O futuro das nossas crianças

Leia Lucas 1.66

Sempre que estou diante de uma ocasião em que vou batizar um bebê filho de irmãos membros da nossa igreja, gosto de levar todos a refletirem sobre: O futuro das nossas crianças.

Quando pais olham para os seus filhos pequenos, uma pergunta é inevitável: “O que ele será quando crescer?”.

Para ajudar-nos em nossa reflexão tomemos como base a história de João Batista. Nessa história desse grande homem de Deus encontramos princípios importantes que dizem respeito a todos os filhos de Deus e suas crianças.

Em Lc 1.5-7 a descrição dos pais de João Batista é, Zacarias e Isabel “…eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor” (v.2). Não posso imaginar um lar mais próprio para crianças nascerem e serem criadas. Porém, “…não tinham filhos, porque Isabel era estéril, sendo eles avançados em dias” (v.3).

Em Lc 1.8-25, encontramos a narrativa sobre as predições referentes ao nascimento de João Batista. E o que o anjo Gabriel diz de João é simplesmente lindo:“Pois ele será grande diante do Senhor, nãobeberá vinho, nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno” (v.15), e que seria um instrumento nas mãos de Deus para a conversão do muitos corações (v.16 e 17). Qual pai crente não gostaria de ouvir que seu filho será grande diante de Deus? Será cheio do Espírito Santo já na barriga da mãe, e por isso não deveria se envolver com coisas entorpecentes para que ficasse claro que ele está sob a direção do Espírito Santo?

Em Lc 1.57-66 lemos que chegou o dia tão esperado. João Batista nasceu. Deus mais uma vez fez o mesmo milagre que fizera no Antigo Testamento, a saber, uma velha estéril gerar um filho e tornar-se mãe.

Na hora de colocar o nome na criança, quiseram interferir, mas, Isabel e Zacarias (que estava mudo há quase um ano) reafirmaram qual seria o nome do menino. Quando Zacarias escreveu o nome dele numa tabuinha, recuperou a voz e voltou a falar, louvando a Deus (v.64).

Naquele momento, uma pergunta tomou conta do coração de todos ali presentes: “Que virá a ser, pois, este menino?” (v.66). Todos sabiam que aquele menino era muito especial, não somente para os pais, mas, para toda aquela geração.

Mas, desde cedo, aquele menino demonstrava um jeito bastante peculiar de vida. Em Lc 1.80 lemos que: “O menino crescia e se fortalecia em espírito. E viveu nos desertos até ao dia em que havia de manifestar-se a Israel”.

O menino cresceu. Ele não se tornou um líder religioso carismático, até mesmo por expulsava as pessoas bajuladoras (Lc 3.7), antes, mostrava-lhes que sem arrependimento de seus pecados, não seriam aceitos por Deus.

Não se tornou um fazedor de milagres apesar de ser cheio do Espírito Santo desde o ventre materno. Não temos um milagre feito por João Batista registrado na Palavra.

João Batista viveu de forma muito diferente. Suas vestimentas e alimentação não eram nada convencionais. Mas, de todas as características que ele tinha, sem dúvida alguma, a convicção que ele tinha daquilo que ele deveria fazer era a mais importante de todas as características. A ele cabia preparar o caminho para Jesus (cf. Lc 3.4-6) e pregar o arrependimento para o batismo. E por conta dessa convicção ele chegou ao ponto de confrontar Herodes por adulterar com a sua cunhada, Herodias. Enquanto Herodes “perdeu a cabeça” por causa de sua cunhada, João Batista perdeu sua cabeça, pois, foi decapitado ao denunciar o pecado de Herodes (Mt 14. 1-12).

Aos olhos humanos, João Batista foi injustiçado, não se tornou o grande homem como fora anunciado pelo anjo, em suma, João Batista foi um fiasco do ponto de vista humano sobre o que significa ser bem sucedido. Do ponto de vista humano, não do ponto de vista de Deus. João Batista foi tudo aquilo que Deus quis que ele fosse; ele andou conforme o que Deus planejou e determinou para a sua vida.

          Diante desses fatos sobre a vida de João Batista, podemos fazer algumas aplicações bem práticas no tocante ao futuro das nossas crianças.

    1) Nós pais, precisamos saber o que Deus quer de nossos filhos

Quais planos você já fez para seu filho? Qual a escola em que ele vai estudar? Quais roupas vai vestir? Que tipo de alimentação terá? Que amigos frequentarão sua casa e em casa de quais amigos ele irá? Tudo isso são questões que pensamos o dia todo. Mas, você seria capaz de responder qual é a vontade de Deus para a vida de seu filho?

Observe novamente Zacarias. Ele sabia que o filho dele teria um papel muito importante em sua geração. Ele seria cheio do Espírito Santo já no ventre materno, porque a obra que ele deveria realizar tinha de ser feita somente pelo poder de Deus.

