Cristo é Suficiente – Parte II – Uma Exposição da Carta aos Gálatas

Ouça esta mensagem através do link:

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Leia Gálatas 1.10-24

Depois de ter começado a carta aos Gálatas falando sobre as convicções de um redimido por Cristo dentre as quais está a convicção do Verdadeiro Evangelho, o apóstolo Paulo continuou mostrando como um redimido se relaciona com o Evangelho de Cristo.

Aquele que abraça o Evangelho de Cristo passa a ser guiado por ele, porque entende e crê na preciosa notícia de que Cristo lhe é suficiente. E isso nos leva a refletir sobre: Uma vida conduzida pelo Evangelho. Mas, como é essa vida guiada pelo Evangelho de Cristo?

No comportamento do apóstolo Paulo temos as respostas para essa pergunta. Quem tem a sua vida guiada e orientada pelo Evangelho de Cristo:

1)      Não busca a aprovação dos homens, mas, a de Deus (v.10)

O v.10 toca numa questão muito delicada: aquele que busca agradar as pessoas nunca agradará a Deus e, por conseguinte, nunca será feliz de verdade.

Paulo estava sendo acusado pelos deturpadores do Evangelho de buscar agradar às pessoas, pois, para os judeus ele pregava a prática da circuncisão (cf. Gl 5.11) e para os gentios ele pregava a não necessidade de tal prática.

Mas, alguém que distribuía anátemas (cf. Gl 1.8,9) estaria à procura de popularidade? Com certeza, não!

Ele não buscava ser querido por todos, pois, é justamente isso que busca alguém que tenta agradar a todos. Pelo contrário, ele só queria anunciar a Cristo e submeter-se somente a Ele.

Não devemos pensar que Paulo era um bronco, ou um insensível que não se importava com o que as pessoas diziam. Isto estaria em conflito com o que ele disse em 1Co 9.22: “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns”. Alguém cujo coração pensa assim está preocupado com os outros e em não ser pedra de torpeço.

No momento em que ele se afirmava e declarava servir a Cristo, ele estava descartando qualquer possibilidade de servir aos homens numa situação em que Cristo fosse contrariado. Ele estava determinado a não fazer a vontade das pessoas quando esta se mostrasse oposta à vontade de Cristo. Isso porque a aprovação dos homens quase sempre custa a aprovação de Deus.

O verdadeiro servo de Cristo tem só uma vontade: a vontade de Cristo.

Uma pessoa que é guiada pelo Verdadeiro Evangelho:

2) O vê como “revelação de Jesus Cristo” (v.11-17)

“Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem” (v.11), isto é, a origem do Verdadeiro Evangelho não está no homem ou na mente e habilidade humanas.

O qual é revelação graciosa de Cristo (v.12). Rebatendo àqueles que punham em descrédito seu chamado apostólico, Paulo mostra que como apóstolo ele fora comissionado por Cristo para pregar o Seu Evangelho, o qual não lhe foi passado hereditariamente, nem mesmo por meio de mestres, mas, tal qual os outros apóstolos, ele recebera o Evangelho por revelação. Aqui somos levados a tocar num assunto muito sério: o apostolado contemporâneo. Há muitos por aí se autodeclarando “apóstolos”. Não se trata de um título, ou mesmo função que deve ser aplicada em nossos dias. Os apóstolos foram homens escolhidos por Deus para receberem a revelação de Deus a qual foi encerrada na Pessoa de Jesus (não existe mais o ministério da revelação em nossos dias!). Os que insistem em se declarar apóstolos estão errando, pois, dizer que ainda existe o ministério apostólico é o mesmo que dizer que a Bíblia ainda não está completa e novas revelações estão sendo acrescentadas a ela, pois, o ministério apostólico tinha como finalidade a revelação das Escrituras.

Aquele que tem sua vida guiada pelo Evangelho de Cristo, além de vê-lo como uma revelação graciosa de Cristo, também entende que diante do qual tudo é fútil e sem sentido (v.13,14). Nestes versos Paulo fez uma retrospectiva de sua vida. Ele apelou para a memória daqueles irmãos para que se lembrassem de como ele era antes e como Cristo havia transformado sua vida. Ele lhes lembrou de quanto zeloso ele era pelo Judaísmo nas seguintes áreas: (1) perseguindo a Igreja, pois, via na mesma não só uma dissidência, mas, sim, uma ameaça às tradições judaicas; (2) pela sua reputação, que para mantê-la fez o que pôde e por isso mesmo despontava-se como o mais dedicado ao Judaísmo entre os da sua idade.

