O Serviço Cristão – 2ª Mensagem

Diótrefes, um mau exemplo a não ser seguido

3Jo v.9-15

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Se Gaio é-nos um bom exemplo de cristão a ser seguido, Diótrefes é um mau exemplo que em hipótese alguma deve ser imitado. Por isso quero meditar com os irmãos sobre: Diótrefes, um mau exemplo a não ser seguido.

Não podemos dizer que Diótrefes era um “mau exemplo de cristão” porque quando se é cristão é incongruente ser mau exemplo. A ordem que João dá a Gaio é clara: “Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom” (v.11).

Diótrefes é um mau exemplo que em hipótese alguma deve ser seguido porque:

1)      Buscava a autoglorificação, v.9

A definição que a Bíblia dá para autoglorificação é a que aparece aqui em relação a Diótrefes: “Diótrefes que gosta de exercer a primazia em tudo”. John Stott afirma que Diótrefes “é visto como alguém que se ama a si próprio mais que os outros”. Isso é o que quer dizer “gostar de exercer a primazia em tudo”.

Enquanto Gaio é descrito como alguém que é desprendido, abnegado, hospitaleiro e amoroso para com os missionários do Evangelho de Cristo, de Diótrefes se diz que: “não lhes dá acolhida”.

Ao que tudo indica, Diótrefes e Gaio eram membros da mesma comunidade local. Enquanto Gaio era uma bênção na vida dos demais, Diótrefes era um estorvo como veremos no próximo ponto.

Diótrefes queria ser o destaque. Até mesmo impediu que chegasse aos irmãos alguma coisa que João havia escrito para a Igreja.

Há alguma discussão sobre qual seria o motivo dessa disputa de Diótrefes com João. Alguns tomando o significado do nome de Diótrefes que literalmente significa “Criado por Zeus” ou “bebê de Zeus”, e que este nome era da aristocracia grega, dizem que a razão da disputa era uma questão de reconhecimento e posição social. Outros comentadores no NT afirmam que a disputa se devia ao fato de que a era apostólica estava chegando ao fim e que a figura de um presbítero ou bispo que exercia primazia sobre outros presbíteros estava surgindo (evento este que originou a igreja romana com a primazia do bispo de Roma sobre os outros).

Contudo, John Stott aponta o real problema dessa disputa: o pecado no coração de Diótrefes. Ele queria o destaque, ele tinha fome de poder, ele queria mostrar quem era que mandava na Igreja, ele havia se esquecido que Cristo “é a cabeça do corpo, da Igreja, Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia” (Cl 1.18).

É isso que o pecado da autoglorificação faz conosco. Faz nosso coração roubar de Cristo a glória que só pertence a Ele. Esse é um dos laços mais frequentes que um pastor, um presbítero ou algum outro líder pode cair.

Esposos que querem ter a primazia em seu lar tornam-se carrascos de suas esposas; pais que querem ser glorificados tornam-se demônios na vida de seus filhos, quando deveriam ser-lhes seus protetores e provedores. A liderança dada a uma pessoa é para ela servir e não para ser servida.

Diótrefes é um mau exemplo porque:

2) Era um estorvo para a Igreja de Cristo, v.10

João então prometeu que indo até aqueles irmãos, encontrar-se-ia com Diótrefes e lhe confrontaria em suas palavras e obras más.

Enquanto João como um verdadeiro cristão falaria diretamente com Diótrefes que em vez de ter feito o mesmo estava “proferindo contra nós palavras maliciosas”, ou seja, difamando João.

Assim então vemos o pecado de Diótrefes em três áreas: nas palavras (“proferindo palavras maliciosas”), nos seus sentimentos (“não satisfeito com estas coisas”) e nas ações (“as obras que ele pratica”).

As ações malignas de Diótrefes encontravam sua origem em seu coração maligno que não só deixava de fazer o que era certo como também impedia os irmãos que queriam fazer, isto é, dar acolhida aos missionários de Cristo. Com certeza Gaio sofria muitos ataques de Diótrefes.

