Cristo e Sua Gloriosa Igreja – 17ª Mensagem

Ef 5.3-14

A reprovação das obras das trevas

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No parágrafo anterior Paulo falou sobre o cultivo dos frutos da nova natureza, e agora prossegue falando sobre a necessidade de se reprovar constantemente as obras das trevas. Uma vez que o crente recebeu a nova natureza em Cristo deve evitar a todo custo todas as formas de imoralidade (pensamentos, palavras e ações).

Paulo apresenta uma lista de pecados a qual também aparece em outras passagens com uma ou outra variação. Veja-se Rm 1.18-32; 1Co 5.9-11; 6.9,10; Gl 5.19-21; Cl 3.5-9; 1Ts 4.3-7; 1Tm 1.9,10; 2Tm 3.2-5; Tt 3.3.

Essa é a verdadeira batalha espiritual em que nos encontramos. De um lado estamos nós, transformados por Cristo, regenerados pelo Seu Santo Espírito, com a nova natureza que Ele nos deu, e do outro estão Satanás, o mundo e a nossa velha natureza nos assediando o tempo todo (Hb.12.1). Não devemos nos descuidar, não podemos dar uma trégua a esses inimigos, especialmente à nossa velha natureza. Meditemos então sobre: a reprovação das obras das trevas.

Mas, ao reprovarmos as obras das trevas, precisamos tomar cuidado com dois extremos:

1)      O legalismo religioso, v.3-6

O legalismo religioso é um pecado que pode se manifestar das seguintes formas: (1) eu condeno pecados nas outras pessoas, mas, pratico esses mesmos pecados, em secreto ou em público; (2) eu pratico tudo o que a Lei manda confiante de que é a minha obediência (e não a obra salvífica de Cristo) que me dará a salvação e as bênçãos de Deus. Essas duas formas em que o legalismo se apresenta me afasta de Deus.

No v.3 lemos “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos”.

“Impudicícia e toda sorte de impurezas”; o substantivo pornei,a aponta para toda atividade sexual ilícita, tais como: imoralidade, prostituição, adultério, pedofilia, homossexualismo, bestialismo, fornicação, pornografia, sodomia, etc. É tudo que no âmbito sexual vai de encontro ao que Deus planejou para que o homem com a sua mulher vivessem dentro dos laços do matrimônio.

“Avareza” (pleonexi,a), aqui está intimamente ligada à impureza sexual como fica claro através da conjunção “ou” (h’)  que liga uma à outra. Sendo assim, como William Hendriksen observa, “avareza”aqui “é possível aplicar-se especialmente à voraz determinação em assuntos de sexo, a expensas de outros: ir além do que é devido e defraudar o irmão”.

Um namoro que desperta desejos que não podem ser supridos, um apetite sexual desenfreado que desemboca em prostituição e adultério, se enquadram no significado de avareza. Tais pecados não devem sequer ser mencionados pelos seus nomes, quanto mais serem praticados!

O v.4 entra no campo das palavras: nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças”. Novamente Paulo reforça o ensinamento contra os pecados da língua. No parágrafo anterior quando tratou do cultivo da nova natureza, ele atacou os pecados da língua no que diz respeito à mentira, maledicência e quaisquer outras coisas que interfiram no convívio com as outras pessoas causando ressentimentos e mágoas. Agora, ele ataca os pecados da língua no que diz respeito às palavras carregadas de obscenidades, palavras que expressam toda a podridão e perversão na área sexual.  “conversação torpe” é o mesmo que palavreado obsceno; “palavras vãs”, o mesmo que conversa fiada e grosseira, que não tem respeito por ninguém.

Ao dizer no v.5: Sabei, pois, isto…” Paulo quer deixar tão claro que a salvação e a imoralidade (seja em qualquer forma que se apresente) são realidades totalmente contrárias. Podemos estar bem certos que: “nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.

Como já foi visto no v.3, a avareza neste texto está associada à imoralidade, sendo um egoísmo nojento. Logo, se uma pessoa coloca-se a si mesma acima das outras é porque também já não tem mais ao Senhor Deus como o primeiro em seu coração, e assim está praticando idolatria que nada mais é do que colocar coisas ou pessoas (inclusive a si próprio) antes de Deus em sua vida. Daí a explicação de Paulo “avarento, que é idólatra”.

É muito importante considerarmos o tempo em que os verbos estão aqui conjugados. Eles apontam para uma realidade importante, a saber, Paulo não está dizendo que quem um dia praticou tais coisas não herdará o Reino de Deus, mas sim, quem pratica ainda, pois, são obras da carne e não frutos da Justiça que procede de Deus.

