O Serviço Cristão – 1ª Mensagem

Gaio, um bom exemplo de cristão a ser seguido

3Jo v.1-8

 

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Pouco sabemos das situações em que esta carta foi escrita. Não sabemos onde João estava quando a escreveu, ainda que tudo contribua para pensarmos que ele estava em Éfeso, pois, ali ele passara seus últimos dias, o que coloca a data da escrita dessa carta por volta dos anos 94 e 95 d.C. Também pouco sabemos sobre as personagens dessa carta. Não sabemos exatamente quem era esse irmão chamado Gaio (o NT apresenta pelo menos quatro homens com esse nome, além deste temos um em At 19.29, outro em At 20.4 e outro em Rm 16.23 e 1Co 1.14), onde morava, onde estava a sua igreja, mas, de uma coisa sabemos, ele foi um grande instrumento nas mãos de Deus na propagação do Evangelho, pois, recebia em casa e ajudava os evangelistas que por ali passavam.

Essa carta não é uma carta “doutrinária”, pelo menos como é 1João. Ela se assemelha à 2João por seu tom pessoal: João traz informações sobre aqueles que trabalhavam na Causa do Senhor, tanto daqueles que executavam com amor a Cristo o ministério de que foram incumbidos, quanto daqueles que se aproveitavam da oportunidade para se promoverem despoticamente sobre a Igreja, como era o caso de Diótrefes. Por isso mesmo o assunto principal dessa carta é O Serviço Cristão. Ela nos mostra como um verdadeiro crente deve trabalhar na obra do Senhor e fazer tudo para a glória de Deus. Por isso mesmo o exemplo de Gaio aqui tem muito a nos ensinar. Meditemos então sobre: Gaio, um bom exemplo de cristão a ser seguido.

Gaio era um bom exemplo de um crente e servo por que:

1)      Era próspero de verdade, v.2

O “presbítero” demonstrou seu amor por Gaio. Nada menos do que quatro vezes nestes versículos ele o trata por “amado” (v.1,2,5 e 11). E de fato, João o amava “na verdade” (v.1). O amor que nasce na verdade do Evangelho é o verdadeiro amor e nunca pode morrer.

Gaio tinha prosperidade espiritual, tal como João observou quando disse: “assim como é próspera a tua alma”. João desejava que a prosperidade espiritual que se via em Gaio também replicasse em todas as outras áreas da sua vida.

Observe a ordem que João colocou aqui. A prosperidade da alma é que determina a prosperidade em outras áreas da vida. Em nossos dias, a famigerada teologia da prosperidade tem feito muito estrago nas igrejas. Por atender a ganância de todos (líderes e liderados), esse ensino tem afastado as pessoas da Verdade. A ideia que tal ensinamento passa é que alguém com muitos bens materiais é uma pessoa abençoada por Deus, e, que, portanto, se uma pessoa não tem bens materiais é porque não é próspera espiritualmente. Mas, não é isso que vemos aqui nas palavras de João. Ele declara o seu desejo de ver a mesma prosperidade que ele via na vida espiritual de Gaio também nas demais áreas da sua vida.

A ideia de prosperidade aqui não é o de acumular bens, mas, sim, de ter sucesso nos empreendimentos pessoais, chegar ao destino desejado e planejado. Tal prosperidade só tem aquele que tem seu coração na presença de Deus. A verdadeira prosperidade não nos leva a acumular para nós, mas, a repartirmos com os demais. Veremos isso mais a frente.

Gaio é um bom exemplo de crente e servo de Cristo porque:

2) Ele andava na verdade, v.3,4

No v.3 João declara sua grande alegria em saber por partes de alguns irmãos que estiveram com Gaio e ali viram seu comportamento cheio de amor verdadeiro. Como disse John Stott: “Ele defendia a verdade em amor e amava em verdade”.

Agora observe que o bom testemunho que eu dou, há bem da verdade não sou eu quem o dá, mas, sim, as pessoas é que o dão a meu respeito.

O que cabia a Gaio era andar “na verdade”, ou seja, comportar-se como um verdadeiro crente em Cristo Jesus. Aquele que assim se comporta serve de bom exemplo para os demais irmãos.

