Deus quer você crescendo espiritualmente – estudos em 2Pedro – Parte II

Fique do Lado da Verdade

2Pe 2

Continuando nossa série de mensagens na 2ª Carta de Pedro, veremos como deve ser nossa atitude em relação aos falsos mestres.

Na primeira parte dessa série vimos que se quisermos crescer espiritualmente conforme a vontade de Deus devemos apegar à Palavra de Deus porque ela foi inspirada por Ele e é confirmada em nosso coração pelo Espírito Santo. Hoje veremos que é justamente esse apego à Palavra de Deus que nos livrará dos falsos mestres e seus ensinos perniciosos.

Nos tempos do Antigo Testamento, o povo de Deus sofria com a ação dos falsos profetas. Nos dias do Novo Testamento e período apostólico, a influência maligna dos falsos mestres e de outros que se diziam apóstolos do Senhor Jesus não o sendo de verdade, trazia séria consequências e desvios teológicos. De lá para cá a história da Igreja Cristã está repleta de hereges que introduziram mentiras a respeito da Palavra de Deus com prejuízos incalculáveis à Igreja.

O Senhor Jesus nos advertiu de que tais pessoas se infiltrariam na Igreja nos últimos dias, e nós estamos vivendo os últimos dias, os quais abrangem o período que vai da primeira à segunda vinda de Cristo.

Nos dias do apóstolo Pedro, um grupo herético estava causando sérios problemas à Igreja de Cristo: eram os gnósticos. Os comentaristas do Novo Testamento, em sua maioria concordam que era desse grupo que Pedro fala neste texto.

O Gnosticismo foi um movimento religioso com muitas peculiaridades. Ele abrigava muitas ideias sendo que as principais envolviam total desprezo pela matéria e supervalorização do espírito, ou seja, o corpo, por ser matéria era corrompido e por isso deveria ser até mutilado, enquanto que o espírito que era a parte que se comunicava com a divindade era bom e puro. Todo esforço deveria ser empregado para promover a separação dos dois. Mas para acontecer tal separação seria necessária a morte. Sendo a morte algo muito difícil e nada desejado, a pessoa deveria se empenhar para aprofundar no conhecimento da divindade, pois, assim, o espírito estaria sendo alimentado. Enquanto isso, o corpo deveria ser desprezado. Qualquer estilo de vida que exigisse cuidado com o corpo deveria ser descartado, pois, uma vez que o corpo não prestasse para nada, não era necessário um viver puro e cuidadoso com o corpo. O resultado disso era a libertinagem.

Essas heresias gnósticas começaram a se introduzir no meio da Igreja ensinando que os crentes deveriam se esforçar para alcançarem o conhecimento da divindade não se importando com o corpo, antes, podiam até mesmo viverem libertinamente, pois, a santidade de vida que a divindade exigia dizia respeito somente ao espírito e não ao corpo.

Agora podemos compreender porque os apóstolos de Cristo deram tanta ênfase na pureza sexual, no cuidado com o corpo, pois, este é nada menos do que “santuário do Espírito Santo” (1Co 6.19).

Neste capítulo da carta, o apóstolo Pedro apresenta seu argumento e em seguida mostra um exemplo da história bíblica para confirmar o que ele disse.

Nos v.1-3, Pedro descreve a atuação dos falsos mestres dentro da Igreja.

– Eles estão dentro da Igreja: um herege fora da Igreja é fácil de ser detectado, mas, quando este está dentro da Igreja traz mais dificuldade, pois, pensamos tratar-se de um irmão.

Com dissimulação introduzem suas mentiras: fingindo serem nossos irmãos, introduzem suas heresias destruidoras, que chegam ao absurdo de renegarem a Soberania de Jesus Cristo.

Arrastam muitos à uma vida libertina:apelar para a luxúria e carnalidade do homem é o meio

mais rápido para desviá-lo da Verdade. Não podemos dar vazão à nossa carne; ela clama pelo pecado. É dessa forma que trazemos infâmia ao Nome de Cristo.

– Exploram o rebanho de Cristo com segundas intenções: movidos pela avareza, lançando mão de ensinamentos falsos, exploram a Igreja de Cristo vendo-a somente como fonte de lucro. O deus deles é Mamon.

Mas esses tais não devem esquecer que “para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (v.3). E para confirmar o caráter santo e zeloso de Deus pelo Seu Nome e por Sua Igreja, Pedro alista vários exemplos históricos que mostram que Deus não poupou no pasado e nem poupará em tempo algum aqueles que agem assim. Nos v.4-11 encontramos os exemplos:

– anjos rebeldes que foram punidos (v.4)

o mundo nos dias de Noé (v.5)

– Sodoma e Gomorra nos dias de Abraão e Ló (v.6-8)

A verdade que Pedro destaca com esses exemplos é que “porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia do Juízo, especialmente aqueles que seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo” (v.9 e 10).

Do v.10b-20 Pedro mostra o caráter depravado desses falsos mestres.

– Eles são atrevidos e arrogantes: O atrevimento e a arrogância deles se mostram em relação a Deus, pois,

– Não temem difamar a autoridade de Deus: falam de Deus sem qualquer temor e fazem questão de se mostrarem insubordinados a Ele.

