O que é a Idolatria?

O que é a idolatria?

A prática que a Bíblia sagrada chama de idolatria pode ser descrita como “uma ação deliberada do homem em dar o lugar em seu coração (o primeiro lugar) que é de Deus a outras coisas, pessoas ou valores”.

O que a Bíblia diz sobre a idolatria?

Veneração a imagens de escultura creditando a elas o status de um ser divino, ou pelo menos uma representação de uma divindade.

Tal prática foi terminantemente proibida por Deus na ocasião dos “Dez Mandamentos” dados a Moisés no monte Sinai. É muito importante compreender o contexto histórico para averiguar o que Deus queria ensinar ao povo de Israel (e a todos os seus servos). O povo hebreu conviveu desde o princípio com povos pagãos que tinham práticas idólatras em seus cultos. O Egito, por exemplo, era uma nação extremamente idólatra; cada uma das dez pragas que Deus mandou sobre o Egito na ocasião do Êxodo, foi uma forma de Deus humilhar os egípcios em sua idolatria, veja Êxodo 12.12.

Mas por que será que Deus proibiu que se fizessem imagens de escultura com a forma de qualquer coisa ou ser na face da Terra (cf. Êxodo 20.3-6: Não terás outros deuses diante de mim. 4 Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.  5 Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem  6 e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”)? A resposta é que Deus é Aquele que não pode ser descrito em Sua forma porque Ele é espírito perfeito e eterno. Como poderíamos dizer que um objeto (por melhor aparência que este tiver, por mais habilidoso que tenha sido o artesão ao fazê-lo, ou mesmo que tenha sido feito “de coração”) comportar tamanha glória como é a de Deus?

Mas, além disso, Deus estava ensinando o Seu povo a viver pela fé.  A Bíblia nos dá uma descrição maravilhosa sobre a fé. Em Hebreus 11:1 “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. Veja bem, se a fé é a convicção de fatos (Deus é real, é fato que Ele existe) que não podem ser vistos (não podemos ver Deus, mas que Ele existe, existe!) então, quando nos prostramos diante de uma imagem (ainda que esta seja apenas uma recordação da pessoa amada) como podemos dizer que isto é “fé”?

Um dos papas da Igreja Católica (creio que foi Gregório Magno) disse que as imagens são o alfabeto dos analfabetos, ou seja, elas servem para ensinar os analfabetos. Concordamos que esse “efeito didático” é um recurso que inclusive os evangélicos usam quando contam as histórias bíblicas para as crianças (gravuras e figuras), mas não concordamos com “esse efeito didático” da forma como a Igreja Romana o usa porque conduzem à veneração daqueles a quem elas representam. Afirmamos então que o problema da idolatria é que ela em vez de ser uma prova de fé é antes, uma prova de incredulidade.

É muito comum ouvirmos as pessoas que praticam a idolatria dizerem que elas não adoram as imagens e nem mesmo veneram (há alguns que chegam até mesmo a fazer uma distinção entre “adoração e veneração” dizendo que elas não são sinônimas, mas basta uma consulta ao dicionário que esse equívoco é desfeito), apenas têm uma atitude de respeito como qualquer outra pessoa tem pela foto de um ente querido. Então agora, imagine a seguinte situação: você está do lado de sua esposa, a quem você ama muito. Mas ela insiste em ficar agarrada à sua foto e beijando e dizendo: “Meu querido e amado esposo! Quanto eu o amo”. Enquanto isso, você ali do lado dela dizendo: “Querida, estou aqui! Pare de beijar esse pedaço de papel e me beije!”. Qualquer pessoa no juízo perfeito não admitiria tal coisa, ou pelo menos julgaria tal atitude ridícula. Semelhante coisa fazem os que veneram as imagens.

O ensino dos apóstolos

A Igreja Romana, também se intitula “Apostólica” o que isso nos remete para a base da Igreja que é o ensino dos apóstolos. Mas vejamos o que o apóstolo Paulo disse sobre a idolatria.

Atos 17.16-34  Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade17 Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos; também na praça, todos os dias, entre os que se encontravam ali.  18 E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição.  19 Então, tomando-o consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas?  20 Posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas, queremos saber o que vem a ser isso.  21 Pois todos os de Atenas e os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades.  22 Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos;  23 porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio.  24 O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.  25 Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais;  26 de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação;  27 para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós;  28 pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.  29 Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.  30 Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;  31 porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.  32 Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns escarneceram, e outros disseram: A respeito disso te ouviremos noutra ocasião.  33 A essa altura, Paulo se retirou do meio deles.  34 Houve, porém, alguns homens que se agregaram a ele e creram; entre eles estava Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e, com eles, outros mais.

