Cristo é Suficiente – Parte VIII

(Parte VIII – Gl 4.1-20)

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Quando estudamos Gl 3.15-29, vimos a nossa posição em Cristo, isto é, o que significa “estar em Cristo”. Vimos que Deus fez uma promessa a Abraão, e esta Promessa era o Senhor Jesus Cristo. Essa Promessa antecede a Lei e apontava para a Fé em Cristo Jesus. A Lei desempenhou um papel muito importante que era o de nos conduzir a Cristo, para que, “em Cristo” pudéssemos ser livres para Deus.

Aqui em Gl 4.1-20, Paulo continua este assunto e diz: De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus” (v.7). O Senhor Jesus Cristo conquistou para nós toda a herança que Ele tinha em Deus e nos tornou coparticipantes dela s Seus coerdeiros.

Já não somos mais escravos dos rudimentos deste mundo (v.3,9), pelo contrário, Cristo fez de nós filhos de Deus e, por conseguinte, herdeiros Dele.

Aqui em Gl 4.1-20, Paulo, porém, levanta uma questão muito séria: Quando nos esquecemos de quem somos. Sim, há um sério perigo de nos esquecermos de quem somos em Cristo, pois, quando isso acontece cometemos terríveis pecados. Quando nos esquecemos de quem somos em Cristo:

1)      Desprezamos a Obra de Salvação, v.1-7

O movimento que surgiu no início do século XVIII que ficou conhecido como Iluminismo, trouxe consigo a pretensão humana de que então o homem adentrara por uma nova era de conhecimento científico que lhe abriu os olhos, iluminando assim a sua alma que estava em trevas. Por meio dessa “autoiluminação” o homem havia chegado à sua “maioridade”. Agora ele não precisava mais da religião, da fé e da teologia para explicar os dilemas da humanidade. Bastava-lhe o conhecimento científico; bastava-se a si próprio.

Porém, o apóstolo Paulo fala quando é que acontece essa transição para a “maioridade” do homem: “Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo; vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho, nascido de mulher sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (v.3-5).

Antes de Cristo, isto é, no período da Lei, os homens eram escravos. Eram filhos de Deus, mas, eram escravos da Lei. Novamente recorrendo à figura do aio, Paulo nos mostra que mesmo sendo filhos de Deus, a Lei exercia poder e controle sobre nós. Mas, no momento em que Cristo veio ao mundo e nos redimiu, a Lei encerrou seu papel de nos conduzir até Cristo. Portanto, aqueles que novamente se submetem aos ditames da Lei com o intuito de serem justificados e salvos, estão desprezando a obra de salvação:

Que foi realizada por Cristo (v.1-5). Cristo nos libertou. O que Paulo aqui chama de “plenitude do tempo” (plh,rwma tou/ cro,noué o momento da História que Deus determinara para acontecer o advento de Cristo. Foi o momento da História em que todas as coisas e fatos indicavam que o telos de Deus se cumpria, isto é, o segundo momento de maior importância na História (o primeiro foi a Criação, o segundo foi a Encarnação do Verbo e o terceiro será a Consumação dos séculos). A obra de salvação foi efetuada por CristoE confirmada pelo Espírito Santo (v.6,7). O Espírito Santo é o penhor da nossa salvação (Ef 1.14). Ele habitando em nós é a garantia de que fomos salvos por Cristo, e de que no Dia da Sua volta seremos recolhidos à presença de Cristo. É o Espírito Santo quem nos capacita a chamar Deus de “Pai”. Não se trata de conseguirmos pronunciar a palavra “Pai”, nem tão pouco de reconhecê-Lo como Pai, mas, sim de termos plena convicção de que em Cristo fomos adotados por Deus e estamos num profundo relacionamento com Ele. Ao chamá-Lo de “Abba!”, Paulo demonstra sua profunda devoção e amor por Deus.

Quando nos voltamos para a Lei a fim de sermos justificados e salvos por ela desprezamos não somente tão grande obra de salvação, mas,

2) Desprezamos o nosso relacionamento com Deus, v.8-11

Os v.8 e 9 tocam num ponto muito importante da Fé Cristã: só conhecemos a Deus porque Ele nos conheceu. O verbo “conhecer” aqui é ginw,skw e não se trata de um conhecimento superficial, mas, sim, um conhecimento profundo. O mesmo verbo aparece na narrativa do nascimento de Jesus, quando Mateus diz que José “não conheceu” Maria antes do nascimento de Jesus. Ele não teve relações sexuais com Maria, ou seja, não a conheceu intimamente.

Portanto, o nosso relacionamento com Deus se dá por meio da vontade de Deus. Ele é quem deu o primeiro passo para que houvesse um relacionamento nosso com Ele. Paulo aqui nos mostra o que é que Deus fez conosco:

Ele nos libertou da idolatria (v.8). “Outrora (…) servíeis a deuses que, por natureza, não o são”, ou seja, não existem por conta própria; necessitam de que criaturas mortais os criem e os inventem. O que são os ídolos em nossa vida senão substitutos de Deus, enganosos e ilusórios? Prometem-nos satisfação em troca de devoção a eles, mas, não passam de invenção humana.

