Cristo é Suficiente – Parte X

Parte X

Gálatas 5.2-12

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A Nossa Liberdade em Cristo

Parte II

 A segunda parte do trecho que vai de Gl 4.21 – 5.12 e que fala sobre A nossa liberdade em Cristo, tem em 5.1 o elo, o ponto central desse trecho: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. No trecho anterior, Paulo usou uma alegoria da vida de Sara e Agar que apresentou uma linda verdade sobre os filhos de Deus, a saber, quem foi liberto por Cristo é livre de verdade, verdade esta que aponta para a responsabilidade que pesa sobre os filhos de Deus, a saber, eles foram libertos por Cristo para permanecerem livres por meio de uma vida submissa a Cristo.

 Mas, não pense você que a vida cristã é uma vida fácil, e as Escrituras nos mostram:

1)      Os perigos para a nossa liberdade, 5.2-4

A liberdade que Cristo conquistou para nós é de valor incalculável. Por isso mesmo, aqueles que cedem ao apelo de seu coração traiçoeiro e depositam sua esperança nas obras que realizam, perdem preciosa liberdade e tornam-se escravos de um legalismo petrificador e fatal. Por quê? Porque uma fé que diz estar “em Cristo”, mas, confia em obras humanas, como um complemento, não está firmada em Cristo. Como disse William Hendriksen: “Um Cristo suplementado é uma Cristo suplantado”. Eis por isso Paulo afirmou: “…se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará”.

Tal sincretismo pode invalidar o sacrifício de Cristo (v.2). Veja bem, não estou dizendo que o homem é capaz de com seu pecado ser mais forte que a graça de Deus. O que este verso nos mostra é que no momento em que alguém decide confiar em si mesmo dá as costas a Cristo. Em contrapartida, aquele que confia em Cristo, dá as costas para si mesmo. A confiança em Cristo é oposta à confiança em nós mesmos.

Outro perigo é escravizar-se no legalismo (v.3). Paulo insiste neste ponto: “De novo testifico a todo homem…”. Há em suas palavras uma ênfase que deve chamar a nossa atenção. Se você decidir cumprir um detalhe da Lei com o intuito de se salvar, então, prepare-se para cumprir todos os detalhes da Lei, porque você estará “obrigado a guardar toda a Lei”.

Outro perigo é afastar-se da graça de Cristo (v.4). Não devemos entender que este verso é contrário à doutrina da perseverança dos santos. A Bíblia nos ensina em muitas passagens que “uma vez salvos, salvos para sempre”. O que este verso está nos ensinando sobre nossa relação com a graça de Deus, parte da responsabilidade humana e não da soberania e imutabilidade do caráter de Deus. Na medida em que um coração confia nas suas próprias obras para ser salvo ele se afasta, se aparta, se desliga da Graça de Cristo. O verbo “desligar” (katarge,w) traz a ideia de uma pétala que se desprende da flor. Um coração que  decide confiar em si mesmo vai na direção oposta da confiança em Cristo – está cada vez mais longe, cada vez mais desligado da Graça.

Mas, para aqueles que se entregaram pela fé exclusiva em Cristo, recebem Dele tudo o que necessitam para continuarem firmes na fé e completamente livres. Por isso as Escrituras nos apresentam também.

2) Os amigos da nossa liberdade, v. 5,6

Nestes versos as Escrituras descrevem três “amigos”, três aliados que temos que Cristo nos dá para permanecermos livres.

O primeiro é o Espírito Santo (v.5), no coração daquele a quem Cristo libertou mantém a pessoa livre. Como Paulo mesmo disse em 2Co 3.17:Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.

O segundo é a esperança da justiça proveniente da fé (v.5). O crente em Cristo espera a justiça que há de ser revelada na volta de Cristo. Não se trata de uma expectativa para o futuro, mas, de uma certeza que ele goza desde já suas promessas, bênçãos e alegria.

Quem tem essa esperança é porque tem em seu coração a fé que atua pelo amor (v.6), este é o terceiro amigo que temos na vida cristã.  Em Cristo Jesus, o que realmente importa não é ser um circunciso ou não, mas sim, ser alguém que crê e age com amor decorrente dessa fé que é resultado da graça de Deus na sua vida. “…em Cristo Jesus” o que realmente importa não é se alguém deixou o seu prepúcio intacto, ou se o cortou fora; o que importa em Cristo é demonstrar a fé que atua por meio do amor. Dizer que tem fé, mas, não demonstrar nenhum amor genuíno é hipocrisia.