Observemos que Paulo estando em Atenas não concordou com a idolatria daquele povo e se revoltou em seu coração em ver aquilo tudo. Como poderia uma Igreja dizer-se “apostólica” se uma de suas principais práticas é totalmente revoltante a um de seus fundadores?

Mas Paulo continua. Em 1Coríntios 10.14  ele diz:  “Portanto, meus amados, fugi da idolatria”.

Em Gálatas 5.19-21  “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,  20 idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,  21 invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.

A idolatria está classificada junto a outros pecados sendo um deles.

Em Colossenses 3.5-6  “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria6 por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência”.

Observe que a idolatria não diz respeito somente a veneração de imagens, mas, também ao amor às coisas materiais, ou seja, avareza. Vejo muitos evangélicos apontando o dedo em riste para os católicos acusando-os de serem idólatras, mas, esses mesmos evangélicos por serem avarentos com dinheiro e bens materiais estão no mesmo pecado.

Por fim, um dos textos mais duros de Paulo sobre a idolatria está em 1Coríntios 10.19-20  “Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor?  20 Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios”.

Para entendermos o que Paulo está dizendo aqui é importante conhecermos o contexto. Os membros da Igreja de Corinto estavam enfrentando um dilema. Era comum naquela cidade (onde existiam muitos templos erigidos aos deuses) que uma pessoa sacrificasse um animal num dos muitos templos idólatras que lá haviam, a fim de consagrar a carne do animal e depois vendê-la no mercado como “carne abençoada pelos deuses” (qualquer semelhança com as cidades e lugares tidos como sagrados em nossos dias, por exemplo, Aparecida do Norte, Bom Jesus da Lapa, etc, será mera coincidência?!). Os cristãos então estavam se perguntando se era pecado comerem daquelas carnes de animais consagrados aos ídolos. Paulo então disse que aqueles ídolos não eram coisa nenhuma, eram nada, e por isso, não podiam abençoar e muito menos amaldiçoar quem comesse daquelas carnes (ainda que tivesse muita fé). Mas, observe o que ele diz sobre aqueles ídolos:  “Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios”.

Não há dúvida alguma que a idolatria é um instrumento muito utilizado por Satanás para desviar o coração de pessoas sinceras (que querem mesmo adorar a Deus, disso não duvido), da pessoa de Deus.

Encerrando esse breve comentário, vale lembrar que na ocasião em que Deus se revelou a Moisés, este perguntou-lhe pelo Seu nome, pois uma vez que estivesse na presença do Faraó, e este lhe perguntasse em nome de quem Moisés estava ali exigindo a libertação dos hebreus, Deus lhe disse: “EU SOU O QUE SOU”. Em outras palavras, “Eu sou aquele que existe por conta própria, eu sou o eterno”.

Agora, pare e pense: porque ficar preso a objetos se a minha adoração pode (e deve) ser dirigida Àquele que Eterno, Verdadeiro e Santo?

Vale ainda lembrar que tal qual o ídolo é o seu adorador. No Salmo 115:1-8 (Na Bíblia Católica é o 113B) diz: “Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.  2 Por que diriam as nações: Onde está o Deus deles?  3 No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada.  4 Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens.  5 Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem;  6 têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram.  7 Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta.  8 Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam”.

 

A única imagem que devemos ter

O Senhor Jesus veio para nos salvar e nos moldar conforme o Seu caráter Santo.  Em Romanos 8:28-29  “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

Todas as coisas (boas ou ruins) cooperam, concorrem para o bem daqueles que amam a Deus. E estes que amam a Deus, só O amam porque foram chamados por Ele e para Ele com um propósito: serem conformes à imagem de seu Filho Jesus Cristo, e isso quer dizer: termos o caráter de Jesus em nós. Por essa razão tudo o que dissemos aqui, o dissemos com o coração cheio de amor por você. Assim como experimentamos a vida abundante que só Jesus pode dar, queremos que você também a tenha.

Rev. Olivar Alves Pereira

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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