Cristo é Suficiente – Parte VII – Uma Exposição da Carta aos Gálatas

Parte VII

Gl 3.15-29

A Nossa Posição em Cristo

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Temos visto em nossa exposiçãoda carta aos Gálatas que se quisermos ser aceitos por Deus temos de estar em Cristo, e isso implica em confiarmos Nele somente e constantemente, pois, Ele cumpriu a Lei perfeita e completamente em nosso lugar. Neste trecho da carta temos esse assunto de forma muito clara e incisiva. Por isso meditemos sobre: A nossa posição em Cristo.

O v.27 resume muito bem todo esse trecho: “porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes”.

Isto é o que significa “estar em Cristo”. Aquele que pela fé se uniu a Cristo, recebeu entre outras bênçãos, as qualidades de Cristo, Sua santidade, Sua justiça.

A nossa posição em Cristo

1)      Foi anunciada pela Promessa, v.15-18

Nestes versos Paulo mostra a diferença entre a Promessa e a Lei.

“…falo como homem…” (v.15), isto é, ele retira um exemplo da vida humana, do dia a dia para facilitar a compreensão dos gálatas e esse exemplo é o de alianças que são ratificadas as quais não podem ser revogadas ou modificadas. Se tal acontece com alianças humanas, quanto mais não pode acontecer com a aliança que Deus estabeleceu.

Na aliança que Deus fez com Abraão havia uma promessa.

No v.16, a promessa aponta para o Senhor Jesus Cristo. Cristo é a chave hermenêutica para interpretarmos as Escrituras. Paulo está mostrando aqui que a promessa de Deus a Abraão por ocasião da aliança com este estabelecida teve seu cumprimento na pessoa de Jesus Cristo somente.

Quando estudamos sobre a Nova Aliança em Hb 9.15, vimos que a Aliança de Deus com Seu povo não se constitui de muitas alianças, mas, sim de um só que em Cristo foi completada e aperfeiçoada. Aqui em Gl 3.16 temos a confirmação disso, pois, na aliança estabelecida com Abraão, Deus já anunciava o desfecho da Sua Aliança: o Senhor Jesus Cristo.

No v.17, a promessa precede a Lei e por isso é mais importante. Aqueles que estavam vivendo pela Lei e persuadindo os gálatas a viverem também pela Lei, se esqueciam de um fato muito importante: Cristo é suficiente para nos garantir diante de Deus, porque quando Deus fez a promessa, essa promessa era o próprio Senhor Jesus Cristo, e essa promessa veio 430 anos antes da Lei ser promulgada através de Moisés. Portanto, quem quer viver pela Lei deve se lembrar de que Cristo não veio depois da Lei (somente no Novo Testamento), mas, sim, com a promessa por ocasião da Aliança. Seguindo esse argumento, Paulo mostra que aqueles que são os verdadeiros crentes permanecem em Cristo, Aquele que é a Promessa de Deus.

No v.18 vemos que a herança procede da Promessa e não da Lei. O resultado da Aliança (a herança) não decorre da Lei, mas sim, da promessa de Deus. A promessa foi feita a Abraão e ele creu em Deus, e, por isso recebeu o resultado da promessa. E da mesma forma recebemos a herança por causa da promessa de Deus em nos salvar na pessoa de Jesus Cristo.

A nossa posição em Cristo

2) Foi orientada pela Lei, v.19-24

Se a promessa de salvação vem antes da Lei e é mais importante que a Lei, então “Qual a razão de ser da Lei?” (v.19). A Lei tem alguma importância e significado? Estaria Paulo desprezando a Lei agora? Com certeza não.

No v.19 vemos que a Lei existiu até Cristo. Primeiramente, Deus deu a promessa de que o Descendente de Abraão, o Senhor Jesus Cristo viria para nos salvar abençoando assim todos os povos (v.8). Mas, porque pecamos, Deus teve misericórdia de nós e nos deu a Lei para nos guiar (cf. v.24,25). E assim a Lei foi importante porque nos levou até Cristo, para por meio Dele sermos justificados e salvos.

O v.20 mostra que a Lei está sujeita à soberania de Deus. Quando um pacto era estipulado, havia um mediador entre as partes. Quando Deus promulgou a Sua Lei a Israel, Moisés era o mediador entre Deus e o povo. Mas, quando Ele fez a promessa a Abraão, Ele não se valeu de mediador algum. Ele o fez por sua própria conta e soberana vontade. Tanto a promessa quanto a Lei estão sujeitas à soberania de Deus.