Mas, quando ele teve aquele encontro devastador e transformador com Cristo no caminho de Damasco, Paulo abriu mão de tudo isso, pois, Cristo revelou-Se- suficiente a este orgulhoso fariseu. Declaração ainda mais profunda ele fez em Fp 3.4-11, na qual ele afirma considerar tudo como “refugo” por causa de Cristo!

Mas, o Evangelho de Cristo além de ser revelação graciosa de Cristo e o bem mais precioso, é também a mensagem mais maravilhosa, o qual deve ser anunciado (v.11,15-17). Paulo havia recebido o Evangelho de Cristo do próprio Cristo, com uma finalidade: pregá-lo aos gentios.

O que se vê nos v.16,17 não é um ato de rebeldia de Paulo ou de orgulho e vaidade por não ter procurado os outros apóstolos, mas, sim, devemos entender suas palavras e ação aqui como convicção de que ele fora chamado por Cristo, e por isso, sua autoridade apostólica não repousava no reconhecimento humano, mas, sim, na convocação Divina conforme demonstram as palavras: “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim…”. Alguém que recebe tão forte chamado e revelação pode calar-se? Jamais!

Por isso mesmo, aquele que tem sua vida dirigida pelo Evangelho de Cristo

 

3) É testemunha do poder de Deus em transformar pecadores (v.18-24)

Uns três anos após sua conversão, Paulo decidiu ir à Jerusalém se encontrar com os demais apóstolos. Lá estando, viu apenas dois: Pedro e Tiago, irmão de Jesus. Permaneceu ali com eles por quinze dias. Em seguida ele subiu rumo ao norte da Palestina, às regiões da Síria e Cilícia. Nenhuma dessas igrejas o conhecia pessoalmente, mas, apenas ouviram falar que o terrível perseguidor da Igreja havia tido um encontro tremendo com o Senhor Jesus do qual ele saíra transformado num crente e desde então, um perseguido. E o que Paulo viu foi que ao se encontrarem com ele e constatarem o que Deus havia feito em sua vida, “…glorificam a Deus…”, a seu respeito.

Tanto Paulo dava bom testemunho da obra que Deus realizara em sua vida, quanto aqueles irmãos confirmavam esse testemunho.

Vivemos dias em que os milagres têm sido buscado com tanto empenho que posso até afirmar que há mais busca pelos milagres do Senhor do que pelo Senhor dos milagres. Contudo, o principal milagre, o mais importante e necessário de todos sempre será o milagre da verdadeira conversão. Oh! Que Deus nos dê mais conversões genuínas, conversões que mostram transformação profunda no caráter e nas convicções das pessoas. Que pessoas antes temidas por seu comportamento cheio de ódio sejam conhecidas como pessoas transformadas em verdadeiras revelações do amor de Deus neste mundo!

Todos os dias surgem pessoas contestando a eficácia da Igreja neste mundo. E se a Igreja tem perdido sua eficácia neste mundo, isso tem se dado pelo fato da mesma ter abandonado o Verdadeiro Evangelho para pregar aquilo que as pessoas querem ouvir. Que Deus desperte Sua Igreja mais uma vez para que esta retome o seu posto de atalaia neste mundo e veja muitos outros pecadores serem totalmente transformados pela pregação do Verdadeiro Evangelho.

Implicações e aplicações

Primeira implicação

Cristo nos liberta da tirania da nossa vontade e da vontade dos outros, e o meio que Ele usa é sujeitando-nos à Sua vontade. Tenha Cristo como o Senhor de sua vida, e nenhum outro senhor se apoderará do seu coração.

Segunda implicação

O Evangelho de Cristo é o maior tesouro que temos, pois, é no Evangelho de Cristo que conhecemos a Cristo. Não troque esse tesouro por nada neste mundo.

Terceira implicação

A melhor maneira de pregarmos o Evangelho é mostrando a transformação da nossa vida efetuada por Cristo, é Deus revelando Cristo em nós (v.16).

Conclusão

Uma vida conduzida pelo Evangelho está plenamente satisfeita com Cristo, pois, Ele lhe é suficiente.

São José dos Campos, 10/06/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
This entry was posted in Mensagens Expositivas na Carta aos Gálatas - Cristo é Suficiente, Reflexão Bíblica. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.