Fidelidade: quem é o dono do seu coração?

Lucas 16.1-13

Essa parábola (Lc 16.1-13) fecha um ciclo de parábolas que o Senhor Jesus começou no capítulo 15, e essas quatro parábolas (“A ovelha perdida”, “A dracma perdida”, “O filho pródigo” e “O administrador infiel”) estão inteiramente relacionadas ao cap. 15.1,2, onde vemos os fariseus e escribas murmurando contra Jesus pelo fato Dele receber em Sua presença os publicanos e os pecadores. Um fato importante aqui é que os fariseus e escribas se consideravam melhores que os publicanos (cobradores de impostos, geralmente judeus) e os pecadores (aqueles que segundo os fariseus e escribas não cumpriam a Lei de Moisés). Os fariseus e escribas não se consideravam pecadores, mas, sim, justos. Por isso mesmo o Senhor Jesus disse que “haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (15.7), ou seja, que se julgam tão bons que acham que não têm de que se arrepender. A mesma ideia pode ser encontrada em Lc 5.32: “Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento”.

Os fariseus e escribas se gabavam de terem a Lei de Deus, contudo, não tinham o Deus da Lei. Estavam tão perto do maior Tesouro de suas vidas, mas, viviam como mendigos se julgando ricos espiritualmente.

É disso que se trata esta parábola: a Verdadeira Riqueza em contraste com a falsa riqueza.

A Verdadeira Riqueza é Deus e a falsa riqueza é a que o mundo promete, é aquela que tem como base as posses e bens materiais que se desvanecem com o tempo.

A parábola que o Senhor Jesus contou aqui vem nos mostrar quão perigosa e ilusória é a riqueza desse mundo.

Ela escraviza o coração do homem. O administrador que aqui é descrito como infiel defraudava o seu patrão, e isto, possivelmente, por causa de sua ganância e cobiça (v.1). Quando foi denunciado, demonstrou mais preocupação em perder seus privilégios do que com sua reputação (v.3).

Ela é enganosa e se vale da mentira para se manter. O esquema que o administrador montou para reaver parte do dinheiro do seu patrão foi mentiroso e cheio de trapaças (v.4-7).

Os v.8 e 9 merecem uma atenção especial aqui. Não há neles um elogio à malandragem, ou uma aprovação do Senhor Jesus à má fé e ao dolo. Antes, o que Ele está dizendo é que os filhos da luz não vivem como os filhos do mundo. Os filhos da não se ocupam com os negócios desse mundo e por isso mesmo não são habilidosos como os filhos do mundo que estão envolvidos até ao pescoço com tais negócios. No v.9 o Senhor Jesus usou de ironia. A Sociedade Bíblica Portuguesa em sua Modern Linguage Translation deixa bem claro o tom irônico que o Senhor Jesus usou aqui: também vos digo: aproveitem as riquezas desonestas para fazerem amigos, para ver se quando as riquezas se acabarem eles vos recebem no Céu!”.

É por isso que quem tem Deus como o seu maior tesouro tem também o nível mais excelente de vida.

Neste ponto chegamos ao assunto da nossa mensagem nessa ocasião: Fidelidade: quem é o dono do seu coração?

O v.13 fala claramente sobre dois senhores: Deus e as riquezas. Um ou outro governará o seu coração. Um dos dois será o seu dono. Resta saber qual.

É óbvio que existem mais coisas neste mundo que competem com Deus pelo seu coração. Porém, todos sabemos que o dinheiro é o meio principal para isso. O dinheiro caminha de mãos dadas com o poder, por isso, neste mundo quem tem dinheiro exerce poder e influência sobre os outros. Os ricos querem mais do que já têm; os pobres almejam ter dinheiro para satisfazerem seus desejos. Somente quem serve a Deus de verdade se vê livre desse engodo. Somente quem vê Deus como a sua maior riqueza não se deixa escravizar pelo dinheiro.

Por isso mesmo fidelidade é:

1)      Questão de compromisso, v.10

Não importa se você tem pouco ou muito, se você tem compromisso com Deus, seja no pouco ou no muito você será fiel. E quem não tem compromisso com Deus, tenha pouco ou tenha muito será infiel.

Quando temos compromisso com Deus não é a quantidade de dinheiro que temos ou não temos que chamará a nossa atenção, mas,sim, o fato de que o pouco ou o muito não são nossos, mas de Deus e, por isso mesmo temos que ser zelosos e responsáveis com os recursos que Ele nos confiou e que um dia requererá de nossas mãos.

Precisamos dar atenção às “pequenas coisas”, pois, enquanto não formos capazes de cuidar das pequenas dificilmente, ser-nos-ão confiadas as grandiosas. É justamente isso que o Senhor Jesus está nos dizendo nos v.11 e 12.

Não estou aqui receitando uma “fórmula para a riqueza” ou um método de “como ficar rico este ano”. O que estou dizendo aqui é que você não terá compromisso com as coisas secundárias quando você não tem compromisso com Deus.

Se a sua maior riqueza for Deus, então tudo o que Ele lhe confiou para cuidar será bem administrado por você, e você não permitirá que seu coração seja escravizado pelas coisas deste mundo.

Fidelidade também é:

2) Questão de exclusividade, v.13

“Ninguém pode servir a dois senhores… Não podeis servir a Deus e às riquezas”.

Deus exige exclusividade em seu coração. Ele não divide Sua glória com ninguém, com nenhum ídolo: Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Is 42.8).   O mesmo Ele faz em relação às riquezas.

Mas, porque Deus exige exclusividade em seu coração? Pelas seguintes razões:

a)       Porque você é Dele por direito, pois, Ele o criou.

b)      Você é Dele porque Ele o resgatou através do sacrifício de Seu Filho Jesus Cristo.

c)       Em terceiro lugar, você é Dele para o seu próprio bem, porque se Deus entregar você a si mesmo para viver como você bem quiser, você estará arruinado. O seu coração é idólatra por natureza; é pródigo em criar ídolos que o escravizarão na ilusão e mentira.

Se você servir a Deus com exclusividade você conseguirá fazer uso dos seus bens para a glória de Deus. O contrário é impossível.

Eis o motivo pelo qual eu abomino com todas as forças do meu coração a famigerada teologia da prosperidade ensinada por muitos em nossos dias. Essa maldita teologia ensina as pessoas a colocarem seus corações cada vez mais nas coisas desse mundo em vez de colocar em Deus suas esperanças e desejos. Essa maldita teologia é um dos piores laços que Satanás conseguiu colocar dentro da Igreja de Cristo e tem arrastado os corações incautos justamente porque vem com uma roupagem de piedade e triunfo pelo poder de Deus. Porém, até hoje nunca vi alguém que se enveredou pela teologia da prosperidade amar a Deus por Ele somente, antes, tais pessoas O buscam para obterem ainda mais riquezas e fazem justamente o que Cristo condenou, a saber, se tornam cada vez mais habilidosos em conquistarem cada vez mais riquezas, tais como os filhos deste mundo.

Conclusão

Não importa o quanto você recebeu de Deus, o que importa é de Quem você recebeu e deverá prestar contas.

Deus sempre requererá de nós a fidelidade. Ele confiou-nos vários recursos para o nosso bem e para que os utilizemos para a Sua glória.

Não permita que seu coração caia na idolatria das riquezas e nem se torne avarento (avareza não é um pecado só dos ricos; existem muitos pobres avarentos!) (Cl 3.5). Seu coração foi criado para satisfazer-se somente em Deus.

Mensagem proclamada na IPBJardimSul em 01/01/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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