Deus quer você crescendo espiritualmente – estudos em 2Pedro – Parte III

Não tire os olhos do céu

2Pe 3

Chegamos ao final da nossa série de mensagens em 2ª Carta de Pedro nas quais abordamos a questão do crescimento espiritual. Vimos que não há crescimento espiritual sem total apego à Palavra de Deus revelada e confirmada por Ele, e que ela é o único recurso seguro que temos para detectarmos os falsos mestres e deles nos desviarmos. E aqui no cap.3 dessa carta o apóstolo Pedro trata sobre a vinda do Senhor, mostrando que aqueles que se apegam à Palavra e não andam iludidos pelas mentiras dos falsos mestres, devem também manter viva a esperança em seu coração da volta do Senhor Jesus. E numa época em que a incredulidade é a característica principal das pessoas, nós, filhos de Deus somos desafiados a aguardarmos com firmeza e esperança a volta do Senhor Jesus. Não importa o que possa acontecer não tire os olhos do céu.

Do v.1-7, Pedro mostra o seu objetivo em escrever essa carta.

– Recordar aqueles irmãos das benditas promessas de Deus dadas tanto através dos profetas, como através dos apóstolos (v.1,2). Temos aqui uma evidência clara da formação do Cânon das Escrituras; Antigo e Novo Testamentos.

– Repudia o escárnio dos ímpios no tocante à volta do Senhor Jesus. Tais escarnecedores se esquecem de que no passado Deus prometeu o juízo por meio do dilúvio e cumpriu (v.3-6). Por isso todos devem ficar atentos, pois Deus não falha em Suas promessas (v.7).

Do v.8-13 Pedro nos lembra de que:

– O tempo não é problema para Deus, antes, Ele está no controle do tempo (v.8).

– A aparente demora de Deus em cumprir a Sua promessa é demonstração da Sua longanimidade dando oportunidade para arrependimento dos pecadores (v.9).

– A forma repentina da volta de Jesus deve levar-nos à vigilância e a manter cada vez mais intenso o nosso desejo para que esse Dia glorioso chegue logo (v.10 e 12).

– Se para os crentes esse dia deve ser almejado e desejado mais do que tudo, para o ímpio esse dia será terrível (v.10, 11 e 13).

Por fim, do v.14-18 Pedro reforça todo o ensinamento que dera em toda a sua carta, numa espécie de “resumo da carta” no qual ele reafirma as seguintes verdades:

-Os crentes devem viver em santidade de vida, pois, para isso é que foram salvos (v.14).

-O apego à doutrina dos apóstolos considerada de igual autoridade aos demais escritos do Antigo Testamento (v.15,16).

-Devemos evitar qualquer comunhão com os falsos mestres para não sermos arrastados pelas suas heresias (v.17).

-Em vez disso devemos “crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (v.18).

 

Implicações e aplicações

Com relação à volta do Senhor Jesus as seguintes verdades devem ser consideradas:

    1) Não importa o quanto demore, Deus cumprirá a Sua promessa

Deus não anuncia algo que não pretende cumprir. No passado ao anunciar Seu juízo Ele o executou, ainda que parecesse demorado.

Ao cumprir Suas promessas Deus leva em conta tão somente o Seu caráter fiel a Si mesmo. Ele não permitiu e jamais permitirá que Seu nome seja ridicularizado.

O tempo não é problema para Deus. Se para nós parece demorado o cumprimento da promessa, Deus já tem estabelecido o dia da volta de Cristo.

A aparente demora de Deus em cumprir Sua promessa deve ser vista por nós como um ato da Sua misericórdia concedendo aos pecadores oportunidade de se arrependerem e se voltarem para Ele.

Não sabemos exatamente quanto tempo se passou de Adão até a primeira vinda de Cristo. Só sabemos que em Gn 3.15 encontramos a primeira vez em que Deus prometeu que enviaria Seu Filho. Muitos séculos e milênios se passaram até que Jesus viesse a esse mundo. E veio. Por isso cremos que Ele voltará conforme prometeu.

