O sentido da vida

Os cientistas sempre buscaram a “origem” da vida. Para tanto lançam a cada dia novas teorias sobre o assunto. Uma das que me deixaram mais intrigado foi a de que somos formados do mesmo material das estrelas. Bem, a Bíblia dizendo que eu sou feito do pó da terra, para os cientistas soa jocoso e ridículo, mas, dizer que sou formado do pó das estrelas me faz parecer mais importante, mais “chique”?
De uns tempos para cá os cientistas têm enfrentado outro questionamento do qual eles sempre fugiram, e, ao que parece, para não serem acusados das mesmas coisas de que acusam os religiosos (especialmente os cristãos), resolveram “dar a cara a tapa” e estão apresentando suas respostas para os questionamentos pertinentes ao sentido da vida.
Por que estamos aqui neste mundo? Quais as razões de termos surgido neste mundo? Por que o nosso planeta é único, singular e não encontramos em milhares de galáxias um planeta igual ao nosso com as mesmas condições de vida? Os cientistas tentam responder o “como” as coisas aconteceram (ainda que as respostas estão longe de serem satisfatórias e equivalentes à verdade), mas, não conseguem responder o “por que” das coisas serem como são. Alguns até tentam responder.
Em um breve documentário exibido num canal de TV por assinatura, o cientista e também professor de física e astronomia, Marcelo Gleiser fez declarações no mínimo inusitadas (para não dizermos simplistas para um “cientista”). Algo próximo ao que ele declarou sobre “o sentido dessa existência” pode ser encontrado em um breve artigo dele intitulado “O medo do fim e o sentido da vida” que pode ser encontrado no seguinte link http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/24034-o-medo-do-fim-e-o-sentido-da-vida.shtml.
Para esse cientista, a vida termina na cova. Uma vez que você morrer, você deixará de existir. É óbvio que ele não crê na vida eterna, ou na própria eternidade seja ela onde for. Para ele a única coisa que restará de mim após a minha morte é a lembrança que as pessoas terão de mim. Ele faz a seguinte declaração no artigo já citado aqui:
“Somos criaturas limitadas pelo tempo, com um início e um fim. O medo do fim, ao menos em parte, vem da falta de controle sobre a passagem do tempo. Não sabemos quando o nosso fim pessoal chegará. Então tentamos manter nossa presença mesmo após não estarmos mais presentes fisicamente. Isso porque só deixaremos de existir quando formos esquecidos. (O que você sabe do seu tataravô ou de outro parente do passado distante?). Não há nada de elitista nesse legado. Não precisa ser um Nobel, uma sinfonia ou um poema imortal. Ser devoto à família, criar uma receita que passa de geração em geração, melhorar a vida de alguém, inspirar estudantes, tudo dá sentido à vida. A dificuldade dessa discussão está na questão do valor. O que tem valor para mim pode não ter para você e vice-versa. O que importa é o que se faz com a vida que se tem e não com a vida que um dia não vai existir mais. Se temos saúde, a coisa mais importante é a liberdade. Ser livre é poder escolher ao que se prender. Com apocalipse ou não, uma vida bem vivida será sempre curta demais”.
O existencialismo (pensamento filosófico que tenta buscar o sentido da vida) desse pobre cientista é deprimente. Para ele tudo se resume em deixarmos alguma coisa para que as pessoas se lembrem de nós. É por isso que muitos deixam monumentos com seus nomes, e a prática de se homenagear alguém que morreu dando o seu nome para alguma rua, edifício ou construção, no fundo no fundo é o homem encontrando o sentido de sua existência.
A Bíblia narra a história de homens que se reuniram para construir uma torre nas imediações de um lugar chamado Babel (Gn 11.1-9), e descreve a atitudes destes homens comandados por Ninrode (Gn 10.8-12), como um ato de arrogância: “Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra” (Gn 11.4). Em lugar algum a Bíblia mostra que tal atitude (a de perpetuarmos a nossa memória, nosso nome) é o sentido, a razão da nossa vida.
As afirmações de Gleiser aqui são simplórias demais para um cientista que vive desdenhando da Fé Cristã. Quando ele diz que não importa a grandiosidade ou a simplicidade das coisas que fazemos para perpetuarmos o nosso nome na lembrança das pessoas, ele se esquece de um fato incontestável: mesmo aqueles que fizeram coisas grandiosas são lembrados por poucas pessoas, e quando são lembrados, faz-se necessário recorrermos às enciclopédias, aos guias de pesquisa na internet para sabermos o que tais pessoas fizeram. Assim sendo, este “sentido da vida” que Gleiser oferece é desesperador. Mas, como ele colocou a coisa toda numa “questão de valor”, ou seja, o que me é importante pode não ser para ele, então eu prefiro o sentido da vida que a Bíblia me apresenta:
Colossenses 1.24-29: 24 Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja; 25 da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus: 26 o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; 27 aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; 28 o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; 29 para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.
O Breve Catecismo em sua primeira pergunta e resposta resume bem essa passagem: Pergunta 1:Qual o fim principal do homem? Resposta: Louvar a Deus, glorifica-Lo e gozá-Lo para sempre”. Se você está buscando o sentido para a vida, somente em Deus você encontrará.
Rev. Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba e colabora esporadicamente com a Editora Cristã Evangélica escrevendo lições para as revistas da Escola Bíblica. É também associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB.
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2 Responses to O sentido da vida

  1. Reverendo, para você que gosta tanto do Freud, sugiro que dê uma pesquisada sobre a obra de Viktor Frankl, que foi um psiquiatra judeu enviado a um campo de concentração e criador da logosofia.
    A obra dele trata exatamente da busca do sentido da vida.
    Pra discutir com quem é pagão, a abordagem dele é demolidora de conceitos de gente como esse Mané da televisão.

    • Olivar Alves Pereira says:

      Olá meu irmão.
      Estou com saudades das nossas conversas.
      Muito obrigado pela indicação. Procurarei sim e estudarei.
      Grande abraço

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