Cristo é Suficiente – Parte V – Uma exposição da Carta aos Gálatas

Se você quiser saber o quanto você é orgulhoso comece a reparar na sua reação quando você recebe algo inteiramente de graça pelo qual você não pagou ou mesmo fez qualquer coisa para merecer. Você simplesmente recebe com alegria e demonstra sincera gratidão, ou de imediato começa a pensar numa forma de retribuir o que recebeu?

Um assunto que mexe com as pessoas é a graça de Deus. É tão difícil para as pessoas admitirem que foram salvas não porque escolheram a Cristo, mas, por que foram escolhidas por Ele não porque mereciam ser escolhidas, mas, porque Ele quis escolhê-las mesmo sendo elas pecadoras. Ainda guardam em seu coração alguma ilusão de que têm o poder de decisão. E por quê? Por que são orgulhosas demais para admitirem que não merecem ser salvas, que não podem pagar pela sua própria salvação e muito menos decidirem se salvar. O resultado disso é que o culto delas se torna uma obrigação semanal na qual elas tentam compensar Deus com o “melhor delas”. Elas passam a cumprir de forma legalista a Escritura, entrando assim numa armadilha perigosa que seu próprio coração armou, e em pouco tempo elas passam a se achar merecedoras do favor de Deus. E assim, seus corações se mostram insensatos e levados para uma vida seca e sem sabor.

Este foi o problema dos gálatas ao qual Paulo repreende aqui neste texto. Em algum momento eles foram seduzidos e induzidos pelos legalistas a cumprirem os ditames da Lei para conquistarem o favor de Deus. A isso Paulo rechaçou chamando de insensatez.

Por duas vezes ele os chamou de “insensatos” que significa: “agir sem sabedoria”. Não se trata apenas de uma atividade mental, mas, sim, uma atitude do coração.

Os gálatas estavam mostrando evidências de insensatez. E é sobre isso que quero meditar com você nesta ocasião.

A insensatez pode ser vista numa pessoa quando:

1) Ela troca o sacrifício de Cristo por ideias “fascinantes” (v.1)

“Quem vos fascinou…?” é a pergunta que Paulo faz aqui. O verbo “fascinar” no grego quer dizer “enfeitiçar, lançar um encanto”. É claro que se trata de um ensinamento e não de um feitiço literalmente falando.

Os gálatas estavam encantados com o ensinamento dos legalistas. Deixaram de confiar no sacrifício de Cristo para confiarem neles próprios. Que loucura!

Mas, por que algo que é tão absurdo é tão fascinante assim?

Como disse William Hendriksen: “deixaram de entender que um Cristo suplementado é um Cristo suplantado”, ou seja, quando Cristo não lhe é suficiente você começa a acrescentar “suplementos” que geralmente vêm em forma de legalismo. Crer em Cristo somente para ser salvos não lhe é mais o bastante, e assim você começa a acrescentar uma lista de deveres.

Eis o orgulho nojento mostrando suas garras. Eis o seu coração sutilmente lhe dizendo que o sacrifício de Cristo precisa de algo mais; algo feito pelas suas mãos.

Ah, como nos fascina a ideia de conquistar o céu por obras feitas pelas nossas mãos! Se nos gabamos com feitos tão pequenos nesta vida, que se dirá de conquistarmos o céu?

Uma pessoa mostra evidências de insensatez quando

2) Ela troca a ajuda do Alto pela autoajuda, v.2,3

“Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?”.

Como crente em Cristo Jesus você foi chamado a frutificar e a ter seus frutos permanentes (cf. Jo 15.16). Mas, quais são os frutos que devem estar evidentes em sua vida? No Cap.5 Paulo responde: o fruto do Espírito (Gl 5.22). Mas, como é possível produzir tal fruto se você não permanecer subordinado ao Espírito Santo?

Paulo então pergunta: “Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?” (v.3). Quanta loucura! Que absurdo!

Eles haviam começado no Espírito, ou seja, no início da carreira cristã demonstravam total dependência do Espírito Santo para vencerem o pecado e viverem de forma agradável a Deus, mas, no momento em que se deixaram enfeitiçar pelos ensinos legalistas que enfatizam as obras humanas (carne) em vez de serem aperfeiçoados estavam regredindo vertiginosamente. Trocaram a ajuda do Alto (o Espírito Santo) pela autoajuda (obras da carne).

Se você se deixar fascinar por ideias que colocam você no foco em vez de confiar somente no poder do Espírito Santo, tudo o que você experimentará será o fracasso, o desânimo, a derrota.

Você não precisa de autoajuda, aliás, nada pode ser mais cruel do que dizer para uma pessoa que está precisando de ajuda que ela mesma deve se ajudar. É como se disséssemos para uma pessoa que está soterrada pelos escombros de um terremoto que saia dali debaixo dos escombros com suas próprias forças. A menos que venha ajuda externa e a tire dali jamais sairá sozinha.

Não se iluda. Se você pudesse vencer o pecado por sua própria força, Jesus não teria morrido por você numa cruz.

A insensatez pode ser vista numa pessoa quando

3) Ela se esquece das experiências que teve com Cristo (v.4,5)

“Terá sido em vão que tantas coisas sofrestes?” pergunta Paulo.

Eles que haviam “começado no Espírito” (cf. v.3), tiveram oportunidades de experimentarem várias lutas e até sofrimentos por causa de Cristo, mas, em cada luta e sofrimento puderam ver a mão de Cristo sustentando-lhes.

No v.5 Paulo toca numa questão muito importante: a fé como o elemento principal da vida do crente.

É claro que Paulo não está dizendo que Deus faz milagres somente nos tempos do Novo Testamento com o Evangelho. O Antigo Testamento está repleto de relatos sobre milagres que Deus fez; aliás, o Antigo Testamento começa com o milagre da Criação.

A vida de um crente é regida pela fé em Cristo. É por meio da fé que ele descansa o seu coração no fato de que Deus o salvou; é pela fé que ele descansa em Deus no tocante às inquietações e situações de sua vida.

De todas as conquistas da fé, sem dúvida alguma, o Espírito Santo no coração do crente é a maior. Ele foi outorgado quando os discípulos em obediência à ordem do Senhor Jesus permaneceram ali em Jerusalém para que pudessem ser revestidos com o poder do alto. Eles creram e O receberam.

É prova de insensatez quando você se esquece de como foi que Cristo o salvou, do que Ele fez em sua vida para se apoiar em si mesmo e confiar no que você faz e cumpre para ser salvo.

Implicações e aplicações

Primeira

Obedeça a Deus porque você foi salvo para isso e não para ser salvo por isso.

Segunda

Desconfie das suas boas obras, pois, elas podem guardar intenções cheias de orgulho.

Terceira

Fuja de ensinos que coloquem você como a resposta para você mesmo.

Conclusão

Cristo é suficiente. Esquecer disso é insensatez.

São José dos Campos, 01/07/2012

Rev.Olivar Alves Pereira





About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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