O ATRIBUTO COMPARTILHADO

       Sempre me intrigaram as palavras de Jesus aos Seus discípulos prometendo o Espírito Santo a eles após Sua partida: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” (Jo 14.16-17). O que mais me intrigava era o “outro” (do grego ἄλλος). Quando Cristo prometeu o Espírito Santo, “o outro consolador” estava indicando “outro do mesmo tipo” que Ele que viria na sequência, após Ele[1]. Mas, então, se o Espírito Santo é o “outro Consolador”, quem teria sido o primeiro que veio antes?            Comecei então a pesquisar sobre o tema na Bíblia, e o resultado me foi muito enriquecedor. Este atributo (qualidade) da “consolação” é compartilhado pelas três Pessoas da Trindade Santa.

          Deus, o Pai é destacado com esse atributo no Antigo Testamento, veja Is 49.13 e 52.9. No Novo Testamento é ainda mais explícito este atributo relacionado ao Pai, pois, Ele é chamado de “o Deus de toda a consolação”, 2Co 1.3-4.

          Deus, o filho também é apresentado como Aquele que consola o Seu povo em Is 61.1-3, especialmente o v.2 que diz que Deus enviaria o Messias “a consolar todos os que choram”. Mas, é no Noto Testamento que vemos o cumprimento dessa linda profecia. Quando José e Maria levaram o menino Jesus com oito dias de vida ao templo, lá estava um homem piedoso chamado Simeão avançado em idade (Lc.2.25-35). Dele é dito que “esperava a consolação de Israel” (v.25). No v.26 lemos que lhe fora revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria sem antes ver o “Cristo do Senhor”. E no momento em que ele viu Jesus nos braços de seus pais, ele então diz: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos; luz para revelação aos gentios, e para a glória do teu povo de Israel” (v.29-32).

          Dessa forma, o Espírito Santo é o “terceiro” Consolador na obra da Trindade Santa, executando a vontade de Deus na vida de Seus filhos na salvação, na santificação e na preservação de cada um dos escolhidos de Deus. Ele foi enviado em nome de Jesus da parte do Pai para ensinar todas as coisas referentes a Cristo e para lembrar os Seus discípulos de tudo o que Cristo disse (Jo 14.26).

          Diante de tudo isso, compete à Igreja de Cristo ser um “agente consolador” neste mundo, levando as Boas Novas do Evangelho “a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. (2Co 5.19).

 

Rev. Olivar Alves Pereira

[1] Dicionário VINE, 2002, p.839, CPAD.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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