Em nome dos indefesos – uma voz contra o aborto

Um assunto que ainda vai gerar muita polêmica e discussão é o aborto. E entendo que a Igreja de Cristo deve se posicionar diante do assunto. Fechar os olhos, ignorar que este câncer e calar-se enquanto deveria ser a voz de Deus neste mundo contra tais pecados, é no mínimo negligência para com o chamado divino para que ela seja “sal da terra e luz do mundo”.

Antes de tudo, deixo bem claro que há um aborto que não é considerado pecado. É o que na Ética Cristã é chamado de “aborto terapêutico”, o qual se faz necessário quando a vida da mulher está em risco. Depois de avaliação médica intensa constata-se que a gravidez deve ser suspendida, pois, do contrário, a mãe e a criança morrerão. Os demais casos de aborto, tais como uma gravidez indesejada, ou em caso de estupro, o aborto constitui-se um crime, portanto, um pecado. Proponho aqui dois “passos” que a Igreja de Cristo (para saber qual é a Verdadeira Igreja de Cristo, leia o artigo neste site intitulado “A unidade da Igreja de Cristo”) no que diz respeito ao pecado do aborto.

1) Um posicionamento Bíblico

Em vez de buscar base para sua argumentação em fatores sociológicos, psicológicos, políticos, etc., a Igreja de Cristo deve estar totalmente embasada na Bíblia e deixar que o que Deus tem a dizer sobre o assunto seja dito em alto e bom tom.

Aborto é assassinato, portanto, um pecado- Deus ordenou “Não matarás” (Êxodo 20.13). Qualquer pessoa em seu juízo perfeito condenaria o assassinato de uma criança recém-nascida, tenha ela algumas horas de vida ou alguns dias. Se alguém matá-la tal ato é considerado um crime por se tratar de um crime cometido contra um “indefeso”. Porque o assassinato duma criança no ventre de sua mãe não é visto como um crime? Porque não é visto como um ato cruel contra um ser totalmente indefeso? Isso nos remete a outra verdade:

Deus se relaciona com o ser humano antes dele estar no ventre materno porque o vê como pessoa- Não sei ao certo, mas, me parece que desde que a Medicina passou a chamar a criança no ventre materno de “feto” constata-se um certo desprezo pela vida. Mas, a Bíblia nos mostra que Deus se relaciona com o ser humano desde antes da gestação. Vários textos bíblicos relatam que Deus escolheu os seus não somente quando estes estavam no ventre materno, como é o caso do profeta Jeremias, de quem Deus disse: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes, que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações” (Jeremias 1.5). O verbo “conhecer” aqui, traz consigo algo muito mais do que apenas “tomar conhecimento da existência de alguém” (o que por si só já seria um forte argumento contra o aborto); este verbo aponta para o fato de que Deus “conhecia profunda e intimamente” a Jeremias mesmo antes de sua formação no ventre materno.

Outro caso é o de João Batista, o primo de Jesus, de quem a Bíblia diz que seria cheio do Espírito Santo “já do ventre materno” (Lucas 1.17).

O apóstolo Paulo foi mais além. Ele afirmou inspiradamente pelo Espírito Santo que Deus já havia estabelecido nos amar e salvar por meio de Cristo antes de tudo existir. Veja Efésios 1.4  “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”.

Quando lemos o Salmo 139.13-16 ficamos ainda mais admirados: “Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda”.

De fato, precisamos olhar para uma criança no ventre da mãe não como um amontoado de células, ossos, cartilagens, etc., enfim, como uma coisa, um “material genético” e nada mais; precisamos e devemos olhar para essa criança como criança, como um ser humano em formação, mas, que aos olhos de Deus já tem todos os seus dias escritos (a vida) “cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles havia ainda”. Por isso mesmo, somente Deus tem o direito de tirar uma vida. Porém, conservá-la é o nosso dever.

Nesse momento até ouço alguém dizer: “Mas, pastor, o que será daquela pobre moça que foi estuprada e veio a engravidar do estuprador? Ela não teria o direito de interromper essa gravidez?”. E a resposta é “NÃO”. Se essa mulher foi uma vítima da maldade de um monstro, a criança no seu ventre é muito mais vítima. Não se resolve um mal com outro mal. Além disso, outras alternativas podem ser apresentadas, tais como a adoção. Contudo, se esta mãe entregar-se a Deus totalmente e clamar para que Ele coloque amor em seu coração por este ser indefeso, o amor nascerá e será infinitamente mais forte do que quaisquer lembranças dolorosas do crime do qual ela foi vítima.

No caso de uma gravidez indesejada, o próprio termo “indesejada” por si só aponta para o pecado que desgraça toda a humanidade: egoísmo. Uma gravidez é indesejada por vários motivos egoístas: “Minha carreira profissional”, “meus sonhos”, “meu corpo que será modificado”, etc. Sobre esse aspecto, dispenso-me de comentários. Eles, por si só mostram a perversidade dos corações.

O segundo “passo” que a Igreja de Cristo deve dar em relação ao assunto é ter:

2) Um posicionamento consolador, acolhedor e amoroso

A Igreja de Cristo deve condenar o aborto, mas estender seus braços para acolher mulheres que estão enfrentando o dilema de quererem praticar um aborto seja por quais motivos forem. Se for por motivos egoístas a opção por um aborto, a Igreja de Cristo deve mostrar a gravidade de tal pecado; se for por motivos como a gravidez em decorrência de um estupro, a Igreja de oferecer total ajuda a essa mulher, aparando-a a fim de que ela veja que Deus pode de um mal (estupro) fazer o bem (o amor por uma criança inocente).

O povo de Deus deve se engajar em movimentos lícitos contra o aborto; deve ficar atento a “clínicas” clandestinas em sua cidade e denunciá-las e envidar todos os esforços para fechá-las e condenar aqueles que lucram um absurdo contra a vida.

A Igreja de Cristo deve enfrentar se preciso for, as forças políticas que têm interesses dos mais torpes e escusos com a legalização do aborto, mas, nunca deixar suas portas fechadas para aquelas mulheres desorientadas e perturbadas em seus corações que pensam que o aborto será a solução. Antes, ela deve ser acolhedora, conselheira e consoladora recebendo em seu seio vidas destroçadas pelo pecado e pela culpa. Deve receber não só quem se encontra no dilema de abortar ou não abortar, mas, especialmente, aquelas mulheres que sofrem com a culpa de terem praticado um aborto.

Neste momento, se você que está lendo este artigo é essa pessoa que enfrenta esse dilema, ou se você conhece alguma mulher nessa situação ou que, até mesmo já tenha praticado um aborto e se encontra destruída em seu coração, coloco-me à sua disposição. Quero ajudá-la, quero ser uma bênção de Deus em sua vida mostrando-lhe o Amor de Deus que fará com que você ame essa criança em seu ventre.

Se você amar com o Amor de Deus, não assassinará a criança que está em seu ventre; se você desprezar essa criança com o desprezo que é resultado do seu pecado, eu clamo a Deus por misericórdia por sua vida e pela vida do ser humano que você carrega dentro do seu ventre.

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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