Cristo é Suficiente – Parte I – Uma Exposição da Carta aos Gálatas

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Ano 49 d.C., Paulo regressando da sua primeira viagem missionária, próximo aos dias em que aconteceu o primeiro concílio em Jerusalém (At 15) para tratar da questão dos crentes gentios que estavam sendo forçados pelos crentes judeus a guardarem o formalismo da Lei Mosaica como se fossem judeus também.

A Galácia, região muito vasta era dividida em duas: a Galácia do Norte e a do Sul. Somos da posição que Paulo escreveu essa sua carta para os gálatas do Sul. E porque Paulo lhes escreveu essa carta? Esse grupo de agitadores conhecidos como os judaizantes trouxeram para os gálatas seus ensinos que diziam que além de crerem em Cristo, era-lhes necessário também que praticassem a circuncisão se quisessem ser justificados e salvos. Isso era uma deturpação do Verdadeiro Evangelho.

Esses agitadores além de pregarem “um outro evangelho” que ia além do que o que Paulo e outros apóstolos ensinavam, também atacaram e tentaram desacreditar a Paulo diante dos gálatas.

Dessa forma, como nos lembra o Dr. William Hendriksen, Gálatas tem sido chamada de o “grito da Reforma”, “a declaração de independência do cristão”. Ela prega a liberdade do crente, a liberdade de “ser escravo de Cristo”.

Nem o legalismo, nem o liberalismo são capazes de vencer qualquer guerra contra a carne (pecado), mas, somente a Graça de Cristo que é apropriada pelo pecador por meio da fé é que pode declará-lo justificado diante de Deus. Por este motivo escolhemos como título para nossa série expositiva da carta de Paulo aos Gálatas o seguinte tema principal: Cristo é suficiente!

O crente deve se recusar a acreditar que além do sacrifício de Cristo sejam necessários mais alguma coisa ou esforço humano. Não caia nesse pecado de pensar ser necessário que você faça mais alguma coisa para completar a obra da sua salvação. Tudo quanto era necessário para a nossa salvação, Cristo conquistou para nós na cruz.

Nessa primeira mensagem vejamos: As convicções de um redimido (1.1-9).

Quem foi redimido por Cristo tem fortes convicções da suficiência de Cristo em sua vida.

1)      Convicção do chamado (v.1-3)

A autoridade apostólica de Paulo estava sendo não somente questionada, mas, duramente atacada por aqueles que estavam agitando os crentes gentios. Em sua defesa Paulo mostra que o seu chamado apostólico não se deu por vontade humana, nem sua, nem de nenhum outro, e nem mesmo de uma instituição, mas sim, “por Jesus Cristo e por Deus Pai…” (v.1).

Por isso mesmo ele tinha consciência de que ele foi chamado:

Para um ministério específico (v.1,2), segundo vemos em At 9.15,16 na resposta que o Senhor Jesus dera a Ananias com relação a Paulo: “Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel;  16 pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome”.

Paulo tinha consciência de que fora chamado para: Para desfrutar da graça e da paz (v.3). O Deus Pai e o Deus Filho que chamaram a Paulo para o apostolado, também o chamaram para desfrutar da Sua graça e paz, bênçãos essas que desfrutam todos quantos são transformados em filhos de Deus.

Outra convicção que um redimido em Cristo tem é

2) Convicção da sua liberdade (v.4)

Este verso encerra uma verdade tão preciosa e profunda que a nós só nos cabe render todo o louvor a Cristo. Temos neste verso um prenúncio do assunto que será tratado nesta carta: a liberdade que o crente desfruta em Cristo.

O homem nasce escravo do pecado. Nascemos na senzala do pecado. Não somos donos de nós mesmos. Porém, Cristo por meio de Sua obra redentora lá na cruz nos torna libertos da escravidão do pecado. Um verbo muito importante aqui é “desarraigar” (exairéô) “tirar, remover, livrar”. Traz consigo a ideia de um salvamento do poder de alguém.

Cristo nos liberta do poder do pecado que nos escraviza. Não somente do pecado herdado de Adão, mas, também aqueles pecados nos quais estávamos (ou estamos) escravizados. A boa notícia para os crentes é: vocês têm outro Senhor, e Ele é Jesus Cristo!

