O Profeta Elias e a Depressão (?)

É muito comum ouvirmos pastores tentando ajudar suas ovelhas que sofrem com a depressão lhes dizerem que até o profeta Elias teve depressão, logo, isso é mais normal do que se pensa, e até mesmo grandes servos de Deus estão sujeitos a isso. Esse é o tipo de ajuda que não ajuda. Partindo da premissa que a depressão é um estado de profunda tristeza e desilusão com a vida, até se pode afirmar que Elias teve depressão, veja 1Rs 19.4, ele pediu a morte para Deus. Mas aqui, não quero focar nesse ponto, mas, sim, no que causou essa profunda tristeza e desilusão em Elias (parto da premissa que depressão não é “causa”, mas, sim, “efeito”). Então vejamos a causa (ou as causas).

Em 1Rs 18 vemos Deus usando poderosamente o profeta Elias para destruir a idolatria em Israel (v.1-40). Ainda neste mesmo capítulo o vemos sendo acreditado por Deus diante do povo, pois, assim como ele anteriormente orara a Deus para que não chovesse por 3 anos e meio, agora, ele ora a Deus e a chuva veio abundantemente.

Mas, no capítulo 19 encontramos outro Elias. Ameaçado de morte pela perversa rainha Jezabel, ele foge para o deserto, e lá sozinho debaixo de um pé de zimbro pede a Deus a morte. Deus envia um anjo que o acorda e o alimenta (v.5-6), mas ele continua do mesmo jeito. Novamente o anjo o acorda e o alimenta, e com a força daquela comida ele caminha 40 dias e 40 noites rumo ao Monte Horebe (v.7-8), onde se abrigou numa caverna. Lá no monte, Deus o chamou para fora perguntando-lhe o que ele fazia ali (v.9). Elias apresenta a sua queixa cheia de autocomiseração alegando que era o único fiel a Deus em Israel dando a entender que Deus não estava cumprindo o Seu papel em protege-lo diante das ameaças de Jezabel (v.10).

Deus revelou-Se de forma poderosa a Elias ali. “Eis que passava o SENHOR…”. Um forte vento que movia as pedras, um terremoto, e um fogo, mas o SENHOR Deus não estava em nenhum desses três elementos da natureza (v.11-12). Mas, foi no “cicio tranquilo e suave” que Deus Se revelou a Elias (v.13).

Novamente, o vemos apresentando sua autojustiça e autocomiseração diante de Deus (v.14). Os versos seguintes (v.15-18) Deus dá ordens ao profeta mostrando não somente o que ele deveria fazer, mas, principalmente, que Ele é o Deus presente que tem tudo sob Seu controle.

Voltando nossa atenção para o v.3 encontramos a primeira raiz da tristeza de Elias: “Temendo, pois, Elias, levantou-se para salvar sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço”. Aqui encontramos algumas “raízes” da “depressão” de Elias: medo, preocupação consigo mesmo, falta de confiança no cuidado de Deus (e confiança em si mesmo) e isolamento. Nos v.4-5, encontramos outras “raízes”: não conformação à vontade de Deus (“Basta”, ele disse), autocomiseração  (“não sou melhor que meus pais”), a qual muitas vezes se apresenta com uma roupagem humilde, mas, esconde arrogância e prepotência (mesmo tendo sido socorrido duas vezes por Deus através de um anjo, v.6-7, Elias ignorou a ordem de Deus). Nos v.10 e 14 encontramos a última “raiz” da tristeza de Elias: autocomiseração. Se antes ele se via aparentou humildade alegando não ser melhor que seus pais, aqui ele deixa transparecer toda a sua arrogância, pois, aos seus olhos ele era o único servo de Deus em Israel, aquém, do seu ponto de vista, Deus havia abandonado, sendo injusto para com Seu servo fiel. Mas, Deus lhe mostrou que havia preservado para Si 7.000 fiéis (v.18).

A depressão é, portanto, o resultado de todos esses pecados. Enquanto tais pecados não forem confessados, abandonados, e, no lugar deles, obras de justiça que glorificam a Deus não forem implantadas e praticadas pelo coração que se encontra em depressão, a situação não mudará.

Soli Deo Gloria!  

Rev. Olivar                                                    

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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