Deus.

v.3: expressão exata de Deus; sustentador da Criação (Ele é a Palavra). Cristo nos revela Deus. Não há conhecimento de Deus sem passarmos pela Pessoa de Jesus Cristo. Ele é o “resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser”.

v.4: Seu Nome é “Senhor”. O nome de Deus é a Sua glória, jamais foi dado a qualquer outra pessoa ou ser, exceto a Cristo, porque Ele é Deus.

 2) Ele é superior aos anjos porque é Deus, 1.5-14;

v.5: anjos são criaturas; Jesus é Deus: há uma ideia disseminada por aí de que os anjos são chamados de “filhos de Deus” em Gn 6.2 e Jó 1.6, mas, aqui no v.5 lemos que Deus jamais trata os anjos por “filhos”. Jesus é o Filho de Deus que nos abriu as portas das mansões celestiais para ali sermos recebidos como filhos também.

v.6: porque Ele é Deus deve ser adorado: a adoração a Cristo é  prova de que Ele é Deus.

v.8,9: porque Ele é Deus, reina: Ele reina com base na justiça.

v.10-12: porque Ele é Deus, é eterno: os dias do Senhor Jesus não têm começo e nem fim; Ele é antes de todas as coisas, e depois de todas as coisas Ele permanecerá eternamente.

Enquanto isso, os anjos não passam de servos enviados por Deus a favor e em socorro dos eleitos. Contudo, nossa confiança não deve estar nos anjos, mas, sim, em Cristo, o qual se quiser pode usar anjos para socorrer-nos. Em tempos como os nossos em que uma idolatria aos anjos tem ganhado terreno até mesmo dentro das igrejas faz-se necessário que falemos que os anjos existem em função de Deus e não para serem cultuados.

Outra verdade sobre Jesus que precisamos saber é:

3) Ele é o Salvador anunciado pelos apóstolos, 2.1-4;

Temos necessidade urgente de apegar-nos às “verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos” (v.1). A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. A ênfase sempre recai no ouvir a Palavra, e não no ver a as coisas. Esse assunto será retomado lá no Cap.11 quando o autor sagrado falará sobre a natureza da fé. Ainda que Deus venha fazer sinais e prodígios para confirmar a Sua Palavra segunda a Sua vontade e não conforme a vontade do homem (cf. v.4), bem-aventurado é o que crê na Palavra sem necessitar ver tais sinais.

v.3: negligenciá-Lo é loucura, é condenação!

Uma vez que a Palavra agora nos é anunciada na Pessoa de Jesus Cristo a pergunta que surge é: “como escaparemos nós se negligenciarmos tão grande salvação?”. Os apóstolos receberam a revelação de Deus e nos transmitiram.

Se quisermos conhecer a Deus temos de conhecer a Cristo, e para conhecer a Cristo necessitamos da revelação segura da Sua Palavra.

4) Ele é superior aos homens, por isso mesmo pode salvá-los, 2.5-18

v.5-9: o homem é a “coroa da Criação”, mas está sujeito a Cristo. O homem é único. Só ele tem alma vivente, consciência e perspicácia. Porém, é o único ser em toda a criação que se rebela contra o seu Criador. Quando a Bíblia diz que Cristo foi “por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos” (v.9) não está dizendo que Cristo é menor que os anjos, mas, sim, que durante o Seu estado de humilhação (dos nascimento à morte) ele era humano, e, por pouco tempo, nessa condição era menor que os anjos, não em poder e autoridade, porque os anjos estavam a seu serviço (Mt 4.11). Mas, o homem está sujeito a Cristo.

v.10: Cristo é o Autor da salvação, por isso aperfeiçoa os Seus. Quando a Bíblia diz que Deus “aperfeiçoou” Jesus como Autor da salvação, não quer dizer que Jesus finalmente tornou-Se sem pecado, até mesmo porque Ele nunca os teve (cf. 4.15). O que a Bíblia quer dizer com isso é que Cristo e Seu sacrifício é plenamente qualificado e capaz de nos salvar.

v.11-13: Cristo o nosso irmão mais velho e Perfeito. É Cristo quem nos apresenta diante de Pai, e por meio do sacrifício Dele é que somos aceitos por Deus e recebidos em Sua presença.

v.14,15: Cristo é superior ao diabo e à morte, por isso os venceu. No momento em que o diabo levou o homem a pecar, passou a acusá-lo diante de Deus e a exigir que um sacrifício perfeito fosse realizado. Homem algum poderia cumprir tal exigência. E assim Satanás detinha o poder da morte. Mas, Cristo veio e satisfez a exigência da Lei de Deus e calou a voz acusadora do Diabo, tornando suas acusações sem qualquer poder contra os filhos de Deus.

v.16-18: Cristo é a propiciação para a descendência de Abraão. O socorro de Cristo é somente para a descendência de Abraão, a saber, os eleitos. Ele é a propiciação pelos pecados do Seu povo, isto é, Ele carregou a ira e a condenação que estava sobre o povo de Deus. Ele é misericordioso porque embora tenha assumido a condição humana, Ele é Deus, e como tal era a única salvação para o Seu povo. Ele abriu mão de Sua glória para assumir nossa miséria e assim nos salvar, “Pois, naquilo que ele mesmo sofreu tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados”. Justamente onde está a nossa fraqueza, Cristo fez-se um de nós, e venceu o que nos derrotava.

Implicações e Aplicações

1ª Implicação: Não conheceríamos a Deus se Ele não tivesse Se revelado a nós

Ele deu o primeiro passo. Foi um ato livre de Sua vontade.

Essa implicação se estende até mesmo aos nossos relacionamentos, pois, em se tratando de perdoar, sempre devemos dar o primeiro passo para perdoar o nosso ofensor em vez de esperar que ele venha nos pedir perdão. O ato de Deus se revelar a nós foi com a finalidade de estabelecer a paz conosco e nos transformar em Seus filhos por meio de Jesus. Toda a revelação de Deus é um ato de misericórdia e de redenção!

2ª Implicação: Crer na Divindade de Cristo é crucial para a nossa salvação

Temos de ser firmes contra heresias que ensinam que Cristo não é Deus. Se Ele não é Deus nossa salvação é uma ilusão, e não passa de uma tentativa arrogante de nossa parte que desejar a Glória Eterna. O nosso anseio pela Glória Eterna é resultado da ação salvadora do Deus que Se encarnou e Se tornou um de nós, a fim de nos levar a participar das maravilhas da Sua Glória Eterna.

Conclusão

Cristo é a melhor revelação de Deus para nós, pois, Ele nos revela Deus exatamente.

Mensagem proclamada na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul, São José dos Campos, 18/03/2012

Rev. Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
This entry was posted in Mensagens Expositivas na Carta aos Hebreus - Cristo é Melhor. Bookmark the permalink.

12 Responses to Cristo é melhor – Uma exposição da Carta aos Hebreus

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.