Cristo é Suficiente – Parte IX

Parte IX

Gálatas 4.21 – 5.1 (Parte I)

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O trecho que vai de Gl 4.21 – 5.12 trata de um mesmo assunto: A nossa liberdade em Cristo. Mas, para podermos extrair o máximo que pudermos deste trecho dividiremos em duas mensagens como propomos em nossos esboços. Por isso hoje veremos Gl 4.21 – 5.1, e na próxima semana o trecho de Gl 5.2-12.

Paulo faz perguntas retóricas o tempo todo nesta carta. Veja por exemplo Gl 1.10; Gl 3.2-5; Gl 3.19,21; Gl 4.9,16, e agora em Gl 4.21 ele faz mais uma pergunta retórica a fim de levar aqueles irmãos a pensarem nos absurdos que lhes estavam sendo ensinados pelos judaizantes, a saber, somente o sacrifício de Cristo não era o bastante, era necessário também que eles praticassem rituais do judaísmo, especialmente a circuncisão. E a pergunta que ele faz aqui é muito pertinente: “Dizei-me vós, os que quereis estar sob a lei: acaso, não ouvis a lei?”. O que diz a Lei? A resposta aparecerá implicitamente em 4.30 e explicitamente em 5.3.

Assim sendo, Gl 5.1 é um verso que une essas duas partes e nos ajuda a compreender o que o Espírito Santo por meio do apóstolo Paulo quer nos ensinar sobre a nossa liberdade em Cristo.

Para instruir Paulo aos gálatas usa

1)      Uma simples alegoria, 4.21-24

É importante atentarmos às palavras de Paulo no v.24: “Estas coisas são alegóricas”, ou seja, ele utiliza um fato histórico para ilustrar um ensinamento mais profundo.

O fato que ele usa diz respeito aos dois filhos do patriarca Abraão: Ismael e Isaque. Ismael era filho da escrava Agar, e, portanto, era o resultado de um ato desobediente de Abraão, e, Isaque era o filho de Sara, e, portanto, o filho que Deus prometera a Abraão. Foi isso que Paulo quis dizer com “Mas o da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa” (v.23).

Quando Paulo diz que isso foi tomado como alegoria, em hipótese alguma ele está afirmando que tal história foi um conto, um mito. Muito pelo contrário, Paulo está tomando um fato histórico de grande importância para ilustrar um ensinamento para os seus dias (e para os nossos também). Como disse Willian Hendriksen: “estas coisas são verdadeiras como fatos históricos e muito valiosos como pedagogia vívida”.

Em Rm 15.4 o mesmo Paulo vai nos dizer que “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”.

A Bíblia não relata somente os acertos dos servos de Deus de forma romântica como se eles nunca tivessem cometido pecados. Também não relata as suas faltas e vergonhas com o propósito de trazer vergonha à memória deles, mas, sim, com o propósito de nos mostrar como Deus é misericordioso e sempre vem em socorro dos Seus.

Mas, essa alegoria nos traz

2) Uma bela verdade, 4.25-31

A alegoria aqui é a seguinte: Agar, a escrava, representa o monte Sinai, local onde Moisés recebeu a Lei, e a cidade terrena de Jerusalém. Sara, por sua vez, simboliza a Jerusalém celestial, ou seja, a verdadeira Igreja de Cristo. Entendamos melhor essa alegoria e a verdade que ela expressa.

Agar, a escrava. O ensinamento aqui é claro: tanto Agar como o monte Sinai só produzem filhos escravos. A menção a Jerusalém terrena também é óbvia. Refere-se aos judeus que se diziam cristãos. Jerusalém terrena foi a “sede” do Cristianismo nos seus primórdios. Mas, porque esses judeus que se diziam cristãos queriam impor a observância da Lei de Moisés (um retorno ao Sinai) a única coisa que eles produziam eram escravos.

Sara, a livre. Sara simbolizava nessa alegoria, a “Jerusalém lá de cima…” (v.26), a qual é livre. 

