Cristo, o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna – 10ª Mensagem

Cristo é quem nos livra do engano

1Jo 3.7-10

[audio:]

Vivemos dias em que a confusão está se instalando de forma como nunca vimos até então. E essa confusão se faz ver especialmente no que diz respeito ao que é verdadeiro e ao que é falso. Sob o discurso da tolerância o que se tem visto é uma falta de discernimento tão destruidora que as pessoas já não sabem mais o que é verdadeiro e o que é falso. Por esta razão o que disse o profeta Isaías é sempre atual: Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is 5.20).

Como não cair no erro? Como não ser enganado por aqueles que se passam por pregadores do Evangelho e servos de Deus, mas, na verdade estão somente enganando a si mesmos e a muitos outros com um discurso que em nada reflete o ensino da Palavra de Deus? Duas ações são necessárias: a primeira é conhecer a Cristo através da Sua Palavra, pois, Cristo é quem nos livra do engano. Este é o assunto da nossa meditação nessa ocasião. E segundo lugar é imprescindível que pratiquemos o que a Palavra nos ordena. Agora,observe quantas vezes somente nestes versículos o apóstolo João usa a palavra praticar tanto como verbo quanto como substantivo. Sim, nada menos que quatro vezes, uma em cada versículo.

Para não cairmos no erro ou sermos enganados por aqueles que andam no erro quer seja doutrinário ou moral precisamos conhecer e sobretudo, praticar o que a Palavra de Deus nos ordena. E o principal engano que podemos cair é o de pensarmos que podemos viver na prática do pecado e sendo filhos de Deus, isso por que:

 

1)      Os nascidos de Deus revelam o Seu caráter v.7,8b

Jesus Cristo é o Justo (2.1). É na justiça Dele que nos mantemos confiantes de que Deus nos aceita em Sua santa presença. Além disso, é a justiça de Cristo que nos torna justos. Assim como a lua que não têm luz própria e precisa da luz do sol para refletir luz, da mesma forma, só podemos ser justos porque Cristo nos comunicou Sua justiça. É por isso que as Escrituras dizem: “aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo”.

Falsos mestres que saíram de dentro da Igreja de Cristo estavam chamando para o erro aqueles que ainda estavam dentro da Igreja. João então com seu terno amor lhes diz: “Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém”. Um ponto a ser destacado nestas palavras é que quando alguém cai no erro, a culpa não é só de quem o enganou, afinal, a pessoa que foi enganado se deixou enganar. Foi justamente isso que o apóstolo Paulo ressaltou em suas duas cartas a Timóteo. Em 1Tm 4.1-5 ele aponta que muitos seriam afetados pelo engano “por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (v.1), e em 2Tm 4.1-5 ele afirmou que as pessoas que caem no erro dos falsos mestres o fazem “segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos” (v.3), isto é, porque buscam o tipo de mensagem que querem ouvir e não a que precisam ouvir.

Para não cair na mentira dos falsos mestres lembre-se: “aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele (Jesus) é justo”. Só ele pôde “destruir as obras do diabo” (v.8b), ou seja, só Ele pode transformar em filho de Deus aquele que um dia foi filho do diabo. Só Jesus pode tornar justo alguém que esteve agrilhoado por Satanás e escravizado por ele.

O que João está dizendo aqui é que os que nasceram de novo, isto é, nasceram de Deus trazem em suas obras (entenda-se aqui todas as manifestações externas, isto é, as palavras e ações) a linhagem de Deus, sua identidade com o Pai celeste, por isso mesmo:

2) Os nascidos de Deus revelam a divina semente, v.8a,9

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado”. Viver na prática do pecado é bem diferente do que pecar em uma ou outra situação justamente por estar lutando contra o pecado. Vivermos na prática do pecado é o que o autor da carta aos Hebreus chama de “vivermos deliberadamente em pecado” (Hb 10.26), o que denota pecar intencional e desenfreadamente. Quem é nascido de Deus vive em crise consigo mesmo o tempo todo. É impossível um crente estar em paz consigo mesmo, pois, desde o momento em que ele nasceu de Deus passou a travar uma batalha espiritual constante em seu coração que por ainda estar num mundo corrompido, cercado de situações corrompidas pelo pecado, ainda se sente tentado pelo pecado. Mas, agora que a “divina semente” permanece em seu coração, o nascido de Deus, o verdadeiramente convertido a Deus travará uma luta ininterrupta contra o pecado. Estamos em paz com Deus, mas, conosco mesmos ainda estamos numa terrível guerra espiritual.

Mas, o que é essa “semente divina”? Aqui é uma figura de linguagem que aponta para a “natureza divina” ou “princípio divino da vida” (cf. Kistemaker). Sim, quando Deus vivifica um coração dá-lhe esse princípio de vida pelo qual a pessoa vive para a glória de Deus e não para a sua satisfação pessoal. O novo nascimento promovido por Deus no coração de um pecador é resultado da Sua presença sempre presente em seu coração. Eis por esta razão o que é nascido de Deus “não pode viver pecando”, pois, uma vida em que a pessoa peca deliberadamente demonstra não ter esse princípio divino de vida em seu coração. Antes, o que ela demonstra é a uma natureza procedente do diabo “que vive pecando desde o princípio” (v.8a).

Por fim

3) Os nascidos de Deus amam seus irmãos, v.10

A vida cristã é prática. Não é um amontoado de teorias filosóficas com as quais a pessoa não sabe o que fazer. Antes, as Escrituras são diretivas em seus ensinamentos. Elas nos mandam amar nossos irmãos; isso é praticar a Palavra de Deus.

Os filhos de Deus e os filhos de diabo são manifestos por sua prática ou não do amor. Quem diz que é nascido de Deus, mas, não ama aos seus irmãos em Cristo, está mentido para si mesmo, está se enganando. Não amando a seus irmãos eles são “filhos do diabo”. Mas, aqueles que amam os seus irmãos são “filhos de Deus”.

Em toda a Escritura só existem duas categorias de pessoas: os filhos de Deus e os filhos do diabo. É a Verdade em contraste com a mentira; a Vida em contraste com a morte.

Não dê ouvidos ao relativismo pernicioso e diabólico dos nossos dias em que a verdade e a mentira são misturadas, em que todos têm a verdade, e que a opinião que cada um tem deve ser respeitada, pois, a verdade é uma só, mas, as formas de vê-la são muitas. Isso é mentira. A Verdade é uma só e só pode ser conhecida se houver de fato um novo nascimento espiritual, uma completa conversão a Cristo e total submissão ao Espírito Santo.

O que Deus quer que você faça?

Em meio a uma época de tanta confusão, em que cada um expressa a sua opinião:

1)      Tenha convicção da Verdade: Os servos de Deus não têm opiniões, mas, sim, convicções (Steven Lawson). Agimos por convicção na Palavra de Deus e não pelo que achamos, deduzimos ou intuímos. Nós obedecemos. E por isso mesmo:

2)      Pratique a Verdade: é a prática da Verdade que demonstra que sou filho de Deus; é o amor pelos meus irmãos que mostra que estou e sou da família de Deus, e, portanto, filho Dele. É a pratica da Verdade que me capacita a detectar o erro e desviar-me dele.

Conclusão

Quem é o seu pai? Deus ou o diabo? Sua obediência à Palavra de Deus lhe dá essa resposta. Corra para Cristo, pois, só Ele pode livrá-lo da mentira.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 23/06/2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 



About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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