Talvez você ache que eu esteja exagerando, pois, João Batista foi único e cada pessoa tem a sua história. Mas, veja bem, se você é um servo de Deus, seu filho nasceu dentro da Aliança que Deus fez com Seu povo. Assim sendo, seu filho deve ser instruído para ser também um servo de Deus e fazer diferença na sua própria geração.

Assim como a João Batista cabia anunciar a vinda do Messias, cabe ao seu filho anunciar Cristo ao mundo.

Pais, precisamos entender que a maior honra que nossos filhos podem ter é a de serem servos de Deus, de viverem para a glória Dele, e seja qual for a profissão que eles um dia ocuparem, ou a família que vierem a constituir, ou os bens que eles acumularem, tudo isso só terá valor se Deus for a pessoa mais importante para eles.

Vejo pais crentes preocupados com tantas coisas em relação aos seus filhos, mas, não se importam em investir tempo ensinando-lhes as verdades da Palavra de Deus, a amarem a Ele. 

    2) Nossos filhos precisam saber o que Deus quer deles

João Batista cresceu ouvindo quem ele era. Ele via a sua identidade nas coisas espirituais. Veja novamente Lc 1.80: “O menino crescia e se fortalecia em espírito. E viveu no deserto até ao dia em que havia de manifestar-se a Israel”. Ele cresceu sabendo que as coisas espirituais eram as mais importantes, por isso seu crescimento foi completo. Ele não cresceu somente numa área, mas, em todas. Ele sabia que lhe cabia realizar uma obra muito importante, mas, em momento algum usurpou a glória que era do Messias. Em Jo 3.30 lemos a seguinte declaração dele em relação a Jesus: “Convém que ele cresça e que eu diminua”.

Esta é a atitude que deve ter um verdadeiro servo de Deus. Ser poderosamente usado por Deus não nos dá liberdade para usurparmos da Sua glória. Ser cheio do Espírito Santo não significa demonstração de poder, mas, sim, de humildade.

Eu fico pensando que nossos filhos são treinados para muitas coisas, menos para serem humildes. Fazemos de tudo para lhes dar o melhor que nós podemos dar-lhes, com isso eles crescem achando que o mundo lhes deve favores. Quando vemos alguma criança agredindo nossos filhos, de pronto lhes dizemos que eles não podem ser feitos de palhaços, e que por isso, devem revidar ou ignorar quem lhes fez algum mal. O que estamos ensinando para os nossos filhos não é autodefesa, mas, sim, alimentarem o que há de mais podre no ser humano: o orgulho.

3) O mundo precisa saber o que Deus quer de nossos filhos

João Batista desde o ventre materno mostrou a que veio. Seu pai ficou mudo por quase um ano (Lc 1.20). O povo ao ver Zacarias mudo logo soube que algo muito especial havia acontecido lá no santuário (Lc 1.22); Isabel sentiu-o pulando em seu ventre quando se encontrou com Maria no início da gravidez desta.

Quando iniciou seu ministério, João Batista agregava multidões ao seu redor, mas, em momento algum trouxe uma mensagem para agradar as pessoas. Sua mensagem consistiu numa mensagem dura e contundente, pois, dizia ao povo que se não se arrependessem de seus pecados, não adiantaria fazer nada mais. Sua mensagem não foi somente para quem não podia fazer nada contra ele, mas, também foi para quem podia fazer (e fez) mal a ele.

O mundo soube quem foi João Batista, e da boca do Senhor Jesus ouvimos o seguinte sobre João: “Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele” (Mt 11.11; Lc 7.28).

O mundo deverá saber que seus filhos pertencem a Deus e que eles têm neste mundo um alvo, um objetivo muito maior do que ser bem sucedido conforme os padrões desse mundo vil.

Conclusão

João Batista viveu para a glória de Deus porque Deus o separara para isso, e também porque seus pais entenderam a responsabilidade que pesava sobre eles.

Quero chamar a sua atenção para o fato de que os seus filhos não são seus, mas, sim de Deus, e que, criá-los, portanto, para cumprirem a vontade de Deus é a única causa pela qual Deus nos concede o privilégio de sermos pais.

Sermão proferido na IPBJardimSul em São José dos Campos, 25/09/2011

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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4 Responses to O futuro das nossas crianças

  1. Elias Batista Garcia says:

    Caro irmão Rev. Olivar, com grata satisfação li seu sermão. Que privilégio tem seu rebanho de ouvi-lo. Que o Senhor seja sempre com sua vida santo varão.

    • Olivar Alves Pereira says:

      Olá irmão. Louvado seja Deus.
      Ore por mim. Sou apenas um servo, que sem a graça de Deus e Seu poder tropeça, cai e quebra. O privilegiado sou eu em poder cuidar daquilo que Deus tem mais de importante na face da terra: a Sua Igreja.

  2. Adriano Dias says:

    Que Deus o abençoe sempre. Essa Palavra inspirado vem ao encontra das nossas necessidades.

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