Deus e as nossas decisões

Não creio em fatalismo. A ideia de que “o que tem de ser será”, que estamos num curso de vida do qual não podemos sair, não é bíblica. Essa ideia é conhecida como fatalismo. Os fatalistas embora pareçam creditar a Deus a honra e o poder de determinar todas as coisas, erram feio quando chegam ao extremo de dizerem que até as escolhas erradas que  fazemos já estavam determinadas por Deus. Longe de exaltarem a soberania de Deus, os fatalistas põem a culpa Nele pelos pecados dos homens.

A Bíblia apresenta Deus como soberano que é. Ele criou todas as coisas e seres, estabeleceu leis para regerem a Sua Criação (At 14.15-17; Sl 19.1-6). No que diz respeito aos caminhos dos homens, a Bíblia diz que é dever de todos os seres humanos temerem a Deus e não só dos crentes como muitos pensam (Ec 12.13). Assim a lei máxima para todos os homens é que eles obedeçam a Deus. Mas, nem todos, ou melhor dizendo, a maioria não O obedece. A Bíblia nos mostra que Deus, em relação aos Seus eleitos, determinou não somente a salvação deles, como também determinou a forma como os eleitos devem viver. Em Ef 1.4 lemos: “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele”, e em Ef 2.10 lemos: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. Em Tt 3.8 Paulo orienta o jovem pastor Tito: “Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens”, colocando assim o dever que aqueles que se dizem crentes em Cristo têm de serem “solícitos na prática de boas obras”.

O que essas passagens (e muitas outras) nos mostram? Elas nos mostram que Deus não somente nos predestinou para a salvação e vida eterna, como também preparou o modo e a forma como devemos viver neste mundo. Todas as vezes que nos afastamos desse “estilo” de vida que Deus preparou para nós, estamos fazendo a nossa vontade, e, assim, pecando contra Deus. Alguém que tem certeza de sua salvação eterna, também saberá sempre a vontade de Deus para a sua vida.

Por esse motivo, tomar decisões sem consultar a Deus na Sua Palavra e em oração é o primeiro passo para nos desviar de Sua vontade. Ainda é importante ressaltarmos que a Palavra de Deus é a regra infalível que devemos seguir. O estudo dedicado das Escrituras e a oração constante trabalham juntos. Enquanto oramos Deus aplica e esclarece ao nosso coração aquilo que vimos em Sua Palavra. É no momento de oração que Deus nos faz entender a Sua vontade revelada nas Escrituras.

Tomando decisões o nosso objetivo deve ser somente a glória de Deus. Todas as vezes que tivermos de decidir sobre algo, devemos antes fazer as seguintes perguntas:

“Deus será glorificado?”

“Em que medida essa decisão glorifica mais a Deus do que outra decisão?”

“Como eu devo fazer tal coisa a fim de que o Nome de Deus seja glorifico?”

Essas três perguntas nos ajudarão sempre a nos manter dentro dos propósitos de Deus para nossa vida, justamente porque põem o foco na glória de Deus e não em nossa vontade.

Ainda falando sobre a vontade de Deus, é muito importante lembrarmos que a vontade Dele é descrita na Bíblia da seguinte forma: “boa, agradável e perfeita”,  a qual só pode ser compreendida e experimentada mediante uma vida consagrada a Deus (Rm 12.1,2).

Não existe nada mais valioso do que a vontade de Deus; coisa alguma neste mundo pode reunir em si essas três qualidades (boa, agradável e perfeita), e pode nos satisfazer plenamente como a vontade de Deus. Não se esqueça que o pecado em sua essência é a nossa vontade disputando com a vontade de Deus. Todas as vezes que pecamos é porque fizemos a nossa vontade; todas as vezes que fazemos a nossa vontade (quando esta não está de acordo com a vontade de Deus) pecamos. Eis a razão da infelicidade humana: o pecado.

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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