Dizer a Verdade em Amor

Em Efésios 4.29 e 30 lemos: ” Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. Uma das coisas mais difíceis em nossos relacionamentos é dizermos a verdade (aquilo que deve ser dito) em amor (a forma como deve ser dito o que precisa ser dito). 

Conta-se que um pastor recém ordenado, assumiu o pastorado de uma igreja. Embora houvesse aprendido várias técnicas de pregação no seminário, seu verdadeiro “seminário” estava começando, ou seja, a igreja. Era trabalhando no dia a dia que ele aprenderia de fato a lida pastoral (pregar, visitar, aconselhar, etc).

Após algumas semanas ele querendo saber como a igreja estava reagindo às suas mensagens, perguntou a um irmão. A resposta foi: “Você prega errado, pois, só lê o texto que escreveu; lê errado, pois, tropeça nas palavras, e além de tudo, o que você lê não tem importância alguma”. Um outro irmão tentando remediar a situação disse ao pastor: “Não se importe com o fulano. Ele não tem ideias próprias. Só repete o que todo mundo diz”.

Qual dos dois disse a verdade em amor? Nenhum. O primeiro disse a verdade, mas, foi rude. O segundo foi doce em suas palavras, mas, estava bajulando, e sua bajulação tornou-se ainda mais corrosiva que as palavras daquele outro.

Nós precisamos dizer a verdade. Nesse ponto é importante definir o que é “verdade” e o que é “amor”.

Nossa geração vive iludida com uma mentira, a saber, não existe verdade absoluta, e por isso, cada um, a seu próprio modo “tem a verdade”. Não concordo com isso porque a verdade para aquele que crê em Jesus e O tem como seu Senhor e Salvador, não se trata de uma filosofia, ou produto da mente humana, mas, sim, uma pessoa. Sim, para mim, a Verdade não é uma filosofia; ela é uma pessoa, Jesus Cristo. Ele disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Em certo sentido, o cristão não tem a verdade, mas, é a Verdade (Cristo) que o tem.

E o amor? O amor não é o principal ou mais nobre dos sentimentos. Definitivamente, amor não é sentimento. O amor é atitude, é resolução determinada. Num dos versículos mais conhecidos da Bíblia (João 3.16) lemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça mas, tenha a vida eterna”. Deus amou o mundo. Deus deu Seu Filho Unigênito. É por isso que em 1João 4.8 está escrito que: “…Deus é amor”.

Isto posto, dizer a verdade em amor é: falar tudo aquilo que é para “edificação, conforme a necessidade”, e para transmitir “graça aos que ouvem”. Ao corrigirmos alguém não o fazemos porque esse tal está fazendo algo que julgamos errado, mas, sim, porque Deus revela em Sua Palavra que tal coisa não está de acordo com a vontade Dele. Um pai ao corrigir seu filho deve deixar bem claro que não é por causa dele (o pai) que o filho está sendo corrigido, mas, sim, por causa de Deus. Assim, o filho ao ver o pai agindo dessa forma, compreenderá que o alvo de sua vida não é agradar o seu pai, mas, sim, a Deus. Uma esposa ao querer que seu marido mude de comportamento e seja mais atendo e carinhoso, não deve fazer porque ela está sentido falta disso, mas, sim, para mostrar a ele que a vontade de Deus para o casamento é que o marido cuide e dê carinho e amor à esposa.

Por fim, observe o que diz Efésios 4.30: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. O ato de entristecermos o Espírito Santo está totalmente relacionado com o fato de não sabermos usar as palavras corretamente. Ao dizer a verdade seja a quem for, especialmente aos irmãos em Cristo, diga em amor. Como diz Provérbios 27.6: “Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos”. Ou como uma outra tradução da Bíblia diz: “É mais leal o amigo que magoa do que o inimigo que nos beija”. 

Quando dizemos a verdade em amor, devemos apontar para Cristo (Verdade) e para o Pai (Amor), pois, por mais que doa o que dissermos, nossas palavras estarão carregadas com o “remédio” celeste (a verdade e o amor) que é o único capaz de curar as principais feridas do coração causadas pelo pecado.

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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