– São brutos irracionais: no v.4 ele descreveu anjos que caíram em pecado por serem insubordinados a Deus. Aqui no v.11 Pedro fala de anjos que souberam se comportar diante de Deus. Os falsos mestres se mostram brutos irracionais, pois, se raciocinassem um pouco não seriam tão estúpidos de se operem à autoridade de Deus e nem falariam daquilo que não conhecem.

– Imoralidade escancarada: “Considerando como prazer a sua luxúria carnal em pleno dia…” (v.13). Em Jo 3.20 o Senhor Jesus disse: “Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras”. Esses falsos mestres fazem questão de expor sua imoralidade em pleno o dia.

Se regalam em suas mistificações: os gnósticos davam muita ênfase às experiências místicas (misteriosas). Curiosamente, viviam em busca de mistérios, mas, não se importavam nem um pouco com as verdades reveladas na Palavra de Deus. “…enquanto banqueteiam convosco”, essas

palavras mostram o quanto eles podem estar próximos da Igreja de Cristo. O alvo de Satanás é a comunhão dos santos. Ele fará o que lhe for possível para destruí-la.

– Olhos cheios de adultério: seus olhares são como de predadores em busca da presa;

Insaciáveis no pecado: o pecado é escravizador, é viciante. Seus corações não se saciam jamais, e por isso mesmo são vazios como “fonte sem água, como névoas impelidas por temporal” (v.17).

– Enganam almas inconstantes: percebendo a inconstância de pessoas frágeis, esses falsos mestres as enganam com suas mentiras, “proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais…” (v.18), justamente por que são avarentos e filhos da maldição. Em seus discursos mentirosos e enganadores prometem-lhes “…liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção…” (v.19).

– Abandonam o reto caminho: e assim seguem seus próprios caminhos tortuosos caracterizados “por suas libertinagens” (v.18).

Esses falsos mestres chegaram a ter algum conhecimento a respeito de Cristo, mas, desprezaram-no e o resultado disso é que agora, e que tornou-se o “seu último estado pior que o primeiro” (v.20).

E assim, “melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça…” (v.21).

          Diante de tudo isso podemos tirar as seguintes aplicações práticas.

          Se você quiser crescer espiritualmente como Deus quer que você cresça, você deve ficar do lado da Verdade atentando para o seguinte:

1) O Conhecimento de Deus conduz à santidade de vida

Qualquer ensinamento que disser o contrário é herético, e, portanto, deve ser recusado.

O conhecimento de Deus, isto é, aquilo que Ele nos revela em Sua Palavra tem como objetivo preparar os crentes para as boas obras. Veja o que diz 2Tm 3.16-17: “16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,  17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

Uma vez que você crescer nesse conhecimento seu coração buscará uma vida de santidade.

Tenho ouvido pastores pregando abertamente a favor de relações sexuais antes do casamento com a justificativa que de tais relações devem ser “com responsabilidade”, ou seja, não deixando filhos para os pais criarem. Outros dizem que homossexualismo não deve ser encarado como pecado, mas, sim, como orientação

sexual, e que, por isso, não veem problema algum em recebê-los na comunhão da Igreja.

Não se enganem! Quem conhece o Santo Deus quererá viver em santidade.

 

2) Uma vida libertina será castigada por Deus

A libertinagem pregada pelos falsos mestres e pastores é resultado da insubordinação à autoridade de Deus.

Quando um coração não se submete à autoridade de Deus apregoará mentiras a respeito de Deus e de Sua Palavra, falseará as afirmações bíblicas, ou seja, se a Palavra diz que algo é pecado, esse coração insubordinado dirá: “Isso não é assim. O que os apóstolos disseram aqui deve ser interpretado dentro da cultura e contexto da época em que eles viveram. Hoje as coisas são diferentes”.

Ouvi um pastor dizer que o que o apóstolo Paulo disse em suas cartas sobre a conduta sexual dos crentes não passa da forma como ele interpretou o que Jesus havia dito, ou seja, o que Paulo disse não é Palavra de Deus, mas, sim, interpretação dele. Por isso mesmo devemos ficar somente com o que Jesus falou. Obviamente, esse tal pastor estava buscando endossar sua própria conduta pecaminosa.

Mas o que não podemos esquecer é que uma vida libertina fruto da rebeldia e insubordinação a Deus resultará no castigo certo de Deus. Releia os v.4, 9, 

 10 e17.

Conclusão

Assim como um agricultor cuidadosamente limpa sua lavoura retirando as ervas daninhas e deixando somente a plantação, você deve cuidar do seu coração diante de Deus.

Não permita que ensinamentos perniciosos repletos de falácia, aparentando sabedoria, mas, escondendo no seu bojo mentira maligna entre em seu coração e o desvie da Verdade.

Fique atento, pois, as mentiras mais danosas e destruidoras não virão lá de fora, mas, de dentro da Igreja. Os falsos mestres estão entre nós, estão dentro da Igreja vivendo dissimuladamente.

Não há crescimento espiritual na mentira. O que há é engano, escravidão e destruição.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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