O v.6 nos diz: Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência”. Se quando ouvimos descrentes falando que tais práticas não são pecado, mas, sim, opção e escolha de cada um, isso nos causa espanto, pior ainda é quando ouvimos pessoas que se dizem crentes pregando que é possível vivermos nessas práticas e ainda não ofendermos a Deus. “palavras vãs” são palavras vazias de verdade, isto é, mentiras.

Elas aparentam ser boas e agradáveis, contudo, conduzem ao pecado e consequentemente, à ira de Deus. Temos aqui o que na gramática grega é chamado de “tempo presente profético” o qual indica que algo, no caso aqui, a ira de Deus é tão certa que irá acontecer que é descrito como acontecendo já no presente momento: “…a ira de Deus vem…”.

Não importa em que forma apareçam as obras das trevas, quer seja em palavras, pensamentos ou ações que, elas precisam ser reprovadas. O legalismo é a atitude que temos em nos posicionarmos contra algumas formas de pecado, mas, no que diz respeito a outras formas sermos mais brandos. A lista de pecados que Paulo apresenta neste parágrafo abrange todas as esferas da nossa vida em que o pecado possa aparecer: palavras, pensamentos, atitudes e omissão.

O legalismo caminha de mãos dadas com a hipocrisia. Ele condena um pecado, mas, faz vistas grossas a outro. Devemos tomar muito cuidado com o legalismo religioso, pois, ele afasta as pessoas da Graça de Deus.

Outro extremo com o qual devemos tomar cuidado é:

2) O relaxamento com o Evangelho, v.7-14

Os v.7,8 vem nos lembrar da nossa posição em Cristo, da nossa nova natureza a ser cultivada para a glória de Deus:        Portanto, não sejais participantes com eles.  Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”. Com palavras firmes, porém, encorajadoras, Paulo continua a sua exortação: Portanto, não sejais participantes com eles, ou seja, eles não deveriam tomar parte nas obras dos ímpios. Antes eles assim faziam porque eram “…trevas, porém, agora, sois luz no Senhor”. Observamos nestas palavras a simplicidade e a firmeza do Evangelho – sim, sim, ou, não, não. Se estamos em Cristo somos luz; se não estamos em Cristo, somos trevas. É impossível estarmos em Cristo e nossas obras serem trevas. Nossas obras devem ser quais holofotes que brilham na escuridão do mundo. As trevas são a falta do verdadeiro conhecimento da pessoa de Deus como podemos constatar em Ef 2.1-3, 11, 12; 4.14, 17.

Os filhos de Deus devem comportar-se “…como filhos da luz”, e isto, conforme o v.9 é: porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade”. Conforme Francis Foulkes, essas obras são obras que aparecem com a luz, mostrando o caráter do crente que foi transformado pelo poder de Cristo. A “bondade, e justiça e verdade” são o resultado da ação poderosa do Espírito de Deus no coração do pecador. A bondade é toda espécie de excelência moral e espiritual; a justiça é o prazer de fazer o que é reto aos olhos de Deus, o que acaba resultando em confiabilidade, integridade, que recebe o nome aqui de verdade.

A bondade contrasta-se com a malícia em 4.31. A justiça, por sua vez é justamente o contrário dos pecados alistados anteriormente, generalizados na imoralidade e impureza. Enquanto isso, a verdade contrasta-se com mentira, falsidade e obras enganosas (vazias).

O fruto da luz também leva o crente a uma realidade de vida muito mais excelente: provando sempre o que é agradável ao Senhor” (v.10). A bondade, a justiça e a verdade presentes no coração dos crentes são “ferramentas” importantes para levá-los a descobrirem o que agrada a Deus. É importante ressaltar que é pela experiência “provando”, ou seja, o conhecimento das coisas de Deus nos é dado mediante um viver diário que luta por descobrir por meio da vivência.

Desta forma também estaremos fazendo o mesmo que o nosso Mestre e Salvador, Jesus Cristo fez. Ele o tempo todo fez a vontade do Pai (Jo 4.34; 5.30; 6.38), e a resposta do Pai à obediência de Cristo foi sentir prazer em Seu Filho (Mt 3.17; 17.5).

Muitas vezes ficamos atormentados por não sabermos qual a vontade de Deus para nós. A Bíblia nos mostra que andando na bondade, justiça e verdade conforme Deus quer, sempre saberemos qual é a vontade de Deus para nós, pelos simples fato de estarmos fazendo a vontade Dele expressa na bondade, justiça e verdade.