    2) Não importa o que acontecer, devemos estar preparados

“Virá entretanto, como ladrão”, isto é, sem avisar. E a surpresa não será somente em relação à forma repentina como Cristo voltará, mas, também à forma assutadora. A natureza será expurgada e novos céus e nova terra aguardarão os filhos de Deus.

Esperar o cumprimento da promessa é muito mais do que simplesmente ficar aguardando. Precisamos nos empenhar para sermos encontrados por Cristo vivendo em paz e pureza de vida (v.14).

E essa paz e pureza de vida dependem exclusivamente da forma como lidamos e entendemos a Palavra de Deus.

Conclusão

Deus salvou você para que você continuasse a crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Alguém que está crescendo na graça e conhecimento do Senhor Jesus é alguém que não tira os olhos do céu, alguém que almeja a volta do Senhor Jesus mais do que tudo nesta vida.

Não permita que a incredulidade dos ímpios, as mentiras dos falsos mestres, o atrevimento dos escarnecedores tirem do seu coração a esperança da volta do Senhor Jesus ou o levem a se enredar com as coisas dessa vida fazendo você se esquecer do céu de glória.

Crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo implica em querer estar onde Ele está mais do que estar neste mundo. Isso longe de fazer-nos improdutivos neste mundo nos leva a produzirmos ainda mais para a glória de Deus. Os homens que mais tiveram seus corações no céu foram os que mais produziram benefícios para este mundo.

Rev.Olivar Alves Pereira

São José dos Campos 16 de outubro de 2011

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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20 Responses to Deus quer você crescendo espiritualmente – estudos em 2Pedro – Parte III

  1. Elite Menezes de Souza says:

    Pastor Olivar, felicito-o pela esplicasão do capitulo de 2Pe 3:1-18.Vendo que o senhor é um Teólogo ..letrado, gostaria de pedir lhe um favor se for pssivel. Qual a explicacão que o senhor tem para ..1Cor.11. quanto a mulher não cortar o cabelo? isto foi dito para aquela época, ou tambem é para nossos dias? … Tambem das vestimentas das mulheres,em que sentido foi dito porque naquele tempo usava-se tunica e tunica. Desde já meus agradecimentos.. Que Deus atrves do Seu filho Jesus te abencoe. Elite..

    • Olivar Alves Pereira says:

      Primeiramente, que Deus também abençoe muito a sua vida e muito obrigado por sua participação aqui.
      Quanto à sua pergunta ela é bem complexa e eu precisaria escrever bastante sobre o assunto. Tentarei ser sucinto aqui.
      Nos caps 11 a 14 Paulo está instruindo os crentes de Corinto quanto ao Culto. Ele começa o assunto pelos “adoradores”.
      Em 11.2-6 ele fala sobre o homem e a mulher no culto. Os crentes de Corinto eram neófitos (novos na fé) e por isso apresentavam tantas questões ao apóstolo.

      No v.2 Paulo os louvou pelo empenho em guardar a tradições recebidas dele.

      No v.3 ele mostra a “estrutura do povo de Deus” – Cristo é o Cabeça de todo homem; o homem é o cabeça de uma mulher (entenda-se aqui a esposa); e Deus é o Cabeça de Cristo. Dessa forma, assim como Cristo honrou a Deus demonstrando-Lhe submissão mesmo sendo igual ao Pai (veja-se Fp 2.5-11) da mesma forma , a mulher crente demonstra sua submissão a Cristo sendo submissão ao seu esposo e o esposo demonstra submissão a Cristo – que é o seu Cabeça – quando cuida de sua esposa.