Aqui é importante ressaltarmos que nunca seremos livres e donos de nós mesmos. Sem Cristo, somos escravos do pecado; com Cristo, somos escravos de Deus. Mas, que maravilha é ser escravo de Deus! Ele é o maravilhoso Senhor!

Fomos arrancados com força desse “mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai”. Não fosse a vontade de Deus nos arrancando desse mundo, estaríamos ainda presos na perversidade desse mundo, pois, a nossa vontade era escrava do pecado que infecta esse mundo.

Outra convicção que estava no coração de Paulo e também no coração de todo aquele que salvo por Cristo Jesus é

3) Convicção da glória de Deus (v.5)

Nossa salvação não é para a nossa glória, até mesmo porque somos salvos para a Glória. Quem deve receber todo o louvor pela nossa salvação é o Deus Pai, pois, como vemos no v.4 fomos salvos pela Sua soberana vontade. A iniciativa partiu Dele, por isso, o desfecho de tudo isso é para a glória Dele também e não só por um momento, mas, “pelos séculos dos séculos. Amém!”.

Por fim, outra convicção que deve estar presente em nosso coração é

 

4) Convicção do Verdadeiro Evangelho (v.6-9)

Depois de feita essa belíssima introdução de sua carta, Paulo agora deixa bem claro o objetivo em escrever àqueles irmãos: exortá-los quanto à inconstância deles na fé em Cristo. Aqui ele agiu diferentemente do que agira em outras cartas. Sempre começava com palavras de encorajamento para depois passar às exortações. Mas, aqui não foi assim. Ele começou exortando firmemente porque era a essência do Evangelho que estava em risco. Ele então lhes mostrou que:

Só existe um Evangelho Verdadeiro (v.6,7), e os gálatas estavam “passando tão depressa” para o outro lado. Eles estavam abandonando o Evangelho Daquele que por Sua graça e misericórdia os chamara (Deus), para outra mensagem que petulantemente se intitulava “evangelho”, o qual “não é outro”, porque só existe um Evangelho verdadeiro, e este é o Evangelho do Senhor Jesus Cristo que vem nos dizer que Cristo nos desarraiga desse mundo perverso, não por nossa vontade, mas, pela vontade de Deus; não para a nossa glória, mas, para a glória de Deus.

Esse outro ensinamento que estava furtando o coração dos gálatas estava perturbando e pervertendo o verdadeiro Evangelho de Cristo (v.7).

Aquele que segue a Cristo sabe que ao Verdadeiro Evangelho nada se acrescenta (v.8,9). Paulo chamou-lhes a atenção para que entendessem que se, porventura, ele e os seus companheiros de ministério, que eram homens consagrados e comprometidos com o Verdadeiro Evangelho, ou até mesmo um dos santos anjos de Deus viesse até aos gálatas e lhes acrescentasse alguma coisa ao Evangelho de Cristo que um dia Paulo e seus companheiros anunciaram-lhes, os gálatas deveriam amaldiçoá-los com um “anátema” (entregue à destruição).

No v.9 Paulo repete a ideia para enfatizar a gravidade do assunto. Ele usa praticamente as mesmas palavras do v.8.É lamentável como os nossos dias andam carentes de crentes que sejam mais criteriosos, mais atentos ao que os pastores e pregadores têm ensinado em seus púlpitos. Pastores que antes pregavam a sã doutrina, hoje anunciam ideias que chegam a contradizer o que a Bíblia diz, e tudo isso em nome de seus projetos pessoais.

Qualquer pregação que ensine que além de confiar em Cristo e ser transformado por Ele você precisa fazer algo mais para ser salvo e justificado, fuja, recuse-se a ouvi-la, é ensino de homens, é anátema!

 

Implicações e aplicações

As convicções aqui mencionadas: do seu chamado, da liberdade, da glória de Deus e do Verdadeiro Evangelho estão presentes em sua vida? Se sim, então você

 

Primeira implicação

Não se deixe levar pelas paixões desse mundo, pois, dele você foi desarraigado.

 

Segunda implicação

Não se deixe levar pela astúcia daqueles que deturpam o Evangelho. Esses falsos ensinamentos não são Evangelho.

 

Conclusão

Esteja convicto de que Cristo lhe é suficiente. O mais é tudo ilusão.

 

São José dos Campos, 03/06/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

 




 

 


About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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