Juntos somos melhores?

Não faz muito tempo, uma “mega igreja” aqui em nossa cidade lançou uma campanha intitulada: “Juntos somos melhores”. Tal slogan é baseado num livro de Rick Warren com esse mesmo título. Conforme fui informado por um membro dessa igreja, tal campanha teve como objetivo mostrar às pessoas que a comunhão dos irmãos é algo importante e maravilhoso. Concordo plenamente que a vida em comunidade (refiro-me à Igreja de Cristo) é sem dúvida alguma algo importante e maravilhoso, apesar de muitas vezes ser difícil por causa do egocentrismo das pessoas. Embora, encontre várias igrejas e pastores da minha denominação que fizeram uso dessa mesma campanha (ou pelo menos do slogan), não posso concordar com essa afirmação de que “juntos somos melhores” simplesmente pelo fato de estar muito mais próxima de um humanismo troncho do que da Palavra de Deus.

Como pode ser melhor um ajuntamento de pecadores? Como podemos ser melhores que os demais se somos tão estragados pelo pecado quanto os demais? Isso soa carregado de engano (para não dizer arrogância).

Alguém irá argumentar dizendo: “Mas, pastor, o sentido dessa frase é de que juntos, em Cristo, somos melhores”. O que eu concordo também. Porém, o slogan da tal campanha não deixa isso explícito em momento algum. Essa mania que muitos evangélicos têm em nossos dias de não apresentarem explicitamente o Evangelho, antes, diluindo-o em slogans de duplo sentido (quem é crente entende de um jeito e quem não é crente, de outro), na tentativa de atrair as pessoas para uma “arapuca santa”, e uma vez que elas caírem aí ouvirão o Evangelho explicitamente, tem sido um câncer, uma desgraça, pois, não convence o pecador de seu pecado e nem da necessidade que ele tem de receber a Cristo não só como Salvador, mas, também como Senhor (aliás, se não O recebermos como Senhor de nossas vidas, Ele também não será recebido como Salvador!).

Voltando à frase “juntos somos melhores” veio à minha mente aquela passagem bíblica de 2Reis 7.3-15, que narra o acontecido com os quatro leprosos que estando às portas da cidade de Samaria, quando o Senhor Deus fizera com que o exército dos siros fugisse com medo depois Dele ter feito um barulho de carros e cavalos vindo para atacá-los (v.4). Com medo, os siros abandonaram seu acampamento e fugiram. Aqueles quatro leprosos vendo que se permanecem fora da cidade morreriam de fome, decidiram entrar, e para a surpresa deles encontram grande quantidade de víveres. Depois eles foram e contaram aos samaritanos que os siros fugiram e deixaram tudo para trás. E assim cumpriu-se a profecia de Eliseu que que naquele dia os samaritanos seriam supridos em suas necessidades (2Reis 6.31 – 7.2). Mas o que essa história tem a ver com o slogan da referida campanha? Tudo!

Os quatro leprosos não eram melhores por estarem juntos. Eram apenas quatro leprosos moribundos se desfazendo em seus corpos. O exército dos siros não era melhor porque seus soldados estavam juntos, até mesmo porque na hora do apuro todos fugiram. Os samaritanos não eram melhores pelo fato de estarem juntos, pois, juntos estavam todos morrendo de fome e cercados pelos siros. O que é que fez toda a diferença para todos estes? A poderosa mão de Deus.

Foi a poderosa mão de Deus que fez os siros fugirem de medo; foi a poderosa mão de Deus que levou os quatro leprosos a se encherem de coragem e entrar no arraial do inimigo e descobrirem a provisão de Deus para eles e para a cidade toda. Foi a poderosa mão de Deus que cumpriu a profecia de Eliseu dando sustento a todos.

Juntos somos melhores? Por nós mesmos, jamais! Somente quando a mão de Deus tocar os corações, convertendo-os de verdade, fazendo-os amar e valorizar a comunhão com os santos e com Ele, é que seremos melhores quando estivermos juntos.

Sugiro aqui que em vez desse slogan “juntos somos melhores” o qual está mais comprometido com o ego dos homens do que com a vontade de Deus, seja adotado outro slogan. Vai aqui a minha sugestão: “Juntos em Cristo, somos transformados”, até mesmo porque Cristo não veio a esse mundo para fazer-nos melhores, mas, sim, transformados!

Rev. Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
This entry was posted in Reflexão Bíblica. Bookmark the permalink.

4 Responses to Juntos somos melhores?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.