      No v.4 quando Paulo fala do vestuário é importante lembrar que isso varia muito de uma cultura para outra. A cidade de Corinto era cosmopolita, ou seja, tinha gente de tudo o que era lugar: judeus, romanos, gregos entre outros, e cada qual com seus costumes.”Quando Paulo discute estilos de cabelo e coberturas de cabeça, nós temos de ter em mente que ele estava dizendo aos leitores que aotassem práticas cristãs num mundo pagão. Paulo fazia objeção a obscurecer a distinção entre gêneros, e queria que os coríntios demonstrassem visualmente a distinção clara entre homens e mulheres” (cf. Simon Kistemaker, 2004, p.511).
      Quando o homem estiver orando em público e profetizando (por “profecia” aqui entendemos a explicação da Palavra de Deus, a pregação do Evangelho, haja vista que “profetizar” acima de tudo significa “proclamar” e em último caso, revelar coisas futuras) não deve ter nada sobre a sua cabeça por que está simbolizando a pessoa de Cristo, o Cabeça Supremo. Nos tempos antigos, para os pagãos ter algo sobre a cabeça como um véu, demonstrava submissão ao deus adorado. Por isso Paulo instruiu aos Coríntios mostrando-lhes que se o homem tivesse alguma coisa em sua cabeça, estaria desonrando a Cristo, haja vista, a cabeça descoberta do homem simbolizar o senhorio de Cristo. Assim como nada está sobre Cristo (pois Ele é o Deus Supremo e Soberano) nada deve estar sobre a cabeça do homem que profetiza. A mulher tem o seu simbolismo na Igreja de Cristo (veja Ef 5.22-24). Assim como a Igreja está submissa a Cristo, a mulher deve mostrar-se submissa ao esposo (e o véu sobre a cabeça demonstrava submissão). Mas, como a Igreja não é composta só de mulheres, mas também de homens, estes também devem ser submissos a Cristo, e uma boa maneira de mostrar essa submissão é amando sua esposa dedicadamente (Ef 5.25-29).

      No v.5 ele continua mostrando que se uma mulher orar ou profetizar com a cabeça descoberta, estará desonrando a Cristo, pois, estará invertendo a ordem estrutural de autoridade na família; ela estará ocupando o papel do marido . Observe que a mulher não e impedida de orar e profetizar (ensinar), mesmo em público, desde que cumpra certas observações.

      No v.6, se ela se recusar a cobrir a cabeça enquanto ora e profetiza (ensina) então que raspe o cabelo – assim estará mostrando o princípio de que nada está acima do Cabeça Jesus Cristo. Mas, se raspar o cabelo é vergonhoso para ela, então que use algo sobre a cabeça enquanto ora e ensina.

      No v.7 é importante a distinção que Paulo faz. ele diz que o homem é a imagem e a glória de Deus, ao passo que a mulher é a glória do homem. Homem e mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus. mas, aqui Paulo não usa a palavra “semelhança” mas em vez disso, a palavra “glória”. A mulher é a glória do homem. Isso é muito significativo pois, Paulo está falando de ações que horam ou desonram. O homem com a cabeça descoberta enquanto ora e profetiza, honra a Cristo; com a cabeça descoberta, O desonra. A mulher com a cabeça coberta, honra o seu marido; com a cabeça descoberta, o desonra, bem como desonra a Cristo também.

      Nos v.8-10, recorrendo à criação do homem e da mulher Paulo mostra que a mulher procedeu do homem e por isso deve ser submissa a ele. Contudo, ele não está menosprezando a mulher aqui, pois, como fica claro no v.11 e 12, ambos procedem de Deus e são igualmente importantes para Ele.

      Dos v.13-15 Paulo trata da questão do cabelo da mulher. O cabelo dela deveria sr deixado crescer para distinguir-se do homem. Tudo o que Paulo fala agora sobre o assunto é para mostrar que deve haver distinção entre o homem e a mulher inclusive na aparência de ambos.

