O perigo da amargura

 

Hb 12.15:   “atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”.

Ef 4.31: “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia”.

O que estes dois textos têm em comum?

Ambos falam sobre:

O perigo da amargura

Gn 16.1-14

 

Gn 12.1-9

Deus chama a Abrão (“pai exaltado”) e lhe faz promessas – dentre elas a de que ele seria um grande patriarca.

Abrão tinha 75 anos então,e Sarai, sua esposa, 65 anos e ela era estéril.

A partir desse dia, Deus passou a ser o Deus de Abrão.

Gn 15

O SENHOR torna a visitar Abrão.

Alguns anos se passaram e Abrão ainda não havia recebido a bênção de ser pai.

Deus promete a ele um filho (v.4,5);

“Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça” (v.6).

O SENHOR  fez aliança com Abrão (v.18).

Gn 16.1-14

Certamente Sarai sabia de tudo isso que aconteceu. Mesmo assim deixou-se envenenar pela amargura.

Naquela época, a esterilidade era tida como maldição por causa de pecado.

Nem mesmo isso é motivo para deixar o coração ser tomado pela amargura. Deus havia feito a promessa, e só isso bastaria para que ela não se deixasse levar pela amargura.

Por que devemos evitar a amargura?

Porque ela nos leva:

1) A revoltarmos contra Deus, v.2.

As palavras de Sarai revelam um certo teor de amargura: “disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar à luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela. E Abrão anuiu ao conselho de Sarai”.

Nessas palavras vemos:

-Impaciência: ela não queria mais esperar;

-Amargura: para ela Deus é quem a impedira de gerar até então.

-Idolatria: “…e assim me edificarei com filhos…”. Seu coração não tinha Deus como o centro e como sua satisfação – isso é idolatria.

Sua revolta é vista quando:

-Ela usa de meios próprios para obter o que ela queria – Hagar e Abrão.

-Quando ela culpa a Deus por sua esterilidade.

A amargura nos atrapalha de confiarmos totalmente em Deus e nos leva a revoltarmos contra Ele. Por mais que estejamos sofrendo não temos motivos para nos revoltar contra Deus.

A amargura nos leva:

2) A culparmos os outros pelos nossos sofrimentos, v.4,5.

Sarai arquitetou um plano, ao qual Abrão anuiu. Hagar engravidou e assim começou a desprezar Sarai (v.4). Então Sarai  se voltou para a Abrão e disse: “Seja sobre ti a afronta que se me faz a mim. Eu te dei a minha serva para a possuíres; ela, porém, vendo que concebeu, desprezou-me. Julgue o SENHOR entre mim e ti” (v.5).

Abrão também teve culpa.

Mas Sarai estava cega pela amargura, pois, foi incapaz de perceber que foi ela quem arquitetou tudo aquilo, e, que, agora, estava colhendo o que plantara.

Essa atitude amargurada de culpar as pessoas nos leva:

3) A causarmos sofrimentos aos outros, v.6-8.

A amargura de Sarai levou-a à vingança: “humilhou-a…”

Sua vingança trouxe medo à Hagar: “…e ela fugiu de sua presença”.

Esse é o resultado final de um coração amargurado: ele causa sofrimentos às outras pessoas.

Pessoas amarguradas são infelizes e fazem os outros infelizes também.

Tais  pessoas   não   somente culpam as outras pelo seu sofrimento e fracasso, como ainda causam dores e danos aos outros.

São incapazes de ver seu próprio pecado, e, se o veem, fazem questão de apontar para os pecados dos outros, escondendo-se atrás de uma máscara de santidade (“Julgue o SENHOR entre mim e ti”, v.5).

Aplicação

Como vencer a amargura?

1) Observe seu coração

-Seu coração é traiçoeiro: ele irá culpar os outros e nunca a você pelos seus erros.

-Corte o mal pela raiz: qualquer raiz de amargura pode se transformar numa árvore que lançará sombra e sujeira em outros corações.

2) Purifique seu coração

Amargura é pecado, e pecado só é resolvido com:

-Confissão (1Jo 1.9),

-Despojamento do pecado e revestimento da santidade de Cristo (Ef 4.22-24).

3) Perdoe e se reconcilie de coração

Quando ficamos amargurados com as pessoas, pecamos contra elas. Por isso devemos pedir perdão e perdoá-las pelo mal que nos fizeram ou pelo bem que não nos fizeram.

Sem perdoarmos as pessoas, nossa comunhão com Deus fica comprometida (Mt 5.23,24).

4) Confie em Deus

Não fique buscando nas circunstâncias ou nas pessoas uma explicação para o seu comportamento pecaminoso. A amargura nos atrapalha de confiarmos totalmente em Deus e nos leva a revoltarmos contra Ele.

Se as coisas não saíram do jeito que você esperava, confie em Deus; Ele está sempre no comando de tudo e usará de todas as situações para moldar o seu coração (Rm 8.29,30).

Conclusão

v.13: “Tu és o Deus que vê (…) Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?”.

Deus não somente está vendo os nossos sofrimentos como também os sofrimentos que causamos nos outros. Ele é justo e bom para tirar a nossa alma do poço de amargura em que ela mergulhou, como também fará justiça por aqueles a quem causamos males com a nossa amargura.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos 14/07/2013

 

 

 

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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