O orgulho camuflado em nosso coração

“Tanto sei estar humilhado como também ser honrado” – Fp 4.12a.

Para você, qual dessas duas situações é a mais difícil? Ser humilhado por algum fator externo, ou ser honrado diante das circunstâncias? Preste bem atenção. Eu lhe perguntei qual dessas duas situações é mais difícil e não qual é a mais desagradável. A mais desagradável com certeza é sermos humilhados, afinal, todos nós gostamos de ser honrados diante das pessoas.

Em Fp 4.10-20, o apóstolo Paulo registrou sua gratidão aos irmãos da Igreja de Filipos. Estes irmãos haviam se associado a ele em suas tribulações (v.14), e convenhamos, esse é o tipo de “sociedade” que poucos gostam de fazer. Eles viviam buscando oportunidades para ajudar a Paulo na tarefa da evangelização, e outras vezes já haviam feito isso (v.16). Há bem da verdade eles foram os únicos que não abandonaram Paulo (v.15).

Diante dessa situação, Paulo declara que “de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez” (v.12b), e que vivendo para Deus e capacitado pelo Seu divino poder poderia passar por todas essas circunstâncias (v.13), a saber, ser humilhado pela escassez de recursos, ou honrado pelo amor e cuidado dos irmãos.

Voltando à pergunta inicial, qual dessas duas situações é mais difícil para você? Qual das duas mexe mais com seus brios e incita de alguma forma o seu orgulho?

Quando passamos por uma situação de humilhação, quer seja uma pessoa nos humilhando publicamente, ou uma limitação em nossos recursos que nos força a dependermos de outros, ou quando alguém não reconhece algo que fizemos e nem nos honra como gostaríamos sem dúvida alguma o nosso orgulho é ferido, e isso dói demais.

Quando a situação é diferente, quando recebemos alguma honra ou reconhecimento por algo que fizemos, sem dúvida alguma isso é gostoso. É a famosa “massagem no ego”. E como o nosso ego gosta de ser massageado não é mesmo? Porém, como você reage a essa situação? Você reconhece que o louvor deve ser direcionado a Deus, ou o seu coração tenta agarrar com todas as forças essa honra, porque afinal de contas você se esforçou tanto para receber tal honra, que não lhe parece justo não “curti-la” nem que seja um pouquinho?

Você percebe que nas duas situações (humilhação e honra) o que está em jogo aí é o seu coração orgulhoso? É o seu coração querendo algo que não é seu direito? Algo que deve ser creditado somente a Deus?

Para não cair nesse pecado faça como o apóstolo: aprenda a viver contente em toda e qualquer situação (v.11). Seja contente com o que Deus lhe proporciona em cada momento. Se Ele tem para sua vida um momento de privação humilhante, tenha certeza de que Ele está tratando o seu coração em meio a essa circunstância. Um coração humilde enfrenta a humilhação com o poder de Deus, e sabe o quanto Deus o ama e nunca o deixará de amar como muitos fazem. Se Deus lhe proporcionar um momento de honra, no qual você receberá o que necessita, ou o reconhecimento que lhe alegrará o coração, entenda que o louvor por tudo o que você conquistou pertence somente a Deus e que o prazer do seu coração é ver Deus ser honrado e glorificado através de sua vida. O contentamento livrará o seu coração do abatimento na humilhação e segurará o seu coração para não se tornar um usurpador da glória de Deus num momento de honra.

Mas não se esqueça: num momento de humilhação está muito bem camuflado o mesmo orgulho que se mostra num momento de honra. Tome muito cuidado, e, ao menor sinal do orgulho confesse seu pecado a Deus e repita em sua mente: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Rm 11.36).

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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