Os v.21-24 voltam a tocar num assunto que já foi amplamente apresentado nessa carta: a Lei conduz à vida, mas, é incapaz de nos dar vida. A Lei não é contrária à promessa; ela é sequência dessa promessa. Deus prometeu que o Descendente de Abraão seria a bênção de todos os povos. Deus concedeu uma Lei perfeita para guiar o Seu povo até que a promessa se concretizasse. Quando a promessa se concretizou, a Lei cumpriu o seu papel que era nos conduzir até Cristo para que por meio Dele fôssemos justificados.

Paulo usa uma figura muito expressiva para mostrar o que a Lei fez por nós: “aio” (paidagwgo,j), um guardião, um tutor. Era um escravo empregado por famílias gregas e romanas para cuidar dos meninos de 6 a 16 anos, cuidando do seu comportamento e acompanhando-o sempre que saíssem de casa. A Lei fez o mesmo por nós. “Tomou-nos pelas mãos” e nos conduziu até Cristo para que Ele nos justificasse. Ela mesma não podia fazer isso por nós, mas, nos conduziu Àquele que pode nos dar vida.

E agora estando nós em Cristo, a nossa posição Nele

3) É desfrutada pela Fé, v.25-29

O terceiro elemento importante aqui (os dois primeiros: a Promessa e a Lei) é a Fé. Antes da Lei veio a Promessa de um Salvador; depois da Lei veio a concretização dessa Promessa a qual desfrutamos pela Fé em Cristo. Não se trata de um mero crer na existência de Cristo, mas, sim, crer que Ele é a Promessa de Deus a Abraão que se concretizou no tempo estipulado por Deus, a “plenitude do tempo” (cf. 4.4) e que é suficiente para salvar aqueles que Nele creem.

Aqueles que vivem pela fé em Cristo descobrem que a Fé nos conduz à liberdade em Cristo, v.25. Chegando o tempo de se viver pela Fé em Cristo, não há mais necessidade de vivermos debaixo do julgo da Lei, porque a Lei tinha como finalidade nos fazer desviar do pecado e viver uma vida de santidade. O Senhor Jesus não somente nos faz viver em santidade como nos santifica por Seu sangue.

A Fé nos coloca na posição de filhos de Deus, v.26. Paulo declara que Deus nos faz Seus filhos mediante a Fé. É Deus quem nos escolhe, é Ele quem nos salva, mas, somos nós que cremos Nele – Ele não crê por nós.

A Fé imputa em nós as qualidades de Cristo, v.27. É claro que é Deus quem imputa a Justiça de Cristo em nós, mas, é pela Fé que recebemos esse benefício. O sermos “batizados em Cristo” vai muito além do que a forma que se administra o batismo a uma pessoa. Aqui o significado é união com Cristo. Somente quem está unido a Cristo pela Fé desfruta das virtudes de Cristo em sua vida.

A Fé nos conduz à unidade em Cristo, v.28. “…porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Aqui Paulo nos mostra que Cristo une em Si os diferentes, os extremos. A verdadeira unidade só é possível quando a mesma Fé é compartilhada. Se aos olhos de Deus todos são iguais porque “todos pecaram” (Rm 3.23), em Cristo, todos somos vistos da mesma forma por Deus: somos a Sua família.

Por fim, a Fé nos faz herdar a Promessa, v.29. Cristo é o “Descendente de Abraão” (cf. v.16), e se nós estamos unidos a Cristo, então somos considerados “descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa”. Cristo é a promessa que Deus fez a Abraão, e se nós somos os herdeiros, o que herdamos foi o próprio Senhor Jesus Cristo. Que herança maravilhosa! Que privilégio recebemos de Deus.

Implicação e aplicação

Cristo é a Promessa de Deus, o fim da Lei e a razão da nossa Fé. De todas as promessas de Deus, Cristo é a mais valiosa para nós; Ele é o fim da Lei, ou seja, é Nele que a Lei encontra a sua finalidade de ser, e é Cristo a razão da nossa Fé. Porque confiaríamos em nós mesmos, se Cristo foi perfeito no cumprimento da Lei? Porque vivermos presos na ilusão de que podemos cumprir a Lei para sermos justificados, se a nossa justificação se dá pela Fé Naquele que é a Promessa de Deus, a saber, o Senhor Jesus Cristo?

Conclusão

Cristo é Suficiente, para nos prometer a vida, nos legislar para a vida e concretizar a nossa fé para a vida eterna.

 

Mensagem proclamada na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul em 22 de julho de 2012

Rev.Olivar Alves Pereira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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2 Responses to Cristo é Suficiente – Parte VII – Uma Exposição da Carta aos Gálatas

  1. Julio Teixeira says:

    Maravilhosa exposição da pura e legítima Palavra de Deus! Que nosso Deus continue o capacitando a expor tão graciosamente as verdades implícitas nas Escrituras. Somente assim vamos desmerecer tantas heresias por aí que deturpam a autêntica Palavra do nosso Deus.

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