      Eu creio que a Bíblia é normativa e suas ordens são perpétuas. Em nossa igreja não usamos véu. Mulheres cortam seus cabelos. Homens se vestem como homens e mulheres como . Em nada estamos contrariando a Bíblia. O princípio regulador da Bíblia quanto a essas questões é a “decência e ordem”. Existe calças de homem e calças de mulher, mas aqui no Brasil não existe saia de mulher e saia de homem. Na Escócia, homens usam o kilt (uma espécie de saia) e isso é prova de virilidade. Para nós isso pegaria mal. Nos tempos de Paulo a roupa do homem e da mulher tinha pouca diferença, e por isso o cabelo comprido da mulher e o véu diferenciavam-na do homem.
      O princípio para nós é o mesmo. Vale lembrar que exite roupa de mulher e de homem que é indecente e essas os crentes devem evitar. às vezes irmãs com saias (roupas típica de mulher) são extremamente sensuais, ao passo que certas calças femininas são muito “comportadas” e decentes. Mas a indecência atinge aos homens também. Tem calça que parece que o sujeito passou vaselina para entrar na calça. Indecência!
      Em suma: mulher tem de ser feminina, e homem tem de ser másculo. E ambos não devem apelar para a sensualidade para isso.
      Espero ter respondido um pouco à sua pergunta.
      Deus abençoe muito a sua vida.

  2. Zé Mário says:

    Gostava que me envia-se por email o estudo completo da segunda carta de Pedro capitulo 3 completo. Muito obrigado. E um grande abraço deste amigo e irmão Português.

    • Olivar Alves Pereira says:

      Olá irmão. Aqui estão todos os estudos sobre a 2ª Carta de Pedro. É só procurar no lado direito do site por “Exposição de 2Pedro”.
      Se não conseguir me avise que lhe envio sim.
      Abraços e que Deus o abençoe, muito.

  3. JOÃO ROSÁRIO RODRIGUES says:

    Não achei, gostaria o estudo completo da 2ª carta de pedro.

  4. Edivaldo Ferreira says:

    Gostei desses estudos

  5. Josias Lima says:

    Paz do Senhor Pr. Olivar. Estava eu aqui procurando estudos sobre II Pe 3. , para agregar informações no esboço de pregação no qual iria fundamentar que devemos nos manter firmes esperando a volta de Cristo Jesus e me deparei com essa maravilha. Mas confesso que gostei mesmo da explicação sobre I Co 11. Nunca havia lido algo tão esclarecedor sobre essa passagem bíblica como a que encontrei aqui. Que Deus continue te usando e te abençoando.

    • Olivar Alves Pereira says:

      Meu irmão, a Deus seja a glória.
      Fico feliz de ter ajudado o irmão de alguma forma. É este o meu objetivo. Deus os abençoe.

  6. Reginaldo da Conceição Farias says:

    Tchê formidável o teu ensinamento esclarecê sem sombra de dúvidas muitas coisas….

    • Olivar Alves Pereira says:

      Glórias a Deus. Esse é o objetivo: ensinar SOMENTE o que as Escrituras Sagradas ensinam.
      Obrigado por sua participação.
      Deus o abençoe

  7. Maria Nilza says:

    A graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, que o Senhor te abençoe e continue te dando sabedoria. Quero também parabeniza-lo pelo estudo, gostei muito. Se possível gostaria que o amado irmão me explicasse o capítulo 37 do livro de Ezequiel; vale de ossos secos. E também que se possível me orientasse a respeito de comi estudar a palavra do Senhor, tenho muita dificuldade em entender. Desde já aceite os meus sinceros agradecimentos. Um grande abraço da irmã Nilza. P.S. Gostaria também de receber estudos bíblicos.

    • Olivar Alves Pereira says:

      Querida irmã,
      Primeiramente, é um prazer poder ajudá-la de alguma forma.
      Todo o meu material aqui é estudo bíblico. Portanto pode usá-lo á vontade. Se preferir assistir às exposições bíblicas que faço acesse meu canal no YouTube (procure por “Olivar Alves Pereira” e lá a senhora encontrará tudo).
      Quanto à Ezequiel 37, segue aqui o estudo que dei quando expus este livro.