Para manter-se livre e na liberdade para a qual você foi chamado em Cristo, confie no Espírito Santo, espere com fé na justiça que haverá de ser revelada, e enquanto você esperar, demonstre sua fé por meio do amor verdadeiro. Mas cuidado com:

3) Os inimigos da nossa liberdade, v.7-12

Os gálatas haviam começado bem, mas, foram interrompidos, ou melhor, permitiram que inimigos interrompessem seu progresso.

Os inimigos da nossa liberdade têm as seguintes características:

Eles impedem a obediência à verdade (v.7) “…quem vos impediu de continuardes a obedecer a verdade?”. Os judaizantes se interpuseram entre os gálatas e Jesus Cristo. Eles vinham correndo bem, até que este obstáculo os atrapalhou.

E assim como os judaizantes, há em nossos dias pessoas que são verdadeiros obreiros do diabo, ora tentando nossos corações com a ilusão do legalismo, ora com a libertinagem (o que veremos no v.13). E porque eles agem assim?

Porque são contrários a Deus (v.8) “Esta persuasão não vem daquele que vos chama”, ou seja, Deus. Essa é uma forma “branda” de dizer que eles estavam dando ouvidos à voz do diabo.

Esses inimigos agem como um fermento em nosso meio (v.9). Aqueles que começaram com “doses homeopáticas”, tal como uma pitada de fermento numa massa, aos poucos foram influenciando os gálatas a se afastarem de Cristo para confiarem em suas obras legalistas. Cuidado com desvios que parecem inofensivos, com a tentação de confiar em si mesmo, pois, isso se revelará pernicioso e destrutivo em sua vida.

E por isso mesmo esses inimigos também causam perturbação entre os crentes (v.10). Os judaizantes confundiram os gálatas e dessa forma, eles conseguiram, em partes, afastar os gálatas de Paulo, que por sua vez alimentava a esperança de que os gálatas recobrassem a sanidade de sua mente espiritual e se voltassem para o que Paulo dizia.

Outra certeza que Paulo tinha era que esses perturbadores haveriam de sofrer pelo mal que fizeram aos gálatas e a todos quantos eles próprios perturbavam com suas ideias legalistas.

O v.11 pode ser entendido à luz de At 16.3, quando ele para evitar confronto desnecessário que pudesse atrapalhar o avanço da obra, fez o jovem Timóteo, que era filho de pai grego e de mãe judia passar pelo rito da circuncisão. Por causa disso, Paulo era acusado de ser um hipócrita que ora pregava a necessidade de circuncidar-se, ora condenava tal prática. Mas, a perseguição dos judaizantes constatava que Paulo ainda pregava o “escândalo da cruz” e não o legalismo. Para o judeu, o Messias crucificado era uma afronta, um escândalo, pois, a cruz era maldição. E essa foi precisamente a mensagem que Paulo pregou.

Quanto ao v.12 Paulo usa de um palavreado pesado para denunciar os judaizantes. Já que estes confiavam que o corte de um pequeno pedaço de pele no órgão genital era importante para a salvação, Paulo diz: “Então façam um corte ainda maior e mais radical. Cortem totalmente o órgão genital, que se emasculem, que se castrem!”. É justamente isso que significa o verbo avpoko,ptw (castrar). Assim ele volta ao sentido do v.10 em que os que trazem o dano sofram esse mesmo dano ou ainda pior por serem pedra de tropeço.

Implicações e Aplicações

Em nossa liberdade em Cristo:

Perigos nos cercam, mas, Cristo é suficiente para manter-nos seguros. A nossa segurança não está em nós mesmos, mas, em Cristo.

Amigos da nossa liberdade não nos desamparam. O Espírito Santo em nosso coração gera a bendita esperança da justiça que nasce da fé e faz com que essa fé frutifique em amor.

Inimigos tentarão nos escravizar novamente, mas, nossa liberdade foi conquistada pelo Todo-Suficiente Senhor Jesus.

 

Conclusão

Dos perigos e inimigos da nossa liberdade, somente o nosso Grande Amigo Cristo é Suficiente para nos livrar.

 

São José dos Campos, 12/08/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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