Cristo, o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna – 19ª Mensagem

Cristo e as Convicções do Crente – Parte I

1Jo 5.13-17

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Steven Lawson em seu livro Fundamentos da Graça, afirma: “Os servos de Deus não têm opiniões; eles têm convicções”.

Na parte final da carta encontramos como assunto principal “Cristo é o alicerce do crente”, ou seja, é em Cristo que o crente deve ter sua vida e fé apoiadas. Como vimos anteriormente, se a nossa fé não estiver apoiada em Cristo, não temos a Fé Salvadora, porque esta fé está exclusivamente relacionada à pessoa de Cristo.

Para extrairmos o máximo deste texto dividiremos essa mensagem em duas partes cujo tema é o mesmo “Cristo e as convicções do crente”. Hoje focaremos nos v.13-17.

O v.13 nos oferece a chave para entendermos este trecho. Ele nos mostra que estas verdades foram escritas para fortalecer nossas convicções. Que convicções são essas?

 

1)       A certeza de que Ele nos dá a Vida Eterna (v.13)

“Estas coisas vos escrevi…”. João, partindo para encerrar sua carta, lembra àqueles irmãos do seu objetivo com mesma: “a fim de saberdes que tendes a vida eterna”. Essa é a mensagem do Evangelho. Mas, não é uma mensagem da qual todos se apoderam, pois, como ele encerra o verso nos mostrando que o dom da Vida Eterna é exclusivo “a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus”, Jesus Cristo, o Justo.

A essa altura é importante contrastarmos o propósito do Evangelho de João com a sua Primeira Carta. Em Jo 20.31 lemos que o propósito de João era levar incrédulos a se tornarem crentes. Falando dos milagres de Jesus dos quais ele registrou alguns ele disse: “Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais vida em seu nome”. Já o seu propósito com essa carta era falar para aqueles que já haviam recebido a Cristo pela fé, que eles poderiam se regozijar no fato de que tinham também a Vida Eterna porque criam em o nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Comentando esse verso, John Stott diz: “Juntando os propósitos do Evangelho e da epístola, o propósito de João é em quatro estágios, que os seus leitores ouçam, ouvindo creiam, crendo vivam, e vivendo saibam”.

A certeza sobre a Vida Eterna sempre foi rechaçada como presunção e arrogância da parte dos crentes. Mas, veja bem este é o propósito de Deus para a sua vida. A certeza baseada em Cristo e a humildade não se excluem; ambas andam juntas.

Volto a fazer-lhe uma pergunta que sempre tenho feito nessa série de mensagens nessa carta: Você tem certeza da Vida Eterna? Se você ainda não tem significa que você ainda confia em você mesmo para ser salvo e está recusando o sacrifício de Cristo por você. Se você de alguma forma está confiando em suas próprias obras para ser salvo, você não tem a Vida Eterna.

De todas as questões dessa vida essa é sem dúvida a mais importante. Não a negligencie, pois, isto será eternamente desastroso.

Outra certeza que têm aqueles que confiam em Cristo é

 

2) A certeza de que Ele atende nossas orações, v.14,15

Agora João passa a nos mostrar outra certeza que como crentes podemos ter, a saber, a certeza de que Deus atende às nossas orações. Diferentemente da primeira certeza, a da Vida Eterna que está baseada no conhecimento, a certeza de que Deus nos ouve está baseada na confiança. Ele diz: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (v.14).

Em 2.28 e 4.17 diz que podemos ter confiança em relação ao Dia do Juízo de que não haveremos de perecer porque estamos guardados pelo amor de Deus. Contudo, essa confiança não se limita apenas ao futuro, mas, está presente nesta vida, pois, podemos ter certeza de que Deus, por amor a Cristo, nos ouve. Em 3.21,22 João já havia nos mostrado essa verdade, e, agora, ele a reforça.

Por meio de Jesus Cristo, o crente pode ter confiança (literalmente ousadia, coragem) de se aproximar de Deus em oração em qualquer tempo e em qualquer lugar e fazer-Lhe suas súplicas e render-Lhe seus louvores.

Com relação à oração há uma cláusula: “se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”. Lembre-se de que não é a sua vontade que importa, mas, sim, a vontade de Deus. A grande questão aqui não é sabermos qual é a vontade de Deus para orarmos, mas, sim, orarmos para saber qual é a vontade de Deus. Devemos orar sempre, e sempre pedirmos a Deus que nos revele a Sua vontade para que possamos então pedir aquilo que irá glorificá-Lo. Lembre-se que a oração é antes de tudo uma forma de honrarmos a Deus e de glorificarmos o Seu Nome.

No v.15 João reforça esse ensinamento e nos mostra que podemos ter certeza da resposta de Deus às nossas orações. Deus sempre responde as nossas orações, é claro que Ele as responde de acordo com a vontade Dele, o que muitas vezes implica numa resposta negativa da parte Dele.

