Os Cânticos do Nascimento de Jesus – Parte II

Continuando nossa série de mensagens sobre os cânticos entoados na ocasião da anunciação e do nascimento do Senhor Jesus Cristo, veremos agora

O louvor de um emudecido

O cântico de Zacarias

Lc 1.67-80

Quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias que sua esposa Isabel daria à luz um filho que seria o precursor do Messias, Zacarias foi emudecido por Deus e durante toda a gestação de Isabel ele não pôde dizer uma palavra sequer (cf. 1.18-20).

João Batista nasceu. Os vizinhos e parentes do casal ao saberem do nascimento de João foram para lá se regozijarem com o casal (cf. 1.58) e Zacarias ainda estava mudo. Na hora de escolherem o nome da criança, todos quiseram que se cumprisse a tradição de colocar o nome do pai no menino. Mas, Isabel insistiu que deveria ser João. E a discussão aumentou até que Zacarias pediu uma tabuinha na qual ele escreveu “João é o seu nome” (v.63). E imediatamente, sua boca se abriu e ele voltou a falar como antes.

Imagine-se no lugar de Zacarias. Uns nove meses sem poder dizer uma só palavra, justamente quando se tinha tanto a dizer. Quais seriam as suas primeiras palavras? “Ufa! Até que enfim voltei a falar!”, ou seria algum desabafo por Deus ter-lhe deixado mudo esse tempo todo?! Não foi o caso de Zacarias. A Bíblia diz que “desimpedida a língua, falava louvando a Deus” (v.64).

Voltando ao cântico de Zacarias bem que ele poderia ter o seguinte título: “O dia em que Deus visitou e redimiu Seu povo”. No v.68 ele disse: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo”.

O verbo “visitar” aqui não significa dar uma passada temporária, mas, sim, “olhar a aflição do povo e vir em socorro do mesmo”.

Vejamos quais verdades preciosas encontramos nesse cântico que Zacarias entoou em louvor a Deus, verdades essas que devem estar presentes em nossa adoração ao Senhor.

Deus visitou o Seu povo

1)      Para libertá-lo dos seus inimigos, v.71, 74 e 75

É claro que Zacarias tinha em mente aqui a libertação política e isto pode ser visto em todo o seu cântico. O povo de Israel durante toda a sua história passou por vários momentos de opressão por parte de inimigos. Nos dias de Zacarias era o império romano que subjugava Israel.

Contudo, a libertação e redenção espiritual estão presentes aqui também, até mesmo porque assim como Israel prefigurava a Igreja de Cristo como povo de Deus, os inimigos de Israel prefiguravam os inimigos da Igreja de Cristo.

Sejam quais forem os inimigos do povo de Deus, o que importa é sabermos que fomos libertos por Ele quando Ele visitou-nos e redimiu-nos. E o propósito dessa redenção é conceder-nos que “livres das mãos de inimigos, o adorássemos sem temor em santidade e justiça perante ele todos os nossos dias”.

A nossa adoração não é somente a resposta e o resultado da redenção que Deus realizou em nossas vidas, ela é também o propósito para o qual Deus nos resgatou. É por isso que murmuração e reclamação não ficam bem nos lábios de um crente, pelo fato de ser o oposto daquilo para o que ele foi salvo.

Deus visitou o Seu povo

2) Para dar conhecimento da Sua misericórdia, v.72, 77 e 78

Misericórdia literalmente significa: “sentir a dor da miséria do outro em seu coração”. E foi isso que Deus fez. Ele sentiu a nossa dor em Seu coração.

No v.72 Zacarias aponta para o fato de que Deus cumpriu Suas promessas feitas aos patriarcas.

No v.77 falando sobre a obra que João, seu filho, realizaria de preparar o caminho para o Messias, Zacarias mostra que caberia a João dar conhecimento e revelar ao povo de Deus a Sua salvação. Tudo isso porque Deus é misericordioso.

No v.78, Zacarias usa um termo muito expressivo em relação à misericórdia de Deus. Ele diz: “graças à entranhável misericórdia de nosso Deus”, o que quer dizer: “o coração da misericórdia”, “ o mais profundo do Ser de Deus”.

Quando pensarmos na Graça de Deus não devemos vê-la de forma banal ou minimizá-la. A Graça de Deus é o ato de amor mais lindo, mais profundo, mais forte de todo o universo. E foi com esse amor que Ele amou.

Só podemos louvar a Deus porque um dia com Seu maravilhoso, indescritível e poderoso amor Ele nos transformou em Seus filhos.

Por fim, Deus nos visitou:

3) Para resplandecer Sua luz sobre ele, v.78 e 79

Zacarias chama o Senhor Jesus de “o sol nascente das alturas” que visitaria o Seu povo. Se no v.68 Zacarias disse que Deus visitou o Seu povo, olhando a sua aflição, agora, no v.78 Zacarias aponta para o fato de que Deus nos visitou na pessoa do Seu Filho, tornando-Se um de nós.

Deus nos visitou por meio de Jesus Cristo, e quando este Sol Nascente das alturas veio até nós, trouxe Sua luz “sobre os que jazem nas trevas e na sombra da morte”. Essas palavras nos remetem ao Sl 23 que fala sobre o Bom Pastor que está presente e por isso, Suas ovelhas não temem quando andam pelo vale da sombra da morte.

Enquanto vivermos neste mundo estaremos no “vale da sombra da morte”. Este mundo nos é hostil. Somos ameaçados o tempo todo por inimigos cruéis que tentam demover-nos da Fé. Mas, não temos o que temer, pois, nosso coração foi alumiado pela luz do Sol Nascente das alturas.

Quem anda na luz de Cristo Jesus também desfruta da bênção de ter os seus pés dirigidos “pelo caminho da paz”. Novamente somos lembrados do Sl.23 que nos mostra como o Bom Pastor guia-nos “pelas veredas da justiça por amor do Teu nome”. A paz que Cristo dá ao crente anda de mãos dadas com a Sua justiça. Só estamos em paz quando andamos na justiça de Deus. E foi justamente isso que Deus fez ao justificar-nos por meio de Jesus, pois, lemos em Rm 5.1: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus”. A Justificação que Deus realizou em nós, nos trouxe a paz com Deus. E Cristo nos guia neste caminho de Paz.

Conclusão

Louvando a Deus não se esqueça:

– Você foi liberto para louvá-Lo;

– Você só pode louvá-Lo por Sua misericórdia;

– Você deve continuar no caminho da justiça para desfrutar da Sua paz.

Mensagem proclamada na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul, São José dos Campos, 25/12/2011

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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