O que acontece quando contemplamos a Glória de Deus

Leia o Salmo 8

Como tenho mostrado para os irmãos nas últimas mensagens que tenho trazido à Igreja, a Glória de Deus é o alvo da nossa vida. Na medida em que nos concentramos em fazer tudo para a Glória de Deus, Ele nos enche com tamanha alegria e felicidade que nos faz buscá-Lo ainda mais.

Na presente mensagem eu quero compartilhar com os irmãos o que acontece quando contemplamos a Glória de Deus. De antemão, preciso definir o que é a Glória de Deus aqui.

No Sl 8 Davi ao referir-se à Glória de Deus aponta para os feitos maravilhosos do Senhor. A Glória de Deus relacionada ao Seu Ser tal como Moisés quis ver lá no monte (Ex 33.17-23), a Bíblia deixa bem claro que só é possível ao crente depois de sua morte quando estiver com Deus nos céus, pois, nesse corpo de pecado, se o crente contemplasse a o fulgor da Glória de Deus seria desintegrado.

Isto posto, voltemos para o nosso assunto. Quando contemplamos a Glória de Deus, a saber, as obras de Suas mãos poderosas:

1) Percebemos quão magnífico Ele é, v.1, 9

Isso soa um tanto quanto óbvio aos nossos ouvidos. Porém, essa obviedade não se faz ver em nosso dia a dia como deveria ser.

O ser humano é o único ser capaz de olhar para o céu e procurar algo transcendente. Os animais não olham para o céu como o homem olha. Até o mais ignorante dos seres humanos, o mais iletrado e idólatra, olha para o céu e se pergunta: “Como tudo isso surgiu?”. Os animais não fazem essa pergunta; eles não têm esse (ou qualquer outro) raciocínio. Isso faz toda a diferença.

Mas, entre os homens há diferença. Existem os que olham para o céu e são incapazes de reconhecer Quem os fez, porque Quem os fez não Se revelou a eles, como fez conosco. Quando Deus tira dos olhos do homem as escamas espirituais da ignorância promovida pelo pecado, este contempla a magnitude de Deus.

O crente percebe “em toda terra” a Glória do Nome de Deus, e isto quer dizer que ele reconhece o domínio de Deus sobre toda a Criação.

Quando contemplamos a Glória de Deus

2) Percebemos o Seu jeito de agir, v.2

“Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força,por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador”.

Deus tem todo o poder. Ele pode esmagar Seus inimigos com um só golpe.Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes” (1Co 1.27).

Os pequeninos em sua debilidade louvam a Deus, enquanto que os ímpios, julgando-se poderosos não reconhecem a grandeza de Deus. O louvor do humilde é mais poderoso do que a força do arrogante.

Por isso quando contemplamos a Glória de Deus:

3) Percebemos quem realmente somos, v.3-8

A Psicologia faz de tudo para que o homem se veja capaz, digno e suficiente em si mesmo. Loucura!

O homem que olha para a imensidão do céu, da Criação e do universo, sente seu coração ser tomado por uma sensação de pequenez esmagadora diante da Glória de Deus e diz: “que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (v.4).

No entanto, depois que seu coração foi tomado pela Glória de Deus vendo quão magnífico Ele é e percebendo Seu jeito de agir, queda-se diante de Deus e percebe o propósito Dele para sua vida: ser Seu mordomo na Criação.

Os v.6-8 nos trazem uma dificuldade de interpretação. Ao mesmo tempo que eles apontam para o homem, também são empregados em relação a Jesus Cristo.

Fica difícil aplicar a Jesus esse texto pois, no v.5 diz que Deus o fez “… por um pouco, menor do que Deus”. Ocorre que o substantivo “Deus” no hebraico é “elohim”, pode significar “seres divinos, angelicais”, isso está de acordo com Hb 2.7 que citando este salmo diz: “Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos…”. Contudo, um problema teológico ainda não foi resolvido. Estaria o salmista Davi dizendo que Jesus foi criado por Deus, e ainda, menor que os anjos? Obviamente, não.

Quando Davi escreveu este salmo ele estava pensando na figura do “homem perfeito”. Contudo, esse homem perfeito só pode ser encontrado na pessoa de Jesus Cristo. Quando os escritores do Novo Testamento lançaram mão desse salmo para empregá-lo em relação a Jesus o fizeram pensando na Sua humanidade.

Voltando nossa atenção para o fato de que Deus fez o homem o seu mordomo na Criação, é importante observarmos que a dignidade do homem está em cumprir os designios de Deus para sua vida. Enquanto não entendermos isso não saberemos quem somos de fato. Enquanto a vontade de Deus não for acatada por nós, jamais executaremos o papel que Ele tem para nós. Enquanto não submetemos o nosso coração à vontade de Deus, enquanto não contemplamos a Glória de Deus e não a tivermos como o alvo da nossa vida, não saberemos quem somos de fato.

Conclusão

Como tudo isso se aplica ao nosso viver diário?

Ao percebermos quão magnífico Deus é nos deparamos com a realidade de Sua misericórdia em Se revelar a nós. Não tivesse Ele Se revelado e jamais O conheceríamos. Ficaríamos a olhar para a imensidão do céu sem entender de onde viemos e para onde iríamos. Enquanto a Ciência e Filosofia humanas estão perguntando: “De onde viemos? Para onde vamos? Qual a razão de tudo isso?”, nós, servos de Deus podemos dizer: “Fui criado por Deus, para Deus e em Deus eu encontro a razão da minha existência”.

Percebendo o jeito de Deus agir usando coisas fracas para envergonhas as que se julgam fortes, não preciso me preocupar em ser forte para vencer meus inimigos. Só preciso aprender a depender do poder de Deus.

Tudo isso me coloca no meu devido lugar: um mordomo de Deus. Não mando, só cumpro ordens; não sou dono de nada, só administro o  que Deus me confia. Para muitos, ser mordomo seria humilhante; para mim, ser mordomo das coisas de Deus não somente é honroso como também ter a certeza de que nada que me é necessário me faltará.

O resultado de contemplar a Glória de Deus em minha vida, dentre outros resultados, é a mais plena e doce felicidade. É para isso que fui salvo; é por isso que eu vivo.

Mensagem proclamada no templo da Igreja Presbiteriana no Jardim Sul, São José dos Campos, em 13/11/2011.

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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