Outro fato que merece a nossa atenção aqui é a questão do discipulado. João ficou conhecido como “o apóstolo do amor”. O Evangelho que escreveu e as suas cartas estão repletos de ensinamentos sobre o verdadeiro amor. Suas exortações aos crentes sobre o amor são profundas. Ao olhar para o seu discípulo Gaio, a quem ele sempre o chama de “amado” e classifica como um dos seus “filhos que andam na verdade” (v.4), seu coração pulsava de alegria, pois, para um servo de Cristo não existe “maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade”. Nada pode alegrar mais o coração de um pastor, um pai, um professor quando vê tal atitude.

A prosperidade verdadeira é a que aparece no caminho da obediência à verdade. De que adianta bens materiais, sucesso profissional, reconhecimento social quando a verdade é sacrificada?

Anteriormente, disse que a verdadeira prosperidade não nos leva a acumularmos para nós, mas, a repartirmos com os necessitados. E isso nos leva a ver mais um motivo pelo qual Gaio é para nós um bom exemplo de crente e servo de Cristo a ser seguido.

3) Ele cooperava com a Verdade, v.5-8

Se Gaio era um homem de posses não temos como saber. A única coisa que sabemos é que ele, com o que tinha, servia aos missionários que “por causa do Nome foi que saíram, nada recebendo dos gentios” (v.7).

João elogia a atitude de Gaio dizendo-lhe: “Amado, procedes fielmente naquilo que praticas para com os irmãos, e isto fazes mesmo quando são estrangeiros” (v.5).

Em 2Jo v.10 João instruiu aos irmãos a que não recebessem aos falsos mestres em sua casa. Aqui, ele elogia Gaio porque fazia do seu lar um ponto de apoio aos missionários do verdadeiro Evangelho mesmo sendo estes desconhecidos (“estrangeiros”) para ele. A hospitalidade de Gaio é-nos exemplar.

Estes missionários, quando vieram ter com João “deram testemunho” do amor de Gaio. Por isso mesmo, ao regressarem para Gaio, este deveria encaminhá-los “em sua jornada por modo digno de Deus” (v.6).

Estes missionários dedicavam suas vidas ao “Nome”, isto é, ao Nome de Cristo. Quando João diz que eles “nada receberam dos gentios” quis mostrar que a responsabilidade de sustentar e financiar a obra missionária é dos crentes em Cristo como fica claro no v.8: “Portanto, devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade”. Que grande privilégio tem os membros da Igreja de Cristo! Se muitos não podem dedicar-se exclusivamente a uma vida de pregação do Evangelho como os missionários, podem ajudar sustentando-os e apoiando-os como fazia Gaio. Os missionários da Igreja de Cristo devem ser sustentados pela Igreja. Você pode ajudar instituições beneficentes fazendo doações, mas, lembre-se de que a obra missionária não recebe ajuda de nenhuma outra instituição além da Igreja, e por esse motivo você deve priorizar o sustento dos missionários e o cuidado com eles.

O contraste com 2Jo v.10 e 11 com 3Jo v.8 merece nossa atenção aqui. O acolhimento dado a quem quer que seja nos associa a essas pessoas. Quem acolhe os falsos mestres torna-se cúmplice com eles “das suas obras más” (2Jo v.11); aqueles acolhem os missionários de Cristo tornam-se “cooperadores da verdade” (3Jo v.8). Associando-se aos falsos mestres e tolerando-os, você se torna um cúmplice (culpado) da mentira deles; associando-se aos missionários que pregam o Nome de Cristo, você se torna um cooperador da Verdade.

O que Deus quer que você faça?

1) Expresse o verdadeiro amor em ações, palavras e sentimentos bons. João desejava a prosperidade de Gaio em todos os aspectos de sua vida. Ele disse para Gaio sobre o seu desejo de vê-lo prosperando em tudo. Não meça esforços para demonstrar amor pelos seus irmãos em Cristo.

2) Coopere com a obra missionária. Você pode cooperar de diversas formas, tais como: orando por eles, se correspondendo com eles, divulgando e buscando mais recursos para eles. Mas, quero aqui desafiá-lo a ajudar financiando a obra missionária. Separe do seu salário uma verba para ajudar os missionários, seja fiel neste compromisso honrando aqueles que vivem para proclamar o santo Nome de Cristo Jesus.

Conclusão

Com quem você se associa é como você será identificado.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 03/11/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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