Por fim, a terceira certeza que veremos hoje é a

 

3) Certeza de que Ele nos perdoa, v.16,17

Seguindo no seu argumento sobre a oração, João passa a nos mostrar que o crente não somente ora em favor de si mesmo, mas, também pratica a intercessão em favor dos irmãos.

Ele então diz: “Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para a morte” (v.16a). Que preciosa verdade! Quanta esperança ela nos comunica, afinal sendo que “Toda injustiça é pecado” (v.17a) quem de nós pode se gabar de não ser pecador?

João nos mostra que como Família de Deus, como Comunidade do Amor devemos nos preocupar com os nossos irmãos que estiverem na prática de algum pecado seja qual for. Devemos orar uns pelos outros, e se virmos algum irmão cometendo algum pecado devemos falar dele com Deus (intercessão) e falar de Deus com ele (exortação) a fim de ganharmos esse irmão. Quando intercedemos por ele junto a Deus João diz que “Deus lhe dará vida”. É importante lembrarmos que o termo “vida” na carta de João quer dizer: “comunhão com Deus” (3.14,15). Logo, aqui “vida” não é a biológica, mas, sim, a Vida Eterna, assunto deste parágrafo (v.13).

Isto posto, então vem a pergunta: qual é o “pecado para morte” e o “pecado não para morte”?

Olhando todo o contexto da carta, e o contexto imediato (v.13-17), o “pecado para a morte” é a negação de que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. Lembre-se que nesta carta João está fazendo uma defesa da Fé Cristã que estava sendo atacada por grupos gnósticos que negavam, ora a divindade de Cristo, ora, a Sua natureza humana. Observe quantas vezes na carta João afirma que Jesus é o Cristo, que Ele é o Filho de Deus, e, portanto, Deus (1.1-3; 2.1,22,23; 3.8; 4.9,10,14,15; 5.1,5,6,9-12,13,20)!

Em Mt 12.28 o Senhor Jesus Cristo afirmou que o pecado imperdoável é a blasfêmia contra o Espírito Santo, pois, os fariseus disseram que os milagres que Jesus realizava era pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios, sendo que a Bíblia afirma que Ele realizava tais milagres pelo Espírito Santo. Assim sendo, a blasfêmia contra o Espírito Santo é quando atribuímos a Satanás a obra que o Espírito Santo realiza. Tal pecado torna a pessoa ré do inferno eterno.

Ocorre que crentes verdadeiros jamais cometerão esse pecado. Crentes ainda pecam, mas, seus pecados não constituem a negação deliberada da Obra de Cristo. Seus pecados ainda que sejam injustiça aos olhos de Deus, são perdoados quando confessados (1.9).

Aqueles que cometem o “pecado para a morte”, tais como os falsos mestres aos quais João se opôs ferrenhamente em sua carta, nunca foram crentes de verdade mesmo estando entre os crentes “Eles saíram de nosso meio; entretanto não eram dos nossos, porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco…” (2.19); eles nunca foram crentes, pois, “Eles procedem do mundo…” (4.5).   Ainda é importante notarmos aqui que João em momento algum diz que estes tais são “irmãos”, ou seja, convertidos. Antes, ele diz: “Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue”, ou seja, por esse indivíduo que cometeu tal pecado.          Por isso mesmo, João aqui está dizendo que se algum de nós cometer tal pecado, de se apostatar de vez da Fé, se revelar um impostor, não devemos interceder por este porque de nada adiantará a nossa intercessão, pois, Deus já o reprovou.

Mas, o que João quer deixar bem claro aqui é o perdão de Deus, e por isso mesmo o v.17 repete a afirmação: “e há pecado não para morte”, ou seja, Deus está pronto a perdoar os nossos pecados desde que haja em nós arrependimento por que somos verdadeiros filhos Dele.

Tenha essa certeza em seu coração, pois, Satanás é astuto e quer fazer você pensar que não há solução para você. Creia na Palavra de Deus! Não duvide do Seu Divino amor por você.

 

O que Deus quer de você?

 

1)      Que você tenha a sua fé alicerçada na Palavra Dele. A melhor maneira de você honrar a Deus é demonstrando que você confia plenamente no que Ele diz em Sua Palavra.

2)      Que você tenha uma vida de oração e intercessão. Essa é a principal maneira de demonstrar sua confiança em Deus, pois, através da oração você entrega a Deus aquilo que aflige o seu coração.

 

Conclusão

A Fé Salvadora nos leva a sabermos das verdades preciosas da Graça e a confiarmos no amor de Deus.

Rev.Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 15/09/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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2 Responses to Cristo, o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna – 19ª Mensagem

    • Olivar Alves Pereira says:

      Caro Sr. Carlos.
      Obrigado por sua participação aqui.
      Fique sempre à vontade para participar, ouvir e divulgar. Os áudios estão sendo disponibilizados gratuitamente.
      Deus o abençoe.

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