Os Cânticos do Nascimento de Jesus – Parte III

Encerrando essa série mensagens sobre os louvores que foram entoados a Deus na ocasião do nascimento de Jesus, veremos hoje:

O louvor de um esperançoso

O cântico de Simeão

Lc 2.25-35

Sobre Simeão pouco se sabe além do que este trecho das Escrituras fala sobre ele. Seria ele um sacerdote a julgar pelas palavras do v.27 ou seria um fiel e piedoso servo de Deus que tinha prazer no templo do Senhor? Eu particularmente prefiro a segunda opção.

Mas, o pouco que sabemos dele é o suficiente. O v.25 diz: “homem justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele”. Poucos homens antes de Jesus ter vindo ao mundo e do Espírito Santo ser derramado sobre os crentes recebem uma descrição dessas, a saber, o Espírito Santo estar sobre seus corações.

Simeão esperava a consolação de Israel, por isso mesmo, ele era um esperançoso.

Movido pelo Espírito Santo ele foi ao templo e justamente naquele momento, o casal José e Maria vieram também ao templo trazer Jesus para apresentá-Lo depois de cumprirem o ritual da circuncisão, conforme prescrevia a Lei de Moisés.

O menino Jesus tinha somente oito dias de vida. Ao ver aquele bebezinho nos braços dos seus pais, Simeão orientado pelo Espírito Santo viu que aquele bebezinho era a “consolação de Israel”. José e Maria sempre souberam quem era aquele bebezinho; mas, agora, um homem (possivelmente estranho a eles) toma seu bebezinho nos braços e louva ao Senhor Deus com um dos cânticos mais belos registrados nas Escrituras.

Neste cântico de Simeão aprendemos verdades preciosas sobre a nossa esperança:

1)      Ela está calcada na Palavra de Deus

Ao ver que aquele bebezinho era a concretização da promessa de Deus em enviar o Salvador ao Seu povo, Simeão declara: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra” (v.29). Deus havia lhe prometido que ele não morreria “antes de ver o Cristo do Senhor”( v.26).

Um servo do Senhor vive pela direção da Palavra de Deus. Não é o que o mundo diz, não é o que o seu próprio coração diz, mas, sim, o que o Senhor diz é que direciona e guia a vida de um servo Dele.  

É lamentável como temos facilidade em encontrar guias para o nosso coração que estão em desacordo com a Palavra de Deus. Colhemos consequências amargas das escolhas que fizemos, e um dos principais frutos amargos dessas escolhas erradas é que perdemos a esperança.

Mas quem se deixa guiar pela Palavra de Deus não perde a esperança. Quem é guiado pela Palavra de Deus tem viva em seu coração a bendita esperança de que Deus jamais desampara os Seus filhos.

Outra verdade sobre a nossa esperança é que:

2) Ela é uma pessoa: Jesus Cristo

Nossa esperança em Deus não é uma filosofia, um sistema doutrinário. É uma pessoa. E essa pessoa é o próprio Filho de Deus: é Jesus Cristo.

Simeão disse em seu cântico de louvor a Deus: “porque os meus olhos já viram a tua salvação” (v.30). E ele se referia a Jesus Cristo.

Seguir o Evangelho não é seguir uma filosofia de vida, mas, sim, seguir a Cristo! Ele jamais nos convidou para seguirmos Seus ensinamentos sem seguirmos a Ele próprio. Ele nos chama para transforma-nos em Seus discípulos. É claro que seguimos Seus ensinamentos, mas, estes não se separam de Sua pessoa.

Não precisávamos de um sistema doutrinário diferente, nem mesmo de uma nova religião. Nós precisávamos de um Salvador, um Resgatador! E foi isso que o Senhor Jesus veio fazer.

Quando no início da nossa Igreja aqui neste bairro, junto ao Rev. Paulo Gérson Uliano, buscava um lema para a nossa Igreja, o qual definiria nossa existência como Igreja. Há dez anos as estratégias de marketing não haviam infestado as igrejas como vemos hoje. Ele então me disse: “Vamos colocar 1Tm 1.1 como lema”. E assim decidimos que ficaria: “Cristo Jesus, nossa esperança”.

Louvo a Deus por essa escolha porque nosso lema não está em estratégias de marketing, não está em filosofias humanas, e muito menos em nós mesmos, mas, sim, é uma declaração de fé em Cristo Jesus.

Nós precisamos levar Jesus ao mundo; precisamos falar para as pessoas que só Jesus é a esperança para elas. Foi justamente isso que Simão disse quando mostrou sobre a nossa esperança:

3) Ela deve ser compartilhada

Nos v.31 e 32 lemos: “a qual preparaste diante de todos os povos; luz para revelação aos gentios e para glória do teu povo de Israel”. Essas palavras nos mostram que o Senhor Jesus é a esperança para todos os povos. Aqui está implícita a ordem de proclamarmos o Evangelho.

Jesus é a “luz para a revelação aos gentios”, ou seja, enquanto os povos não conhecem a Cristo, eles jazem na região das trevas e na sombra da morte como disse Zacarias em seu cântico (Lc 1.79).

Jesus é a “glória para o teu povo de Israel”. Contudo, Israel o rejeitou, e nessa rejeição de Israel, Deus então, conforme estabelecera desde a eternidade, Se volta para os gentios e faz nascer Sua Igreja. Jesus é a glória da Igreja. Não há adoração verdadeira, não há obra missionária efetiva sem que Cristo seja visto como a glória da Igreja. A nossa glória não está no que fazemos para Deus, mas, sim, no que Deus fez por nós ao dar-nos Jesus Cristo.

É Cristo que devemos levar ao mundo!

Conclusão

Os três cânticos do nascimento de Jesus que estudamos (o de Maria, o de Zacarias e o de Simeão) vêm nos mostrar algo maravilhoso: se Cristo não tivesse vindo ao mundo, não haveria razão para cantar, louvar, compor músicas e poesias. Se Cristo não tivesse vindo ao mundo não teríamos razão para viver; não teríamos esperança!

Cristo veio ao mundo para nos dar a única esperança verdadeira: Ele mesmo.

Por mesmo devemos mostrar ao mundo que:

– nossa esperança está calcada na Palavra de Deus;

– nossa esperança é o Senhor Jesus Cristo;

-nossa esperança deve ser compartilhada com todos.

Quando vivemos a esperança que Deus nos dá, O glorificamos como Ele espera que o façamos.

Meu desejo é que essa reflexão nos leve à     adoração verdadeira, comprometida somente com a glória de Deus, confiantes somente na pessoa de Jesus Cristo e livre de vaidades do nosso coração. Que Ele assim nos conduza sempre!

 

Mensagem proclamada na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul, São José dos Campos, 25/12/2011

Rev.Olivar Alves Pereira

 

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
This entry was posted in Reflexão Bíblica. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.