Os Cânticos do Nascimento de Jesus – Parte I

Nessa série de mensagens (ao todo três) quero estudar com você sobre os louvores que foram entoados a Deus na ocasião do nascimento de Jesus. Sem dúvida alguma, podemos retirar dessas passagens preciosos ensinamentos sobre o louvor a Deus, tanto em sua forma quanto em seu conteúdo.

Nessa primeira mensagem veremos:

O louvor de uma pecadora

O cântico de Maria

Lc 1.39-56

Antes de tudo, preciso avisar que ao chamar Maria de pecadora não trago em meu coração qualquer atitude “antirromanista”. Não quero aqui difamar Maria e nem mesmo proferir qualquer palavra nesse sentido. Ao chama-la de “pecadora”, faço-o com base em suas próprias palavras.

Precisamos tomar conhecimento do contexto em que Maria proferiu essas lindas palavras de louvor a Deus. Nos v.39-45 lemos que Maria foi a uma das cidades de Judá na região montanhosa. Lá ela encontrou-se com Isabel, esposa de Zacarias que estava grávida, apesar de ser idosa. Isabel seria a mãe de João Batista.

Ao encontrar-se com Maria, e ao ouvir a sua saudação, Isabel sentiu a criança (João Batista) mexer de uma forma diferente em sua barriga. E ela então disse à Maria: “Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor” (v.45). E partindo dessa declaração de Isabel é que ressalta-se ainda mais as palavras que Maria expressou em seu cântico. Maria era uma pecadora que reconheceu:

 1) Sua necessidade de salvação, v.46,47

Observe com atenção o que ela declarou: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador”. A fórmula aqui “Senhor e Salvador”, é a que os apóstolos utilizaram referindo-se ao Senhor Jesus Cristo. E não há como sermos salvos por Cristo se não O recebermos como o nosso Senhor.

Maria reconheceu que ela necessitava de salvação, e, por isso mesmo, ela reconheceu que Deus era o seu Senhor e Salvador.

A Bíblia diz que todos haverão de confessar Jesus como Senhor, para a glória de Deus Pai (Fp 2.9-11), mas, somente aqueles que O receberam como Salvador, que se abrigaram na Graça do Senhor Jesus e se submeteram ao Seu Senhorio é que serão salvos (Rm 10.9).

Maria era uma pecadora que reconheceu

2) Sua necessidade da Glória de Deus, v.48, 49

Ao constatar que seu nome seria lembrado com admiração por todas as gerações, Maria, em hipótese alguma estava roubando a glória de Deus. Antes, o que ela fez foi admitir que se não fosse a manifestação poderosa de Deus em sua vida (“porque o Poderoso me fez grandes coisas…” v.49), ela não teria a alegria que teve, a saber, ser a mãe do Messias.

No judaísmo as mulheres viviam na expectativa de ser a mãe do Messias. Todas as mulheres piedosas e que aguardavam o cumprimento da profecia feita em Gn 3.15, viviam alimentando a esperança de serem agraciadas com a bênção de dar a luz ao Messias. Você imagina agora a alegria de Maria?!

Pois bem, ela não roubou a glória de Deus. Antes, ela voltou-se para Deus em louvor mostrando sua gratidão, alegria e satisfação em Deus.

Como uma pecadora agraciada por Deus, Maria também reconheceu

3) Sua necessidade da misericórdia de Deus, v.50-55

Em seu cântico Maria ressalta várias vezes a importância da humildade de um coração quando este louva a Deus. É certo que Deus é misericordioso, mas, é fato também que Ele revela a Sua misericórdia somente aos de coração humilde. Soberbos não desfrutam da misericórdia de Deus. Os soberbos são por Ele dispersados (v.51), derrubados de seus pedestais de orgulho (v.52). Porém, aos humildes Ele concede Sua misericórdia “de geração em geração” (v.50), saicia-lhes suas necessidades (v.53).

A humildade sempre foi vista pelos ímpios como sinal de fraqueza. O romanos destruíam os humildes; os gregos debochavam; Friederick Nietzsche via a humildade como uma autoproteção disse: O verme pisado encolhe-se. Atitude inteligente. Com isso reduz a probabilidade de ser pisado de novo” (Crepúsculo dos ídolos). Mas, tudo isso é o oposto do que a Bíblia fala sobre a humildade.

A humildade é o reconhecimento de que apesar do todos os nossos esforços e qualidades somos tão miseráveis, tão pobres, tão deploráveis, e que por isso necessitamos da misericórdia de Deus. É a misericórdia de Deus que resgata o pecador da sua miséria, lhe dá sentido à vida.

Por fim, Maria como uma pecadora reconheceu

4) Sua necessidade da fidelidade de Deus, v.54-56

Deus cumpriu Sua promessa feita aos patriarcas. Ali no ventre de Maria estava a concretização da promessa de Deus e a constatação de que Ele é fiel em todas as Suas promessas.

Como todos os servos piedosos de sua época, Maria aguardava o cumprimento da promessa de Deus. E ela viu que Deus lembrou-se “da sua misericórdia a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre” (v.54,55).

Aplicações Práticas

Como propus no início dessa mensagem, essa série tem como objetivo trabalhar a adoração e o louvor que devemos render a Deus.

Toda vez que você for adorar a Deus, quer seja com orações, palavras ou cânticos, quer seja no seu culto particular ou coletivo tenha sempre em mente que é necessário reconhecer que

Você necessita de salvação: de todas as necessidades que você tem nesta vida, a principal é a de ser salvo eternamente. Foi para esse propósito que Cristo veio ao mundo.

Você necessita da Glória de Deus: a única coisa capaz de satisfazer o vazio do seu coração é a glória de Deus. Não se contente e nem se deleite com a glória desse mundo. Ela é ilusão.

Você necessita da misericórdia de Deus: Se Deus não Se revelasse, se Ele não Se desse a conhecer, ninguém poderia conhecê-Lo. Ao revelar-Se a nós Ele nos mostra Sua misericórdia e amor. Você só pode levantar sua voz para louvá-Lo porque Ele o capacitou a isso.

 Você necessita da fidelidade de Deus: até para você manter-se fiel a Ele, você necessita que Ele seja fiel cumprindo as promessas que Ele fez de sustentar-lhe.

É por tudo isso que o louvor a Deus é algo que tem origem Nele e encontra sua finalidade somente Nele. Maria compreendeu isso.

Mensagem proclamada na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul, São José dos Campos, em 18/12/2011

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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2 Responses to Os Cânticos do Nascimento de Jesus – Parte I

  1. marina says:

    Bom Dia!!
    Graça e Paz!!
    Pastor li as três mensagens,muito edificantes e nos faz refletir qual seja a atitude que devemos ter quando falamos de adoração so SENHOR, que não venhamos a nos esquecer que tudo deve ser feito visando a GLÓRIA DE DEUS, e, que carecemos Dele para realizarmos todas as coisas, precisamos reconhecer nossa total dependência do Altíssimo.
    DEUS o abençõe
    Um grande abraço ao senhor, a Janaína e Ana Cristina.
    De: Marcos e Marina

    • Oi amada,
      Enquanto não aprendermos que dependemos de Deus para fazer a vontade Dele, enquanto não descansarmos somente no poder de Jesus para isso, nossas ações jamais agradarão a Deus.
      Não é o talento do músico, a habilidade do pregador, etc, que torno o nosso louvor aceitável a Deus, mas, sim, a mediação de Jesus Cristo: “Porque Dele, e por meio Dele e para Ele são todas as coisas. A Ele pois, a glória eternamente. Amém”.

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