      Visão Geral do Texto
      Até aqui, o livro de Ezequiel trouxe uma mensagem pesada carregada de promessas terríveis contra o pecado de Judá e Jerusalém. De fato, Deus sabe como punir o pecado. Sua justiça não falha e vem na medida certa. Contudo, Ele também sabe como restaurar e levantar Seus filhos; sabe como encher-lhes o coração de esperança e fortalecer-lhes o espírito e vivificá-los com Sua Palavra. É disso que se trata este belo capítulo de Ezequiel.

      Aprofundando no Texto
      A visão do vale de ossos secos (Ez 37)
      Este capítulo se divide em duas partes. A primeira fala sobre a visão e o seu significado (v.1-14) e a segunda parte fala a mensagem da reunificação que deveria ser trazida ao povo (v.15-28).

      A visão e o seu significado (37.1-14)
      A mão do SENHOR Deus tomara Ezequiel e o levara a um vale de ossos secos. Tudo isso por meio de uma visão. Porém, não há menção explícita de que foi uma visão como as demais que o profeta teve. De fato, não há mesmo essa menção explícita, mas, se olharmos com atenção os v.11-14 veremos que se trata de uma visão sim, na qual “estes ossos são toda a casa de Israel” (v.11).

      O paralelo entre a casa de Israel e aquele vale de ossos “sequíssimo” é impressionante. Os judeus (tanto Judá quanto Israel) haviam sido espalhados por entre as nações tal como aqueles ossos estavam espalhados sobre aquele vale. O próprio vale prefigura o “vale espiritual” pelo qual passava o povo. Assim como aqueles ossos estão esturricados e sequíssimos, o povo estava seco pela total falta de esperança. Porém, assim como aqueles ossos foram regenerados e depois vivificados pelo espírito (literalmente, vento) que veio dos quatro quantos da terra, o povo seria restaurado à terra e depois vivificado pelo Espírito Santo (v.14). Mas, qual o instrumento que Deus usou tanto para vivificar aqueles ossos da visão quanto o povo Dele representado naqueles ossos? A Sua Palavra!

      Alguns aspectos importantes precisam ser ressaltados aqui com relação à Palavra de Deus:

      O profeta e a Palavra
      • Deus fez o profeta andar por entre aqueles ossos (v.2) – o pregador tem de estar no meio dos “mortos espirituais”;
      • O pregador tem de confiar somente no poder de Deus para vivificar os corações (v.3);
      • O pregador tem de pregar para quem Deus manda não importando se ouvirão ou não (v.4); àqueles ossos sequíssimos Ezequiel deveria dar a seguinte ordem: “Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR”. Uma ordem muito estranha, pois, como pode algo morto ouvir alguma coisa e ainda mais responder?
      • O pregador tem de pregar somente o que Deus lhe manda pregar. No v.7 Ezequiel afirma: “Então, profetizei segundo me fora ordenado”, ou seja, o que está escrito nos v.5 e 6. Depois, no v.10 ele novamente diz “Profetizei como ele me ordenara” acerca do espírito (v.9).

      O resultado da Palavra
      • Não foi Ezequiel e muito menos os ossos que produziram vida ali, mas, somente a Palavra de Deus. Ezequiel não usou nada além daquilo que Deus lhe disse. O pregador deve lutar contra a tentação de buscar outras coisas além da Palavra de Deus para vivificar os corações. Só ela basta.
      • Ao anunciar a Palavra de Deus àqueles ossos, primeiramente ocorreu a regeneração. Cada osso unindo-se ao seu osso, depois os tendões e depois a pele. Contudo, não passavam de cadáveres sem vida. Faltando o espírito, o fôlego da vida. Quando este veio conforme a Palavra de Deus sobre aqueles corpos, todos passaram pela vivificação. Só a Palavra de Deus pode vivificar o coração que está morto espiritualmente!

      O Espírito e a Palavra
      • A Palavra de Deus foi anunciada pelo profeta àqueles ossos, mas, somente quando o espírito (“fôlego de vida”) entrou neles é que passaram a viver de fato. Semelhantemente, as pessoas ouvem a Palavra de Deus proclamada por nós, mas, enquanto o Espírito Santo de Deus não entra em seus corações e aplica a Palavra, as pessoas não passam de cadáveres sem vida.

