Cristo é Suficiente – Parte III – Uma Exposição da Carta aos Gálatas

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Em Jo 14.12 o Senhor Jesus disse: Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”. Mas, o que será que Ele quis dizer com isso? Será que Ele se referia a milagres? Com certeza, não, pois, se nós precisamos Dele para que milagres aconteçam, e em nós mesmos não há poder algum para fazermos as coisas mais simples da nossa existência, pois, “Nele vivemos, e nos movemos, e existimos…” (At 17.28). Estaria o Senhor se referindo a que então? A maioria dos comentaristas bíblicos de renome concordam que o Senhor Jesus estava se referindo à expansão do Evangelho e da Sua Igreja. Ele pregou somente na região da Palestina, mas, coube aos apóstolos e cristãos levarem a mensagem do Evangelho a outras partes do globo terrestre.

Veja por exemplo o texto da nossa meditação Gl 2.1-10 no qual vemos o apóstolo Paulo tratando justamente da sua experiência na pregação do Evangelho.

Ainda hoje existem muitos lugares em que o Evangelho não é conhecido e é nosso dever cumprir essa missão. Por isso mesmo meditemos sobre: A expansão do Evangelho de Cristo.

Levar o Evangelho a todas as partes do planeta é dever do crente, seja indo pessoalmente como um missionário, ou como igreja que apoia o chamado de um missionário.

A missão da pregação só pode ser feita com base numa boa teologia bíblica. Há muitos fazendo a obra missionária, mas, infelizmente, não por motivos cristocêntricos. Em muitos casos, a obra realizada por muitos missionários é antropocêntrica, isto é, o homem está no centro, o homem é o objetivo, o bem do ser humano é o que impulsiona as ações de muitos. Veja bem, não há nada de errado em nos preocuparmos com o bem estar das pessoas, aliás, elas estão num estado deplorável de perdição e só há uma solução para elas: o Evangelho de Cristo. Contudo, quando invertemos a ordem das coisas colocando o homem como o primeiro e mais importante objetivo, toda a nossa ação missionária estará comprometida. Todas as nossas investidas serão moldadas conforme a receptividade das pessoas. E nada pode ser mais danoso para o Evangelho do que isso.

Por isso precisamos entender os seguintes princípios em relação à expansão do Evangelho de Cristo:

1)      É uma obra coordenada por Deus, v.1 e 2

No Cap.1 Paulo mostrou que o Evangelho que ele anunciava era resultado da revelação direta e pessoal do Senhor Jesus a ele, e que, por esse mesmo motivo, o Evangelho por ele proclamado não dependia da avaliação e autenticação humana.

Paulo disse em 1.15-17 o que ele fez logo após sua conversão. Ele foi para as regiões da Arábia e depois voltou para Damasco. Somente três anos depois é que ele foi para Jerusalém para conhecer os apóstolos, e lá se encontrou com Pedro e Tiago (1.18). De Jerusalém ele subiu novamente para Síria e Cilícia.

Passados quatorze anos, ele novamente voltou a Jerusalém em companhia de Barnabé e Tito. E porque ele voltou a Jerusalém? A resposta está no v.2: “Subi em obediência a uma revelação…”.

Todos os trajetos das viagens missionárias de Paulo têm essa marca: a mão de Deus apontando-lhe não somente a direção, mas, também a mensagem que deveria anunciar.

E para quê Paulo foi a Jerusalém? Para expor aos apóstolos Pedro, Tiago e João (Gl 2.9) o Evangelho que ele recebera de Cristo e anunciava. Dessa forma ele calou os questionamentos caluniosos a seu respeito, pois, os judaizantes diziam: “Como pode ele ser apóstolo de Cristo se nem mesmo andou com Jesus como os demais apóstolos?”. E Paulo diante dos outros apóstolos expôs-lhes o que ele recebera de Cristo por meio de revelações e   pregava às pessoas. Deus direcionou Paulo a fazer isso, e o resultado foi que os demais apóstolos nada acrescentaram e nem retiraram da mensagem que Paulo pregava porque reconheceram que ele fora autorizado e comissionado pelo Senhor Jesus como também eles foram.

O segundo aspecto da expansão do Evangelho é que ela

2) É uma obra contra a mentira, v.3-5

Veja o que Paulo está dizendo nestes versos. Ao subirem para Jerusalém dessa vez, Paulo, Barnabé e Tito não tiveram medo de enfrentar os judaizantes que exigiam dos crentes gentios que se circuncidassem. Por isso mesmo, Paulo ressaltou que a presença de Tito ali tinha um propósito: atestar a liberdade dos cristãos gentios em relação às práticas do Judaísmo.

Eles estavam no centro do Judaísmo (Jerusalém), na presença dos principais líderes da Igreja de Cristo, e estes líderes eram judeus. Tito era grego, portanto, gentio, e mesmo estando rodeado de cristãos judeus que eram os líderes da Igreja de Cristo, não foi constrangido, obrigado a se circuncidar para estar no meio deles.

A expansão do Evangelho é a obra de Deus contra a mentira:

Preservando nossa liberdade em Cristo (v.3,4). Aqueles falsos irmãos (os judaizantes) tinham se juntado aos demais crentes e se comportavam como espiões dentro da Igreja para novamente escravizar aqueles irmãos com normas e tradições que os gentios não precisavam mais cumprir. E porque não precisavam mais cumpri-las? Porque a obra de Cristo na cruz é suficiente!

