O mal do consumismo entrou na Igreja

O apóstolo Tiago nos alertou: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.27).

Este verso descreve duas características essenciais que comprovam qual é a verdadeira religião: altruísmo e santidade de vida. Ambas apontam para os sublimes mandamentos do Senhor registrados em Mt 22.37-39: “37 Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. 38 Este é o grande e primeiro mandamento. 39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (citação de Dt 6.5), sendo que em relação ao primeiro está a santidade de vida e, em relação ao segundo mandamento está o altruísmo.

Mas, por deixarem de lado tanto o altruísmo em seus relacionamentos como a santidade de vida que Deus requer de Seus filhos, muitos crentes têm adotado um estilo de vida muito semelhante ao consumismo materialista e sem propósito vivido hoje no comércio. Deixe-me ser mais claro.

Está cada vez mais comum encontrarmos pessoas que estão em busca de igrejas que lhes agradem mais aos seus estilos. Se a pessoa não está a fim de um compromisso sério com a Obra do Senhor, então procurará uma igreja daquelas que chamamos de “igrejas-rodoviárias”, que são igrejas que estão cheias de pessoas (de preferência acima de 500), mas, que nunca são as mesmas – a rotatividade é intensa. Assim, elas passam despercebidas sem nenhum envolvimento mais sério.

Se a pessoa tiver um estilo mais “descolado”, procurará uma igreja “que não tem cara de Igreja”. Está cada vez mais comum encontrarmos igrejas que trazem a seguinte proposta para seus interessados usando slogans como: “Uma Igreja para os sem igreja”, ou “Uma Igreja para quem não gosta de Igreja”. Embaladas com músicas que agradam a um determinado grupo, com uma mensagem bem melosa (dizem que é a linguagem do amor!).

Se numa Igreja mensagens que falem contra o pecado das pessoas, o relaxo para com o Dia do Senhor (que agora recebeu o nome de “fim de semana”, e, portanto, é para lazer), enfim, mensagens que exortem à responsabilidade para com as cosias do Senhor, com certeza tais igrejas se esvaziarão, pois, tais mensagens ninguém quer ouvir, afinal, tais pessoas dizimam e ofertam para que não se sintam mais culpadas. E assim, existe uma igreja para cada gosto e vontade, e cada vez menos igrejas que estão preocupadas com a vontade de Deus. Afinal, desde que a Igreja começou a ser tratada como comércio, os crentes passaram a ser tratados como clientela, só ficou faltando as relações entre os crentes e a Igreja serem regidas pelas regras do mercado consumista.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
This entry was posted in Reflexão Bíblica. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.