      A mensagem de reunificação de Israel e Judá (37.15-28)
      O profeta Ezequiel, após a visão, recebeu uma ordem de Deus para que tomasse dois pedaços de madeira, cada um representando Judá e Israel (José e Efraim). Deveria ajuntá-los um ao outro para se tornarem uma só peça. Com isso Deus queria mostrar-lhes o que Ele estava por fazer, a saber, reunificar os dois povos que se separaram em 933 a.C. com a morte de Salomão, separação essa que durou até 586 a.C., quando aconteceu a última deportação dos judeus para a Babilônia na qual Ezequiel estava incluso. Quando Deus fosse trazer os judeus de volta, não haveria mais essa separação, pois, o povo seria um só.
      A promessa de Deus aqui destaca os seguintes elementos:

      A restauração seria obra divina e não humana. As frases seguintes confirmam isso:
      • “Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações…” (v.21);
      • “Farei deles uma só nação na terra (v.22);
      • “…livrá-los-ei de todas as suas apostasias em que pecaram e os purificarei” (v.23);

      O Rei Messiânico reinará eternamente. Um só rei governaria sobre o povo (v.22), e este rei era o próprio Messias, o descendente de Davi, e assim, por meio do seu descendente mais ilustre, o Messias, Davi teria o seu trono perpetuado por toda a eternidade (v.24,25).

      A Nova Aliança seria estabelecida perpetuamente. Essa Aliança é a mesma desde a antiguidade, mas, que, na pessoa do Messias (Jesus Cristo) seria plena e perfeita. O “santuário” e o “tabernáculo” que seria posto no meio do povo era o próprio Messias. O apóstolo João ao dizer que “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós…” (Jo 1.14). Ao dizer que Cristo “habitou” João emprega o verbo que quer dizer “armar a tenda, tabernacular” . Nos tempos de Moisés, o tabernáculo onde ficava a Arca da Aliança era o símbolo da presença de Deus no meio do Seu povo. Aqui em Ezequiel 37.27, Deus promete que colocar o Seu tabernáculo no meio do povo, e em Jesus Cristo isso se cumpriu plenamente.

      A conclusão do capítulo no v.28 é maravilhosa. Tudo isso aconteceria para que ficasse de testemunho, pois, “As nações saberão que eu sou o SENHOR que santifico a Israel, quando o meu santuário estiver para sempre no meio deles” (v.28). É a presença de Cristo no meio da Sua Igreja que a santifica. Se houver outro meio pelo qual a Igreja estiver buscando santificação com toda certeza o que ela estará fazendo será, nas palavras do v.23, abominação, transgressão, apostasia e pecado.

  8. Dkb says:

    Oi, pastor. Graça e paz do Senhor!

    Entendi que o estudo refere-se sobre a nossa salvação. Mas e sobre o cumprimento das promessas de Deus para as nossas vidas aqui na terra tem a ver também com a nossa falta de arrependimento e disciplina espiritual?

    • Olivar Alves Pereira says:

      Se entendi bem sua pergunta, vejo que a irmã está perguntando se as promessas de Deus para nós nesta vida podem ser atrapalhadas por conta de falta de arrependimento da nossa parte.
      Se essa for a sua questão, vamos lá.
      é preciso entendermos que as promessas de Deus para nós, são Seus propósitos para nós. O propósito de Deus na vida de um filho Dele jamais cairá por terra, porque nenhum dos planos Dele pode ser frustrado pelo homem. Contudo, deixamos de colher muitas bênçãos que nos estão disponíveis pela Graça de Deus, quando não damos ouvidos a Ele e O desobedecemos. A principal bênção que perdemos é a comunhão com Ele. Enquanto não nos arrependermos dos nossos pecados e buscarmos o Seu perdão, teremos essa preciosa bênção interrompida em nossa vida.
      Assim sendo, sempre que pecar, busque o perdão de Deus e recomece a caminhada com Cristo.

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