O coração que agrada a Deus

Leia o Salmo 51

Em todas as conversas e discussões devemos definir bem o significado das palavras. Isso evitará muita discussão desnecessária. Tomemos a palavra “sinceridade” como exemplo. O que é sinceridade? Em palavras simples, sinceridade é quando os nossos atos correspondem às nossas palavras e motivações.

Contudo, não podemos generalizar o significado de sinceridade, dizendo que toda sinceridade é boa, coerente e agrada a Deus.

A sinceridade é boa quando ela honra a Deus e edifica os outros e é o resultado da minha obediência a Deus. Porém, a sinceridade pode ser errada em outra situação. Por exemplo: eu decido não vir ao culto porque justamente naquele horário meu time de futebol estará disputando o campeonato e o jogo será televisionado. Então em penso: “Não vou à igreja, porque não estarei com o coração lá, mas, sim no futebol”. Note que eu fui sincero, e minha ação (não ir ao culto) está de acordo com as minhas palavras e motivações (assistir ao jogo de futebol).

Outro exemplo. Eu digo que quero ir ao culto e adorar a Deus com o melhor de mim. Estou sendo sincero e tenho um desejo sincero de adorar a Deus com todo o meu ser. Contudo, quem foi que disse que no culto a Deus é o “meu melhor” que Deus quer que eu apresente ao louvá-Lo? Não estou dizendo que não devemos nos dedicar totalmente a Deus, mas, sim, que enquanto estivermos adorando a Deus devemos crer e entender que “o melhor oferecido no culto” não parte de mim, mas, sim de Deus, a saber, Jesus Cristo. Ele foi o sacrifício que Deus fez através do qual nós podemos ser aceitos diante de Deus e podemos nos aproximar Dele para adorá-Lo. Jesus Cristo é o nosso mediador diante de Deus, pois, precisamos de um mediador, e sem um nós não poderíamos chegar diante de Deus.

No Sl 51 encontramos Davi rasgando o seu coração em sinceridade diante de Deus. A situação em que este salmo foi escrito foi depois do momento em que o profeta Natã confrontou a Davi no seu pecado de adultério com Bate-Seba. Ele não agiu como quem foi acuado, mas, ao ser confrontado pela Palavra de Deus ele não se rebelou, não saiu pondo a culpa em ninguém, mas, confessou o seu pecado.

Do v.1-5 ele clamou a Deus por purificação, porque ele viu o quão terrível e abominável é o seu coração.

-Ele admitiu ser um transgressor (v.1,3 e 5);

-Clamou pela purificação que só Deus pode fazer (v.2);

-Ele reconheceu que o seu pecado em essência foi contra Deus, e por isso mesmo ele se rendeu ao julgamento de Deus (v.4).

No v.6 chegamos ao ápice, ao ponto central desse salmo. Davi disse: “Eis que te comprazes na verdade no íntimo e no recôndito me fazes conhecer a sabedoria”. O que essas palavras mostram? A sinceridade de um coração que se investigou e se avaliou diante de Deus.

O que este verso nos mostra é que Davi depois de ter cometido adultério, não teve mais sossego em seu coração. O tempo todo o seu coração o acusava do seu pecado, e quando Natã o confrontou, ele não teve outra saída a não ser confessar o seu pecado.    

Nos versos seguintes Davi reforçou que o que ele mais necessitava:

-da graça purificadora de Deus em sua vida para apagar suas iniquidades (v.7, 9 e 14);

-de restauração em seu íntimo (v.8,10,12 e 15);

E novamente, o ponto central desse salmo aparece nos v.16 e 17: “Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te agradas de holocaustos. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus”.

Por isso quero meditar com você nessa ocasião sobre: O coração que agrada a Deus.

E com base em tudo o que este salmo expõe sobre esse assunto, podemos afirmar que o coração que agrada a Deus:

1)      É levado por Deus a admitir o seu pecado

Davi foi confrontado por Deus em seu coração e por isso estava inquieto. Quando depois foi confrontado pelo profeta Natã, seu coração já havia sido preparado por Deus.

