Cristo, o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna – 4ª Mensagem

1Jo 2.1-6

Cristo é Aquele em quem devemos permanecer

Parte I

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Um grave erro no que diz respeito ao evangelismo dos nossos dias é a pouca (ou quase nenhuma) importância que este dá a um aspecto muito importante da Vida Cristã, a saber, o permanecer em Cristo. Nós reformados chamamos isso de Perseverança dos Santos. Permanecer significa estar continuamente nos ensinamentos de Cristo e cumpri-los.

Aqui em 1Jo 2.1-11 o apóstolo João nos mostra que ser um verdadeiro salvo e crente implica em permanecer em Cristo e na Sua Palavra. Dividiremos em duas mensagens, e hoje abordaremos os v.1-6 que nos mostram que Cristo é Aquele em quem devemos permanecer. Na próxima mensagem mostraremos que devemos permanecer na Palavra de Deus com um coração obediente.

O ponto central desses versos é o v.6 que nos mostra que permanecer em Cristo significa obedecê-Lo andando como Ele andou, ou seja, comportando-nos como Ele Se comportou neste mundo.

Vejamos três razões pelas quais devemos permanecer em Cristo.

1)      Porque Ele é o nosso Advogado diante de Deus, v.1,2

No Cap.1.10 João declarou que quem diz que não é pecador, além de enganar-se a si mesmo chama Deus de mentiroso, porque é Deus quem diz que somos pecadores. João, porém, tem um jeito misericordioso e amoroso de mostrar-lhes essa dura realidade. Dirigindo-se a eles, chama-os de “Filhinhos meus” (Tekni,amou). Como um pai que se preocupa com seus filhos ele então diz que tudo o que ele tem dito (e tudo o mais que ainda dirá e já estava nas mãos deles, pois, já estava escrito) tinha um propósito bem definido: “para que não pequeis” (v.1). Como um pai que não quer que seus filhos sofram, como um pastor que quer ver suas ovelhas livres de dores, João então lhes mostra que toda a instrução bíblica visa a uma vida de santidade. E qual é a principal razão do sofrimento humano? O pecado. Ao dizer “para que não pequeis”, João estava se referindo a casos pontuais de pecado. Porém, “Se, todavia alguém pecar” qual seria a solução? Recorrer ao Supremo Advogado de nossas almas, o Senhor Jesus. A palavra “advogado” aqui é a mesma usada para referir-se ao Espírito Santo como o outro “Consolador”, isto é, para,klhtoj e significa, ajudador, intercessor. Tanto pode indicar alguém que oferece auxílio jurídico e legal, ou uma pessoa intercedendo a favor de outra pessoa, um advogado de defesa.

Mas, aqui João ainda acrescenta: “Jesus Cristo, o Justo”. Que consolo maravilhoso temos! Que bendita esperança! Temos não somente alguém que advogue a nossa causa diante de Deus, O qual reivindica a Sua Santidade a cada vez que pecamos, mas, esse nosso Advogado é “o Justo”. Qual advogado ao defender um cliente pode dizer ao juiz que o acusado pode ser liberto da condenação porque ele assumiu o lugar do réu tornando-se punido no lugar dele? Somente Jesus pode conferir-nos Sua justiça e assim livrar-nos.

Mas, como Ele transfere para nós a Sua justiça e leva sobre Si o nosso pecado? Através da propiciação (i`lasmo,j), ou seja, expiação. Nos tempos da Lei, o sumo sacerdote tomava o sangue dos animais sacrificados e o derramava sobre o propiciatório (a tampa da Arca da Aliança). Neste momento, a ira de Deus era apaziguada, e o pecador perdoado. Um inocente verteu seu sangue pelo pecador. O mesmo Cristo fez por nós: Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21). É nesse sentido que Rm 5.1 diz: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus”.

Um ponto teológico que merece nossa atenção aqui é quando João diz que Cristo expiou não somente os nossos pecados, “mas, ainda pelos do mundo inteiro”. João não está dizendo que a morte de Cristo é universal, pois, como veremos em 3.1,10 ele faz distinção entre os “filhos de Deus” e os “filhos do diabo” e depois no v.16 afirma que Cristo deu a Sua vida por nós, isto é, os filhos de Deus. Acontece que a palavra “mundo” (ko,smoj) indica toda a criação, universo, anjos, demônios, etc. Por “mundo inteiro” João está se referindo aos todos os filhos de Deus, a todos os eleitos de todas as eras que vivem neste mundo.