Deus se relaciona conosco; nós nos relacionamos com Aquele que diz: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3.14), ou seja, Aquele que existe por conta própria, que não tem começo e nem fim.

Que nos libertou dos rudimentos desse mundo (v.9,10). Deus nos libertou em Cristo. Nos v.9-11 Paulo revela sua profunda preocupação em relação aos gálatas. Como eles, depois de terem sido libertos por Cristo de cadeias tão terríveis, estavam agora retornando para a escravidão, porque alguém lhes dissera que somente Cristo não é suficiente? Como eles novamente punham-se sob o julgo de “rudimentos fracos e pobres” guardando “dias, e meses, e tempos, e anos” quando a “plenitude do tempo” já havia chegado? Não foi à toa que Paulo disse: “Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco” (v.11). Paulo não estava preocupado com o tempo que ele havia gasto com os gálatas, mas, sim, que os gálatas estavam desprezando o relacionamento de vida eterna que Deus estabelecera com eles. Paulo não tinha medo de que eles perdessem a salvação (tal heresia não é encontrada em parte alguma da Bíblia), mas, sim, de que eles nunca tivessem sido salvos.

Mas, como um pai amoroso que ao mesmo tempo que corrige seus filhos, ele também demonstra amor e paciência para com eles mostrando-lhes outro perigo que ronda o coração daqueles que se esquecem de sua posição em Cristo.

Quando esquecemos de quem somos em Cristo

3) Desprezamos a comunhão com os irmãos, v.12-20

Este trecho deve ser entendido à luz do v.17 que diz: “Os que vos obsequiam não o fazem sinceramente, mas querem afastar-vos de mim, para que o vosso zelo seja em favor deles”. Em outras palavras O interesse que essa gente mostra a vosso respeito não é bem-intencionado. O que eles querem é separar-vos de mim para depois vos levarem a interessar-se por eles” (SBP).

A presença dos judaizantes perturbava a Igreja. Afastava-os de Cristo como o centro da vida, da História e do plano de Deus, e, também afastava-os de Paulo, o seu “pai na fé”.

Por isso Paulo os exortou, e as exortações de Paulo aos gálatas dizem respeito a nós também, porque quando nos esquecemos de quem somos em Cristo, desprezamos a comunhão com os irmãos:

Que se apresenta por meio do cuidado mútuo (v.12,13). Paulo relembra a ocasião em que ele lhes pregara o Evangelho. Foi por causa de uma enfermidade, ou seja, ele precisou de cuidados, e eles lhe deram esses cuidados.

A comunhão que surgiu desse cuidado é uma comunhão

Que se expressa por meio da tolerância (v.14). Paulo admite que sua enfermidade trouxe muitos transtornos àqueles irmãos, mas, eles em momento algum demonstraram estar aborrecidos ou constrangidos com isso. Pelo contrário, receberam-no “como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus”. Toleraram-no com amor.

Essa comunhão que deveria ser mantida é a que se expressa por meio da misericórdia (v.15). Neste verso Paulo usa de uma linguagem bem forte para mostrar-lhes o quanto eles foram misericordiosos com ele, pois, estavam dispostos a lhes darem seus próprios olhos caso fosse possível. E isso deixava Paulo muito triste porque mesmo em meio às dificuldades causadas por sua enfermidade, eles se mostravam alegres, mas, agora, essa alegria havia sido roubada de seus corações pelos astutos judaizantes.

Mas, a verdadeira comunhão é a que se expressa por meio da sinceridade (v.16-20). Nestes versos Paulo abre o seu coração. Ele sabia que havia sido duro com eles, mas, foi sincero. Bem diferente dos judaizantes que tinham uma conversa mansa, mas, falsa em todos os sentidos. No v.18 Paulo repreende a hipocrisia dos gálatas. Eles foram afetados pelo veneno dos judaizantes e se tornaram tão hipócritas quanto. Na presença de Paulo comportavam-se como crentes em Cristo; longe dele, agiam conforme a heresia judaizante. Paulo sofria com tal hipocrisia como quem sofre as dores do parto (v.19) por que o caráter de Cristo não estava formado nos gálatas. Ele gostaria de poder falar-lhes num outro tom (v.20), mais amigável, mas, entre manter uma amizade ou a honra de Cristo, a honra de Cristo lhe era mais importante.

Implicações e aplicações

A sua posição em Cristo é mantida

Por causa da obra de salvação que ele efetuou. Você não está em Cristo por sua própria conta. Você depende totalmente Dele para estar Nele.

Por meio do relacionamento que Deus quis estabelecer com você. Lembre-se sempre disso e seja agradecido a Deus, pois, se dependesse de você, você estaria longe Dele.

Por meio da comunhão com outros que como você foram salvos por Cristo. Dependemos uns dos outros, e devemos fazer de tudo para impedir que inimigos nos afastem.

Conclusão

A liberdade é realidade somente para aqueles a quem Cristo é Suficiente.

 

São José dos Campos, 29 de julho de 2012.

Rev.Olivar Alves Pereira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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