No v.11 Paulo retoma a mesma ordem do v.8. Os crentes não podem em hipótese alguma fazer concessões e transigências com as trevas; eles devem ser taxativos e reprová-las a todo custo. O pecado deve ser desmascarado e nunca devemos “suavizar” as verdades bíblicas sob o pretexto de torná-las mais apetecíveis aos corações dos não crentes. Antes, devemos deixar bem claro aos ímpios que o porque reprovamos as obras deles é Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha” (v.12). Aquilo que o homem faz secretamente, com certeza trata-se de algo que é vergonhoso, pois, do contrário, se fossem coisas honrosas e boas deveriam ser colocadas à mostra, conforme ensina o próximo verso.

Tais coisas são vergonhosas não para quem as denuncia, mas, sim, quando elas são desmascaradas, quem as praticou ficará tomado de vergonha. Como poderiam aqueles que são a luz do mundo tomarem parte em obras tão vergonhosas? Em hipótese alguma justamente porque a luz revela todas as coisas.

O v.13 diz: “Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz”,  ou seja, a luz de Cristo tem o poder de provar o caráter de todos e qual é a vontade de Deus para nós, pelos simples fato de estarmos fazendo a vontade Dele expressa na bondade, justiça e verdade.

No v.11 Paulo retoma a mesma ordem do v.8. Os crentes não podem em hipótese alguma fazer concessões e transigências com as trevas; eles devem ser taxativos e reprová-las a todo custo. O pecado deve ser desmascarado e nunca devemos “suavizar” as verdades bíblicas sob o pretexto de torná-las mais apetecíveis aos corações dos não crentes. Antes, devemos deixar bem claro aos ímpios que o porque reprovamos as obras deles é Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha” (v.12). Aquilo que o homem faz secretamente, com certeza trata-se de algo que é vergonhoso, pois, do contrário, se fossem coisas honrosas e boas deveriam ser colocadas à mostra, conforme ensina o próximo verso.

Tais coisas são vergonhosas não para quem as denuncia, mas, sim, quando elas são desmascaradas, quem as praticou ficará tomado de vergonha. Como poderiam aqueles que são a luz do mundo tomarem parte em obras tão vergonhosas? Em hipótese alguma justamente porque a luz revela todas as coisas.

O v.13 diz: “Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz”,  ou seja, a luz de Cristo tem o poder de provar o caráter de todos e de tudo. As obras das trevas permanecem ocultas até que a luz de Cristo as revele e mostre o que elas realmente são e assim:tudo que se manifesta é luz”. Isso não quer dizer que as obras das trevas quando reveladas pela luz de Cristo se transformam em obras de luz, mas, sim, que passa a ser vistas como realmente são.

Citando Is 9.2; 26.19; 52.1 e 60.1 Paulo indica que foi o próprio Senhor Deus quem disse isso: “Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará”. Nestas palavras Paulo tem em vista não só os não convertidos como também os convertidos. Quanto a estes últimos, Paulo está exortando-os como vem fazendo desde o início deste parágrafo: não compartilhem das obras infrutíferas das trevas! Daí a ordem: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará”.

Quanto aos incrédulos, Paulo não está exigindo deles que saiam do seu estado de morte espiritual por conta própria, mesmo porque isto é impossível. O homem em seu estado de morte espiritual nem se dá conta da sua realidade horrível. Se Deus não vier ao seu encontro primeiro, tal homem jamais pode se levantar da sua cova de pecados. As palavras deste verso põem em evidência a responsabilidade humana e não a capacidade humana de se salvar e se converter.

Observe o final da frase: “… e Cristo te iluminará”. Todo o processo da nossa salvação, tanto o começo como o fim dela é obra de Cristo.

 Muitos têm tornado largo o caminho ao qual Jesus chamou “estreito”, ou seja, no afã de trazerem as pessoas para dentro das igrejas (não necessariamente para Cristo), têm medo de reprovar as obras infrutíferas das trevas e de chamar de pecado o que realmente é pecado. Se o legalismo afasta as pessoas, pois, coloca sobre elas um peso insuportável, o relaxamento com o Evangelho o transforma num caminho tão fácil, e caminho fácil é o caminho da mentira que leva somente à danação. Como alguém disse com muita propriedade: “Um evangelho falso, leva a um Cristo falso, e um Cristo falso nos leva a um céu falso, e um céu falso é o próprio inferno”. Precisamos reprovar as obras das trevas porque somos luz, e como tal precisamos arcar com o preço disso. Se o Evangelho for “barateado” perderá o seu valor. Precisamos estar atentos para não cairmos nestes dois extremos.

 

O que Deus quer você faça?

Você tem aqui neste texto:

1)      Uma ordem: Comporte-se como um filho da Luz.

2)      Uma exortação: Desperte! Cuidado para não se envolver com as obras das trevas! Acorde!

Saia desse marasmo, desse sono espiritual!

Conclusão

Reprovar as obras das trevas significa combate-las e evita-las.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 27/01/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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