Cristo, o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna – 3ª Mensagem

Cristo é o caminho que nos leva ao Deus Eterno

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A Fé Cristã também é conhecida como Vida Cristã, isso porque ser crente em Cristo significa também seguir a Cristo. O chamado Dele para Sua Igreja é o de segui-Lo neste mundo. Seguir a Cristo significa trilhar o Caminho. Ele disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

Do Cap. 1.5 ao Cap.2.17, o apóstolo João nos mostra em sua carta que Cristo é a verdadeira maneira de viver, e aqui, em 1.5-10 o assunto principal que servirá de tema para a nossa meditação hoje é: Cristo é o caminho que nos leva ao Deus Eterno.

A ideia central desses versos encontramos em v.7b,9 que nos mostram que a obra de Cristo é o que nos garante diante de Deus.

Duas palavras são fundamentais nestes versos: luz e verdade. Ambas procedem de Deus.

O v.5 nos mostra que a mensagem apostólica é a mensagem de Deus. Toda a revelação da Escritura se deu por meio da vontade de Deus (2Pe 1.21). Mais uma vez vemos a objetividade de João enquanto ensina. Ele diz que a mensagem que ele e os demais apóstolos anunciaram “é esta: que Deus é luz, e não há nele treva alguma”. A simplicidade dessa declaração é tão grande quanto a sua profundidade. Nós não vemos a luz, mas, vemos seus poderosos efeitos em dissipar a escuridão. Não vemos Deus, mas, Sua presença e poder são indeléveis em todo o universo. Tal verdade jamais poderia ser conhecida de todos nós se Deus não nos tivesse anunciado especialmente por meio de Jesus Cristo.

No v.6 João volta à questão da comunhão com Deus e a descreve da seguinte forma: “Se dissermos que mantemos comunhão com ele a andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade”. O que este verso nos mostra é que comunhão com Deus implica em praticar a verdade. A verdade é a Palavra de Deus como afirmou o Senhor Jesus: “Santifica-os na verdade, a Tua Palavra é a verdade” (Jo 17.17). Logo, praticar a verdade significa praticar a Palavra de Deus. Essa é outra verdade que João ressaltará o tempo todo em sua carta.

v.7 nos mostra que a prática da verdade significa também “andarmos na luz, como ele está na luz” e o resultado disso é que “mantemos comunhão uns com os outros”. O verbo “andar” aqui aponta para um comportamento prático e ético. É impossível alguém que esteja seguindo a Cristo não estar envolto por Sua luz. Não é como quando estamos dirigindo o nosso carro à noite. A luz dos faróis está à nossa frente, mas, nós, dentro do carro estamos no escuro. Seguir a Cristo é estar em Cristo, tal como quando estamos dentro da nossa casa à noite, e as luzes no recinto nos envolvem. Não seguimos a luz, mas, estamos envolvidos pela luz. É a mesma ideia expressa no final desse verso: “e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. Estamos constantemente diante de Deus por causa do sangue de Cristo com o qual estamos envolvidos. É por Cristo, e em Cristo que estamos garantidos diante de Deus. “Estamos diante de Deus como se jamais tivéssemos pecado” (Simon Kistemaker).

Mas, tal afirmação não parece contradizer o que dizem os v.8-10? Com certeza, não! João afirma que é Cristo quem nos purifica de todo o pecado, e isso quer dizer que Ele cancelou a condenação que pesava sobre nós. Nesse sentido não temos mais pecados que possam nos condenar. Mas, aqui no v.8 ele está combatendo os hereges (talvez os gnósticos) que diziam que por terem alcançado um nível tão elevado do conhecimento, não eram mais pecadores, e até mesmo quando praticavam algo que é contrário às Escrituras, tal não era considerado pecado, pois, eles não eram mais pecadores. A isso João diz: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós”. E além disso: “fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (v.10). Autoengano, hipocrisia e blasfêmia são os pecados cometidos por aqueles que dizem não serem mais pecadores porque com suas obras conseguiram tal perfeição. A única obra que nos aperfeiçoa, nos purifica, nos justifica de todos os pecados e nos torna aceitáveis diante de Deus é a obra de Cristo. Não há como nós nos tornarmos aceitáveis a Deus com obras realizadas por nossas mãos. Temos de depender somente Dele; é Ele quem determina o modo dessa purificação. Em Lv 1.3,4 vemos que se o homem não fizesse os sacrifícios tal qual Deus ordenara, este jamais seria aceito por Deus. Agora, em Cristo, Deus determina que os homens se aproximem Dele por meio (unicamente) de Cristo.