Semelhantemente, nós, temos de lutar o tempo todo contra ideias que querem nos prender em situações que não trazem vida, mas, sim, morte; que reduzem a maravilhosa mensagem do Evangelho de que Cristo é suficiente (e não precisamos de mais nada), a rituais, campanhas, “concentrações de poder” nas quais as pessoas precisam fazer isso ou aquilo para receberem o favor de Deus. Irmãos, a nossa luta pelo Evangelho de Cristo consiste em um constante confronto contra mentiras diabólicas e que escravizam.

E nessa nossa luta pelo Evangelho estamos resistindo para a glória de Deus (v.5). Quando permanecemos firmes na pureza do Evangelho sem deixarmo-nos seduzir pelas falácias e astúcias dos que induzem as pessoas ao erro, Deus é glorificado através do nosso comportamento. E é esse o principal motivo de todo o nosso empenho.

Se evangelizarmos porque estamos pensando no bem dos homens antes de pensarmos na glória de Deus, toda a nossa atividade missionária será mal sucedida. Se o nosso coração não estiver tomado pela glória de Deus corremos o risco de pregar qualquer outra mensagem, menos o Evangelho.

Por fim, a expansão do Evangelho de Cristo

3) É uma obra singular, v.6-10

Uma questão que merece nossa atenção é a forma como vamos pregar o Evangelho. Tenho ouvido muitos dizerem que a forma deve ser o mais atrativa possível. Vejo aqui algo muito perigoso: se atrairmos a atenção das pessoas mais com nossa metodologia do que com a Palavra de Deus fatalmente só atrairemos as pessoas e reuniremos um bando de carnais que não quererão qualquer compromisso com Deus. Em pouco tempo, nossa metodologia cansará as pessoas (porque tudo nesta vida cansa, exceto a Palavra de Deus!) e a monotonia se instalará. E o esvaziamento das Igrejas nos levará ao desespero porque acreditamos que igrejas cheias é sinal de crescimento espiritual (e nem sempre é). E haveremos de inventar coisas ainda mais mirabolantes e estapafúrdias para segurarmos essas pessoas. Amados, se Cristo não for suficiente para que alguém fique na Igreja, nada do que fizermos será!

A obra de expansão do Evangelho é singular e isso porque os alvos são variados – todas as raças (v.6-8,10). Por “alvos” aqui compreendemos as muitas etnias e povos. Aqui Paulo fala do “evangelho da incircuncisão” e o “da circuncisão” (v.7), isto é, o ministério voltado tanto para os judeus (circuncisão) no caso de Pedro, e o ministério voltado para os gentios (incircuncisão) no caso de Paulo.

A pregação do Evangelho deve ser direcionada a todas as pessoas. Nem todos crerão, mas, os eleitos de Deus para a salvação que estão em todos os povos virão somente por meio da pregação da Palavra (cf. Rm 10.10-15).

Fujamos do erro da exclusão preconceituosa. Deus não tem eleitos só de um povo e de uma etnia. Ele tem Seus eleitos que “procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9).

Os alvos são variados, como vimos, mas, a mensagem é a mesma (v.9). Quando Paulo apresentou aos demais apóstolos, aqueles que eram tidos por “colunas”, os de “maior influência”, nada acrescentaram ao Evangelho que Paulo pregava porque entenderam que a sua mensagem era exatamente a mesma que eles também receberam de Cristo e pregavam.

Quando falamos sobre os alvos serem variados, alertamos contra o perigo da exclusão preconceituosa que nos faz escolher para quem vamos pregar, em vez de simplesmente pregarmos o Evangelho a todos para que dentre os “todos” apareçam os escolhidos de Deus. Aqui, porém, alertamos contra um erro oposto a esse, o da inclusão inconsequente em nosso meio de todos quantos se dizem cristãos mesmo professando os maiores absurdos com relação a Cristo e a Fé Cristã. Precisamos da investigação criteriosa dos apóstolos, e não sairmos por aí admitindo na comunhão da Igreja quem realmente não demonstrar a mesma Fé que temos em Cristo.

Só existe um único Evangelho a ser pregado, e existem muitas deturpações do mesmo. Só existe um único Evangelho verdadeiro, e a nossa Igreja não é a única a pregá-lo. Por isso mesmo devemos buscar comunhão com outros irmãos ainda que de denominações diferentes, mas, que tenham o mesmo olhar que temos para com o Evangelho.

Implicações e aplicações

Quando pregar o Evangelho tome os seguintes cuidados:

Dependa de Deus. Lembre-se de que você é só um mensageiro de Deus e o que Ele exige de você é fidelidade tanto em sua vida quanto na mensagem proclamada.

Combata as mentiras. O que não faltará é gente ensinando preceitos de homens que nada podem contra o poder do pecado.

Subordine os métodos ao conteúdo. O método pode variar com o tempo somente quando não comprometer o caráter do conteúdo da mensagem. Se você estiver chamando mais a atenção para o método do que para a mensagem, provavelmente, você já adulterou o conteúdo do Evangelho.

Conclusão

Pregando o Evangelho mostre às pessoas que Cristo é suficiente!

 

Mensagem proclamada na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul em São José dos Campos, 17/06/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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