Paulo ao contrastar a “Jerusalém atual” com a “Jerusalém lá de cima”, não diz “Jerusalém do futuro”, isso porque para ele a Igreja de Cristo tanto é composta por crentes verdadeiros que estão neste mundo como por crentes que já estão na glória com Cristo. A Igreja de Cristo, a que está sendo reunida nos céus, e no dia glorioso de Sua volta está totalmente reunida a Ele, é composta de pessoas livres. Se Agar (o Sinai) só produziu filhos escravos, Sara (a Jerusalém Celestial) só produziu filhos livres, filhos que foram libertos pelo sangue precioso de Cristo. Para estes, Cristo é suficiente.

A verdade aqui se expressa por meio de uma promessa de Deus conforme nos mostra o v.27. O Crescimento do povo de Deus (Sua Igreja) é resultado da promessa e agir de Deus e não do esforço humano como muito se tem dito em nossos dias.

Ao ouvirem essa bela verdade os judaizantes se enfureceram assim como se enfurecem todos aqueles que são escravos de um legalismo vazio e morto ao verem os filhos de Deus desfrutando de sua liberdade em Cristo. Veja o que diz o v.29: “Como, porém, outrora, o que nascera segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora”.

A razão dessa inimizade está no caráter de cada um dos filhos. Os legalistas simbolizados aqui em Ismael, assim como este, eles também profanaram a graça de Deus quando preferiram seu legalismo. Estes tais são zombadores arrogantes, cegos em sua soberba e orgulho, e em hipótese alguma têm parte na herança prometida. Assim como Sara teve o aval de Deus (veja Gn 21.12) para expulsar Agar e Ismael, Paulo aqui sente-se compelido a fazer o mesmo, isto é, confrontar  aqueles que zombam do Seu sacrifício por quererem conquistar a salvação por meio de seus esforços. É por isso que ele lembra aos gálatas: “E, assim, irmãos, somos filhos não da escrava, e sim da livre” (v.30).

Essa simples alegoria e essa bela verdade nos remete para

3) Uma grande responsabilidade, 5.1

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. Que grande responsabilidade recai sobre os nossos ombros! Mas, essa grande responsabilidade é decorrente do ato gracioso de Deus em nos gerar em Cristo. Fomos adotados por Ele através de Jesus, e assim, postos em liberdade. Mas, é importante observarmos alguns pontos neste verso.

A finalidade da nossa libertação. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou”. Em outras palavras, Cristo nos libertou para sermos realmente livres. Mas, não devemos pensar que estamos livres para fazermos o que bem quisermos. Cristo jamais cometeria essa crueldade conosco. Se você pensa que é livre para fazer o que você bem entende e deseja, saiba que Cristo jamais permitiria tal coisa, pois, tão rápido quanto fosse possível você estaria escravizado novamente. Não fomos libertos por Cristo para vivermos sem estar sob o jugo de um senhor, no nosso caso, o próprio Senhor Jesus Cristo.

A responsabilidade da nossa liberdade. “Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. Aqueles crentes haviam sido libertados de dois jugos: o pecado e a lei Mosaica. É claro que Paulo nunca colocou em pé de igualdade essas duas coisas, até mesmo porque seria um pecado! Mas, o que ele está mostrando aqui é que o legalismo dos judaizantes era tão escravizador quanto o pecado. Cristo os libertara de ambos, e constituiu-Se o Senhor em suas vidas. Logo, se eles voltassem para o pecado ou para o legalismo, estariam desprezando o sacrifício de Cristo que é suficiente para salvar e libertar o pecador.          Continuaremos este ponto na próxima mensagem.

A grande responsabilidade anunciada por Paulo aqui é: “Permanecei, pois, firmes”. Ainda que estivessem sendo assediados pelos judaizantes, ainda que seus corações estivessem temerosos com as ameaças destes inimigos, eles deveriam permanecer firmes em Cristo para não serem submetidos novamente a qualquer outro jugo, pois, somente o jugo de Cristo é suave e o Seu fardo é leve (Mt 11.30).

Implicação e Aplicação

A beleza deste texto e sua profundidade nos leva a não buscar em nossas palavras qualquer implicação além da que está clara neste texto:

Para a liberdade, foi que Cristo nos libertou. Então fiquemos firmes em Cristo para não nos escravizarmos aos antigos senhores novamente.

 

Conclusão

Cristo é suficiente para libertar-nos para Ele mesmo!

São José dos Campos, 05/08/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

 

 

 

 

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About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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