Um coração que reconhece a sua pecaminosidade admite e assume o quanto é pecador. Este coração sinceramente diz: “Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim” (v.3).

Deus o leva a ver que o seu pecado antes de tudo é um ato deliberado de rebeldia contra Ele. Deus leva esse coração a se colocar à disposição de Dele para receber a sentença divina: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar” (v.4).

Deus leva este coração a abrir mão de qualquer tentativa de apresentar-se como inocente e por isso este coração declara que a sua natureza é corrompida, pois, “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (v.5).

Porque Deus age assim neste coração, Ele o leva à esperança que este coração pecador e desesperadamente pecaminoso precisa ter, porque depois que este coração viu sua pecaminosidade o desespero toma conta dele.

E porque Deus mostrou-lhe sua pecaminosidade,

2) É levado por Deus a buscar Sua misericórdia

E em vez de ficar se justificando ou pondo a culpa nos outros, como fazem os ímpios, este coração corre desesperado em direção a Deus e clama: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade, e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões” (v.1).

Um coração que é sincero diante de Deus, não apresenta motivos que o livrem da sua culpa. Antes, este coração é levado por Deus a ver o quanto o seu pecado é horrível, e que, somente algo infinitamente maior pode mudar a sua situação, e esse algo infinitamente maior é a benignidade de Deus.

Seu desejo é mudado por Deus e agora ele passa a querer o purifique de seu pecado dizendo: “Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (v.2) e uma vez purificado por Deus ele se verá “mais alvo que a neve” (v.7).

Ele clama a Deus para que crie nele “um coração puro” e o seu espírito seja renovado (v.10).

Ele apela à bondade de Deus para que ele não seja banido de Sua presença, pois, Deus é o seu maior tesouro e deleite e o Espírito Santo de Deus é a fonte da sua alegria (v.11).

E justamente porque Deus o levou a admitir seu pecado e a buscar por Sua misericórdia, esse coração

3) É levado por Deus à transformação total

Essa transformação que só Deus pode fazer no coração dessa pessoa, começa com um movimento que vem em direção a esse pecador: “Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste” (v.8). Veja que se trata de um ato externo que é obra de Deus; é Deus quem o faz ouvir júbilo e alegria. Não é algo que esse coração que com toda a sua sinceridade faz para Deus, mas, sim, é algo que Deus em Sua misericórdia faz para esse coração. Deus põe louvores nos lábios desse coração.

Mas nesse ato de louvar a Deus, este coração transformado não cai na tentação de achar que agora pode oferecer o “seu melhor” para Deus, pois, sabe que o “melhor” quem deu foi Deus a ele. Por isso mesmo ele confia em Deus para mantê-lo nesse ato de adoração e diz: “Abre, Senhor, os meus lábios e a minha boca manifestará os teus louvores” (v.15).

Uma vez que este coração foi transformado por Deus e agora se acha exultante diante Dele, olhará para os que estão ao seu redor e diz: “Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti” (v.13). Agora, depois ter sido transformado por Deus, esse coração é usado por Deus para transformar outros corações por meio da pregação da Palavra de Deus.

Este coração transformado se torna um intercessor pelos demais, se torna alguém que deseja ver Deus ser glorificado pelos outros: “faze bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém” (v.18).

Uma vez que a bondade de Deus for vista, que a Sua misericórdia for desejada por todos e derramada sobre os Seus filhos, estes O louvarão da forma como Ele quer e determina que O louvemos. As ofertas apresentadas a Ele serão aceitas e Deus Se alegrará do Seu povo, Se agradará de corações que Ele mesmo transformou, “porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (Jo 4.23).

Conclusão

O coração que agrada a Deus é aquele a quem Ele tornou agradável a Si mesmo.

Você tem um coração que agrada a Deus?

Mensagem proferida na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul em São José dos Campos, 04 de março de 2012

Rev.Olivar Alves Pereira

Ouça essa mensagem através do link:

https://dl-web.dropbox.com/get/Public/009%20O%20cora%C3%A7%C3%A3o%20que%20agrada%20a%20Deus.mp3?w=527c9edd

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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