Cristo, o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna – 5ª Mensagem

1Jo 2.7-11

Cristo é Aquele em quem devemos permanecer

Parte II

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Um dos assuntos mais deturpados e incompreendidos até mesmo por muitos crentes é o amor. Amor não é sentimento, mas, sim, atitude. É decisão e não simplesmente uma emoção. É claro que ele nos traz sentimentos e emoções maravilhosas, mas, essas são resultados dele.

No presente texto, continuamos o assunto que começou no v.1, a saber, Cristo é Aquele em quem devemos permanecer. E sabendo que só vive de verdade quem ama de verdade, é crucial que permaneçamos em Cristo a fim de permanecermos em Seu amor e do Seu amor manifestar às pessoas.

Nestes versos o apóstolo João deixa bem claro que permanecer em Cristo significa ter um relacionamento profundo com a Palavra de Deus. Devemos permanecer em Cristo

1) Porque a Sua Palavra é imutável, v.7

O apóstolo João fez um jogo com as palavras “novo” e “antigo” referindo-se ao mandamento de Deus referente ao amor.

O que ele está dizendo neste verso é que o que ele tinha a dizer àqueles irmãos era algo que eles conheciam muito bem “desde o princípio” ou seja, desde quando foram instruídos nas verdades da Palavra de Deus.

O “mandamento antigo” ao qual ele se refere é o mandamento do amor.

Há um terrível engano que paira em muitos corações crentes, a saber, dizer que a Lei do Antigo Testamento era desprovida de amor, que o cumprimento da mesma tinha como base uma obediência temerosa, e que, no Novo Testamento é que essa Lei deu lugar à Graça, e, que, agora, vivendo na era da Graça o que importa é somente o amor.

A Lei além de ser expressão da Graça de Deus (Ele não tinha qualquer obrigação de dar uma Lei para um povo pecador), é também totalmente embasada no amor. Todo judeu sabia o que diz Dt 6.5: “Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força” bem como Lv 19.18: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR”.

Não podemos ver qualquer diferença entre o Antigo e o Novo Testamento no que diz respeito aos mandamentos do Senhor Deus. Não há diferença entre eles pelo fato de que a Palavra de Deus é imutável. O que Ele disse no Antigo Testamento encontra pleno cumprimento e paralelo no Novo Testamento.

Tenho ouvido muito em nossos dias que o Antigo Testamento não tem a mesma importância que o Novo. Mas, observe que o mandamento supremo do amor conforme o Senhor Jesus disse em Mc 12.29-31, onde Ele une o amor a Deus e ao próximo num só mandamento (“Não há outro mandamento maior do que estes”, v.31) tanto é encontrando no Antigo quanto no Novo Testamento. A essência da vida cristã (amar a Deus e ao próximo), tanto é ordenada no Antigo quanto no Novo Testamento. Como então podemos dizer que há diferença de autoridade e importância entre esses dois mandamentos?

A Palavra de Deus é imutável. O que Ele disse no passado, percorre o presente e ecoará no futuro sem qualquer alteração.

Devemos permanecer em Cristo

2) Porque a Sua Palavra é a Verdade, v.8

João ouviu o Senhor Jesus orando: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Também ouviu da boca de Simão Pedro uma das confissões de fé mais lindas da História: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido que tu és o Santo de Deus” (Jo 6.68,69). Ele próprio havia experimentado do poder da Palavra de Deus e da sua veracidade.

Aparentemente, João está se contradizendo aqui, mas, isso não resiste a uma análise mais cuidadosa. O adjetivo “novo” (kaino,j) indica que é o mesmo mandamento que agora, nos tempos do Novo Testamento foi ampliado e concretizado na pessoa de Cristo Jesus.

No Antigo Testamento Deus havia ordenado: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR” (Lv 19.18). Mas, em Lc 10.25-37, quando o Senhor Jesus foi arguido por um fariseu sobre o que ele deveria fazer para herdar a vida eterna, o Senhor Jesus apontou-lhe o “grande Mandamento” (amar a Deus e ao próximo). Tentando armar uma cilada para Jesus ele então pergunta quem seria o seu “próximo”, o Senhor Jesus contou a parábola do samaritano que acudiu um judeu que fora espancado por ladrões e ignorado por um sacerdote e por um levita. Tal parábola foi um golpe no orgulho daquele fariseu, pois, teve de admitir que um inimigo se portou como um próximo.

Com isso o Senhor Jesus está nos mostrando que se no Antigo Testamento era dever amar um irmão, membro do seu povo porque era o “próximo”, agora, no Novo Testamento, o “próximo” é todo aquele que precisa de nós, ainda que nos seja um inimigo. Dessa forma Cristo trouxe um “novo mandamento”.

Mas, observe o que ele disse aqui: “aquilo que é verdadeiro nele e em vós”. O verdadeiro ao qual ele se refere aqui é o mandamento do amor. Cristo é a revelação máxima e plena de Deus (Hb 1.1-4). Em Cristo, o amor foi plenamente revelado; Ele amou os Seus até o fim (Jo 13.1). O amor que fora ordenado no Antigo Testamento era como o alvorecer de um dia que aos poucos vê a luz do sol em sua plenitude. Quando Cristo revelou Seu amor por nós, esse “alvorecer” do Antigo Testamento foi trazido à plena luz por Ele, no Novo Testamento. Sobre esse fato, o profeta Malaquias disse o seguinte: Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria” (Ml 4.2).

A verdade para o crente é uma pessoa, é o Senhor Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida, e ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo14.6).

Em Cristo está a verdade. Mas, Ele por meio do Seu Santo Espírito faz com que a verdade também habite em nós. É por isso que João afirma que o mandamento de Deus, “aquilo que é verdadeiro” está em Cristo e em nós.

Devemos permanecer em Cristo

3) Porque a sua Palavra é coerente, v.9-11

Estes versos surgem como uma conclusão ao ensino que João trouxe nos v.7,8. Sendo o amor a Deus e ao próximo o principal mandamento que percorre todas as páginas das Escrituras Sagradas, João então conclui que elas são coerentes, e apresenta o seguinte raciocínio:

  • Quem diz que está na luz, mas, traz ódio em seu coração em relação ao seu irmão “até agora está nas trevas” (v.9), e vive tateando no escuro sem saber por onde anda porque foi cegado pelas trevas de seu coração cheio de ódio (v.11);
  • Quem ama a seu irmão, permanece na luz e não tropeça na escuridão de seu coração, porque o seu coração está cheio da luz de Cristo.

O verbo odiar (mise,w) refere-se a sentimentos maldosos e injustificáveis para com os outros, quer aos inocentes ou contra aqueles que nos fizerem alguma coisa ruim.

Mais à frente em 3.15, João mostrará que quem odeia ao seu irmão é um assassino. Não pense que abrigar ódio em seu coração é algo trivial, sem importância, um “pecadinho” sem danos muitos sérios e graves para a sua vida. A presença do ódio em seu coração revela que você está na escuridão do pecado, e, portanto, longe da luz de Cristo.

A Palavra de Deus é coerente e exige coerência de nós. Não permita que tais sentimentos se apoderem do seu coração, pois, eles não fazem mais parte da sua nova vida em Cristo, eles fazem parte da velha natureza corrompida pelo pecado.

O que Deus quer que você faça?

Destacamos dois princípios aqui:

1) Quem ama de verdade, anda na Palavra de Deus e nela permanece;

2) Quem ama de verdade não contradiz com suas ações as suas palavras.

 

Conclusão

Cristo é aquele em quem devemos permanecer porque somente Ele tem as palavras da vida eterna.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 19/05/2013.

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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