LIVRE ARBÍTRIO, NEUTRALIDADE E ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

 

A discussão se ainda temos ou não livre arbítrio vai longe. Muitos dizem que já não discutem mais isso porque não é importante. Bem, para mim é importante e por isso levanto aqui mais uma questão. Antes disso, é importante definir (em poucas palavras) o que é e o que não é o tal livre arbítrio.

Livre Arbítrio, no conceito bíblico é a capacidade que alguém tem de tomar decisões sem ter dentro de si uma força ou influência que o faça pender para o bem ou para o mal. É a tal neutralidade tão sonhada a qual não existe. Nessa perspectiva somente três pessoas tiveram o tal livre arbítrio: Adão, Eva e o Senhor Jesus. Os dois primeiros entregaram a sua liberdade ao pecado e de lá para cá trouxeram consigo toda a raça humana fazendo de nós uma raça falida, condenada que já nasce estragada e escrava no pecado. Quanto ao Senhor Jesus, embora tenha conhecido (no sentido de enfrentado) o pecado em nosso lugar, jamais pecou, como diz 2Coríntios 5.21: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Ele venceu as tentações (todas) e por isso pode nos salvar da escravidão do pecado.
Isto posto, duas implicações ficam claras: (1) Não temos o livre arbítrio. Ninguém o tem, pois, ou você é escravo do pecado, ou escravo de Cristo. De qualquer forma sua vontade está debaixo da vontade de um senhor. (2) Somente Cristo pode nos libertar da escravidão mortal do pecado, e dar-nos vida plena e verdadeiramente feliz.
Creio que até aqui todos nós concordamos. O problema está quando surge a questão: é o homem que decide aceitar a Jesus como salvador, ou ele é apenas um coadjuvante que foi chamado por Cristo de forma irresistível não conseguindo recusar o chamado de Deus?
Particularmente eu creio que a obra da salvação do começo ao fim é de Deus, e que a participação do homem está no processo de santificação, onde ele coopera com Deus por meio de uma vida obediente à Palavra e ao Espírito Santo, e que até mesmo para isso ele precisa da capacitação de Deus. Em suma, não creio em livre arbítrio, e quando Deus quer tocar num coração Ele o faz, quando Ele quer salvar Ele salva, e o homem não consegue resisti-Lo.
A essa altura, muitos me dizem: “Mas Deus é um cavalheiro, Ele não violenta os corações e nem os força a nada”. O curioso é que justamente essas mesmas pessoas quando oram pela conversão de outra pessoa NÃO dizem assim: “Senhor Deus, pegue leve, vá com calma, não violente o coração do fulano, mas, seja gentil e delicado com ele, mostre-lhe o quão educado o Senhor é, pois, só assim ele virá a se converter a Ti”. Em vez disso oram: “Senhor quebranta esse coração duro, mostre-Lhe o Teu poder e glória, para que ele deixe de ser arrogante e entenda que sem Ti ele é um miserável”.
Outra curiosidade é que justamente muitos dos que creem no livre arbítrio porque julgam que Deus é um cavalheiro que não invade o coração de ninguém, são os mesmos que vivem decretando, dando ordens para Deus, colocando Ele “contra a parede” e outros absurdos assim. Eu até entendo o porque dessas atitudes. quando se perde de vista a soberania de Deus sobre tudo inclusive sobre a decisão de salvar ou não um pecador, perde-se também o respeito por Ele e passa-se a ter uma visão distorcida da Sua Pessoa.

Rev. Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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