Cristo, o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna – 1ª Mensagem

Introdução à 1ª João

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Imagine um homem com seus noventa e poucos anos, por quem você tem um profundo respeito, cujos ensinamentos estão carregados de autoridade não por causa da idade dele, mas, porque durante toda a sua vida ele foi conhecido como “o discípulo amado” (Jo 20.2; 21.7,20) que estivera ao lado do Senhor Jesus, que recebera a incumbência do Mestre de cuidar de sua mãe depois que Ele partisse para o Pai (Jo 19.26,27). Este ancião é o último dos apóstolos do Senhor Jesus (Jo 21.22,23), e agora no final de sua vida precisa ser carregado e colocado sobre uma cadeira diante de toda a Igreja para poder ensinar-lhes o que o Senhor Jesus ordenou. Este ancião é o apóstolo João, o filho de Zebedeu.

João foi pastor da Igreja de Éfeso, e dali ele escreveu suas três cartas entre os anos 90 e 95 d.C. Para quem ele escreveu sua primeira carta não sabemos exatamente. Fato é que essa carta se tornou corrente nas várias comunidades cristãs da época, e por isso mesmo veio a ser conhecida como uma das “Epístolas Gerais” vindo a fazer parte do Cânon do Novo Testamento.

Alguns anos antes (entre 80 e 90 d.C.) ele havia escrito o Evangelho, e depois de ter escrito as Cartas ele foi exilado na Ilha de Patmos, a qual servia como prisão para criminosos, e segundo o seu relato em Ap 1.9 o crime que ele cometeu foi pregar a Palavra de Deus. Nessa Ilha ele recebeu a revelação do Senhor Jesus na qual lhe foi dado o conteúdo do último livro da Bíblia e do Cânon Sagrado, a saber, Apocalipse.

Em sua primeira Carta encontramos:

 

1)      Ataque aos inimigos de Cristo

Alguém disse com muita propriedade que as heresias de hoje são as antigas heresias travestidas. Em sua primeira Carta João faz um ataque veemente a algumas heresias que hoje estão bem presentes.

 

O anticristo e os anticristos

João declara em 2.18 que o anticristo e os anticristos “têm surgido”, que eles “saíram do nosso meio”, mas, nunca foram dos nossos, porque se fossem dos nossos, isto é, filhos de Deus, “teriam permanecido conosco”; dessa forma, a desistência deles mostra que eles não são dos nossos. Quando uma pessoa abandona a Igreja e vai para o mundo está dando provas de que é um anticristo!

 

Espíritos enganosos

Ele advertiu aos seus leitores que não dessem “crédito a qualquer espirito” mas, deveriam sim, prova-los para ver se procediam de  Deus (4.1).

 

Outros hereges

Cristo é o Deus-Homem. Ele é totalmente Deus e totalmente homem. Mas, essa verdade foi deturpada por hereges não só nos dias de João, mas, em todos os tempos, inclusive em nossos dias.

Defendendo essa doutrina bíblica João diz que quem se recusa a crer nessa verdade e ensina outra coisa contrária a essa verdade é um falso profeta, procede do diabo (2.21).

Destacaram-se entre esses hereges os gnósticos que tinham como a coisa mais importante o conhecimento, ridicularizavam as Escrituras e diziam que a matéria é má e somente o que é espiritual é bom. Dentre os gnósticos um chamando Cerinto foi o mais destacado. Entre as muitas heresias que ele ensinou está a de que Jesus era filho biológico de José e Maria, e, que, portanto, era apenas um homem comum a quem Deus escolhera para fazer algo extraordinário. Ele passou a ser o Filho de Deus no momento do batismo quando a segunda pessoa da Trindade (o Cristo) desceu sobre Ele.

Com relação e esses hereges João ordena: “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina [a do Evangelho], não o recebais em casa, nem lhes deis as boas-vindas” (2Jo 10).

 

Ensinamentos errados

Doutrina distorcida resulta em comportamento pecaminoso. Quando se tem uma visão distorcida da Lei de Deus fatalmente o entendimento sobre o pecado também será deturpado. Ou cairemos no extremo do legalismo, ou no da libertinagem. Por isso mesmo João enfatiza que “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu” (3.6); “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (4.20).

Contra esses erros João apresenta Jesus como o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna.

 

2) Declarações de fé importantes

Destacamos aqui as principais:

 

Características de Deus

Deus é luz (1.5) para contrastar com os hereges gnósticos que diziam que uma vez que você alcança o conhecimento não precisa se prender a nenhum sistema de leis e nem praticar algo que seja tido como “a verdade”. Mas, quem é de Deus vive na prática da verdade e anda na luz!