Devemos permanecer em Cristo, pois, somente a defesa Dele pode nos livrar da ira santa e justa de Deus.

Devemos permanecer em Cristo

2) Porque Ele aperfeiçoa o amor em nós por meio da Sua Palavra, v.3-5a.

A lógica de João nestes versos é a seguinte:

  • só conhece a Deus quem obedece aos mandamentos de Cristo;
  • quem não obedece aos mandamentos de Cristo, se disser que O conhece estará mentindo;
  • quem obedece a Sua Palavra, o amor de Cristo é verdadeiramente aperfeiçoado nele.

Eis aqui mais uma verdade bíblica preciosa: é a obediência à Palavra de Deus que aperfeiçoa o nosso amor por Ele, e não o nosso amor por Ele que aperfeiçoa a nossa obediência.

O nosso amor é imperfeito, e por isso mesmo precisa ser aperfeiçoado. O verbo “aperfeiçoar” (teleio,w) indica algo que atingirá o seu objetivo, e isso torna-se realidade quando obedecemos a Palavra de Deus. Ao obedecermos a Palavra de Deus, experimentamos o Seu amor de forma tão maravilhosa que o nosso amor por Ele é aperfeiçoado. É nessa direção que João nos aponta quando diz que “Nós nos amamos porque Ele nos amou primeiro” (4.19). Não somos nós que aperfeiçoamos o nosso amor por Deus por meio da nossa obediência à Sua Palavra, mas, sim, é o próprio Deus que derrama abundantemente o Seu amor sobre nós. Tudo é obra da Graça inaudita de Deus!

Portanto, se você diz que conhece a Deus deve comprovar isso por meio da obediência à Sua Palavra, do contrário, você é o mentiroso! Em 1.10 João disse que quando não admitimos o nosso pecado, chamamos Deus de mentiroso; porém, aqui, quem chama o homem de mentiroso é Deus que nos conhece perfeitamente no nosso coração.

Fritz Rienecker e Cleon Rogers afirmam que “O verdadeiro amor a Deus é expresso pela obediência moral e não por linguagem emotiva ou experiências místicas. A prova do amor é a lealdade”.

Por fim, devemos permanecer em Cristo

3) Porque Ele é quem nos capacita a sermos como Ele, v.5b,6

Como podemos saber se a nossa obediência a Cristo é correta? Como sabermos se estamos obedecendo Sua Palavra plenamente? João usa mais uma vez o pronome demonstrativo “Nisto” (VEn tou,tw|), como que colocando o dedo sobre o assunto: “Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar como ele andou”.

Cristo é o nosso modelo, o padrão. Mas, não só isso. Ele é a nossa fonte de poder que nos capacita a seguirmos tão grande e puro ideal, Ele próprio. Em Rm 8.28,29 vemos que todas as coisas cooperam para o bem de quem ama a Deus, pois, estes foram chamados por Ele segundo o Seu santo propósito o qual é o de conformar cada um dos Seus escolhidos à imagem de Jesus Cristo.

Simon Kistemaker observa aqui que a comunhão com Deus e com Cristo não é algo estático ou meramente contemplativo. É algo dinâmico, ativo. Estarmos em Cristo é comprovado quando nos comportamos (andamos) como Ele Se comportou (andou).

Se nos parece impossível sermos como Cristo foi é porque estamos agindo com as nossas próprias forças e não com o poder Dele. Estar em Cristo significa agir na força do Seu poder (cf. Ef 6.10).

O que Deus quer que você faça?

1)      Confie em Jesus Cristo, o Advogado, o Justo, pois, somente a Sua justiça pode nos defender diante de Deus;

2)      Obedecer à Sua Palavra para que o seu amor por Deus seja aperfeiçoado a cada dia.

Conclusão

Permanecer em Cristo é a vontade de Deus para nossa vida, pois, somente em Cristo há salvação.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 05/05/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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