O v.9 tão conhecido dos nossos momentos de confissão em nossos cultos, nos mostra que se admitirmos que somos pecadores e “confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Observe o duplo resultado da confissão sincera: perdão e purificação. O pecado só pode ser tratado e resolvido mediante o perdão de Deus. Ele nos perdoa a “dívida” que os nossos pecados produziram; mas, não só isso, Ele também nos purifica das impurezas que o pecado nos causa, isto é, Ele nos torna aceitáveis diante Dele. Para ilustrar isso, imagine a seguinte situação: um leproso empresta uma grande soma de dinheiro de um médico. Mas, quando chega o dia do acerto de contas, ele não tem com o que pagar, pois, o tratamento da sua doença consumiu todo o dinheiro dele. Ao se apresentar diante do médico e expor sua condição deplorável, o leproso ouve: “Sua dívida está perdoada, não há mais saldo devedor”. Enquanto esse leproso exulta de alegria, ouve algo mais do médico: “Eu tenho aqui o remédio que curará a sua lepra e você nunca mais será um leproso”. É justamente isso que Deus faz com todos aqueles que se aproximam Dele e com humildade Lhe imploram o Seu perdão: Ele perdoa e purifica. Diante dessas verdades aqui expostas ressaltamos dois fatos sobre a vontade de Deus para nossa vida em relação à obra de Cristo que nos garante diante de Deus:

 

1)      Para sermos luz como Ele é a luz (v.5, 7a)

Somos refletores da luz de Cristo neste mundo. Ele disse: Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16).

Isso quer dizer que o caráter santo de Deus deve ser visto em nós. Simon Kistemaker observa que é muito comum vermos placas e quadros dizendo que “Deus é amor”, e de fato João vai nos mostrar isso mais para o fim da carta. Mas, antes de mostrar que Deus é amor, João nos mostra que Deus é luz. A luz traz á claras tudo o que está oculto. A luz expulsa a escuridão do pecado. Eis porque soa incoerente alguém dizer que está em Cristo, mas, vive na prática do pecado. É impossível alguém que está envolto pela luz estar na escuridão ao mesmo tempo.

A obra de Cristo nos garante diante de Deus

 

2) Para sermos verdadeiros como Ele é a verdade, v.6,8,10

Cristo nos chama para praticarmos a verdade. A Fé Cristã, a Vida com Cristo não é um amontoado de informações e normas subjetivas, intangíveis. Pelo contrário, é algo prático e vivencial. E aqui, João nos mostra como isso é possível: andando na luz (seguindo a Cristo e sendo envolvidos por Sua luz), mantendo a comunhão com os irmãos que é resultado da comunhão de Deus conosco, e confessando a nossa pecaminosidade. Confessar é mais do que contar ou fazer uma lista dos nossos pecados. O verbo “confessar” (o`mologe,wsignifica concordar com o que está sendo dito. É Deus quem diz que somos pecadores. É por isso que quando dizemos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso.

Sermos verdadeiros como Deus é a Verdade implica em dizermos as mesmas coisas que Ele diz.

 

O que Deus quer que você faça?

1)      Viva na luz de Cristo; reflita a luz de Cristo.

2)      Pratique a Palavra de Deus, ela é a verdade.

 

Conclusão

Cristo é o caminho que nos leva ao Deus eterno iluminando a nossa vida e sustentando-nos com a Verdade.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 28/04/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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One Response to Cristo, o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna – 3ª Mensagem

  1. Olivar Alves Pereira says:

    Caro Waldir Madruga. Obrigado por sua participação aqui.
    Por não concordar com alguns pontos do seu texto, não permitirei que o irmão o publique aqui.
    Deus o abençoe.

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