Pessoas cujo coração não foram transformados por Cristo, que ainda continuam escravos do pecado, que usam do Nome de Cristo para se promoverem são um estorvo para a Igreja. Espalham o fel da sua amargura, atrapalham o crescimento dos irmãos, e praticam as obras de Satanás. São agentes do inferno para atormentarem a Igreja. Se não recebem o que querem desferem golpes ferinos contra aqueles que querem somente glorificar a Deus. Postam-se como os donos da Igreja dizendo quem é que fica e quem é que sai. Veja bem, não estamos falando aqui de pessoas que foram afastadas da Comunhão da Igreja por motivos de indisciplina, mas, sim, de líderes que deveriam ser expulsos porque usurpam a autoridade de Deus e Sua glória. Tais líderes se colocam como “os donos da verdade” e não levam em consideração o testemunho da Igreja – Diótrefes não recebia os missionários de Cristo e ainda não fazia conta do testemunho que era dado acerca da honestidade e fidelidade desses missionários os quais “por causa do Nome foi que saíram” (v.7). Mas, porque tais pessoas agem assim? Porque não são convertidos de verdade, não nasceram de novo. É o que veremos no próximo ponto.

Você é alguém que busca a autoglorificação? Você procura servir a Igreja de Cristo, ou busca ser servido por ela? Cuidado! Isso pode ser o sinal de que você ainda não nasceu de novo.

Por fim, Diótrefes é um mau exemplo porque:

3) Não procedia de Deus, v.11

Depois de ordenar ao amado Gaio a que não imitasse o exemplo de Diótrefes, a conclusão a que João chega sobre Diótrefes é que: “Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus”. Não se pode colher laranjas de um espinheiro; não se pode esperar de um não convertido o comportamento de alguém que é convertido. O nosso comportamento autentica a nossa fé. O verbo “praticar” aqui está no presente mostrando que se trata de uma ação contínua. Quem continuamente pratica o que é mau “jamais viu a Deus”, quem continuamente pratica o que é bom “procede de Deus”. Quem nasceu de Deus “viu” a Deus com seus olhos da fé e por isso mesmo, essa “visão” afeta profundamente a conduta da pessoa.

É muito importante lembrarmos que todos nós imitamos alguém. Imitar alguém não é o problema. O problema é a quem estamos imitando. Paulo disse aos efésios que fossem “imitadores de Deus como filhos amados” (Ef 5.1), e se alguém tivesse dúvida de como fazer isso ele então chama a responsabilidade para si e diz que os crentes deveriam imitá-lo assim como ele imitava a Cristo (1Co 4.16; 11.1; Fp3.17). Seguindo a mesma orientação João diz a Gaio que procurasse imitar o que é bom, e dá um modelo cristão para ele: Demétrio (v.12). Um verdadeiro crente não se deixa influenciar pelo contato com ímpios; Demétrio permanecera firme na Fé mesmo estando em contato com Diótrefes. De Demétrio é dado um tríplice testemunho: “todos lhe dão testemunho”, “a própria verdade”, e “nós também”. Mais uma vez reforçamos aqui o que temos dito sobre um bom testemunho, a saber, que um bom testemunho é o que os outros dão a nosso respeito e não o que alardeamos para todos os lados numa autopromoção de nós mesmos. Os que vivem se promovendo são do “grupo de Diótrefes”.

É por isso que precisamos escolher bem os nossos modelos!

O que Deus quer que você faça?

1) Investigue as reais motivações em seu coração. Sempre se pergunte: “Porque quero fazer tal coisa?”. Para você não cair no pecado da autoglorificação e roubar para si a glória que é só de Deus vasculhe sua alma, questione-se sempre sobre as motivações do seu coração, e somente aja quando tiver certeza que está fazendo algo para a glória de Deus.

2) Disponha-se para servir em vez de ficar esperando ser servido. Lembre-se que a essência da vida cristã é o serviço. Crentes que ficam esperando serem servidos tornam-se um estorvo para os demais, vivem criando casos dentro da Igreja, e não poucas vezes difamando aqueles que estão servindo.

3) Confirme com boas obras o seu novo nascimento. Se você nasceu de Deus, imite-O. Se você nasceu de Deus então a sua conduta revelará isso.

 

Conclusão

É a prática da Palavra de Deus que nos afasta do pecado e nos leva a servir uns aos outros.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 10/11/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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