 

Filho de Deus

João deixa bem claro que quem não confessa que Jesus é o Cristo (o Ungido de Deus), é o anticristo, e nega tanto o Pai quanto o filho (2.22,23).

 

Amor

“Deus é amor” (4.8), ou seja, se quisermos conhecer o amor de verdade, precisamos conhecer e nos relacionar com Deus. Não há amor de verdade fora de Deus.

 

Fé em Deus

O mandamento de Deus é: “que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou” (3.23). Fé é obediência!

 

Pecado

Este assunto aparece em todos os capítulos da carta. Ao pecado tratamos com confissão, pois, ele é transgressão da Lei de Deus; ele requer purificação; dele devemos nos afastar, pois, quem é de Deus não vive na prática do pecado; ele é a característica principal do anticristo.

 

Vida Eterna

Este assunto é constante e central em todos os escritos de João, e ele sempre enfatiza que a Vida Eterna é o Senhor Jesus.

 

3) Repetitivo, porém, diretivo

Todo idoso torna-se repetitivo em suas histórias e conversas. E essa é uma característica do velho apóstolo. Quando lemos a sua carta, ela não segue a mesma estrutura do Evangelho ou das cartas de Paulo. Antes, o pensamento de João está num constante “vai e vem”, num “fluxo e refluxo”. Enquanto está falando de um assunto ele passa para outro e depois volta ao assunto anterior. Por isso mesmo, ele é repetitivo.

Em dias como os nossos em que a transmissão do ensino tem ojeriza pela repetição (se um professor for repetitivo em suas aulas será tido como alguém que estagnou no conhecimento), falar de repetição como método de ensino é algo complicado. Mas, justamente por termos tantas informações o tempo todo sendo despejadas sobre nós, nos tornamos incapazes de reter alguma coisa. A repetição é um método importante e deve ser considerado sempre, pois, seleciona o que realmente é importante.

Além disso, é importante lembrarmos que aquilo que é importante para nós em nossa vida, em nossa velhice será o assunto mais repetido por nós. Para João, o que foi importante em sua vida tornou-se o assunto de sua velhice: o amor de Deus, as duas naturezas de Jesus e a prática da justiça como nossa identificação com Deus.

Porém, em toda a repetitividade de João, fica evidente também o quanto ele era diretivo em Seus ensinamentos. O uso de pronomes demonstrativos (nisto, isto, este, aquele, etc.), de verbos conjugados no modo imperativo (vede, permanecei, etc.), ou ordens claras (“Não ameis o mundo” 2.15) dão-nos a impressão de João colocando o dedo sobre uma questão e dizendo “Observe! É isto aqui que você tem de fazer”. Em momento algum suas palavras são em forma de conselhos de um bom velhinho, mas, sim, ordens muito bem definidas e claras sobre como devemos viver neste mundo. É Palavra de Deus e nada menos.

 

O que Deus quer que você faça?

 

1) Assim como João, seja um defensor da Fé Cristã.

Nossos dias têm sido de intensos ataques à Fé Cristã. Não falo das proibições de praticarmos nossos cultos, pois, essas são bem poucas. Falo de ataques em que a Bíblia tem sido colocada em dúvida, em que os crentes estão cada vez mais parecidos com os ímpios. O tempo todo a Fé Cristã tem sofrido ataques, e está cada vez menor o número de crentes preparados para defende-la no meio dessa geração corrupta.

 

2) O que você cultivar em sua vida será o assunto principal da sua velhice.

Para João, a Palavra de Deus, a Pessoa bendita de Jesus Cristo o Deus-homem, o amor de Deus revelado em Cristo, e o amor a Deus e ao irmão, a santidade de vida, a maneira correta de lidar com o pecado (confissão, purificação e perseverança), foram os assuntos que ocuparam seu coração por toda a sua vida, e foram esses assuntos que estiveram em sua memória na velhice. Alguém disse que envelhecer com qualidade de vida depende da qualidade de vida que teve. João já não tinha mais saúde física, mas, seu coração pulsava no ritmo do céu, no ritmo das coisas de Deus. De que adianta envelhecer com saúde no corpo, mas, com o coração carregado de pecados, com a consciência acusando o tempo todo por erros do passado que não foram biblicamente tratados? Lembre-se bem disso: aquilo que ocupar o seu coração durante a sua vida será o seu assunto na velhice.

 

Conclusão

Se Cristo não for o tudo de minha vida hoje, minha vida sempre será um nada.

 

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 14/04/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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One Response to Cristo, o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna – 1ª Mensagem

  1. Leandro Silva says:

    Rev. Bom dia gostaria muito de obter o áudio dessa mensagem, que DEUS te ilumine mais e. mais.

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