Os Cinco Brados da Reforma Protestante do Século XVI

Neste dia 31 de outubro nós comemoraremos 494 anos daquilo que eu considero o maior avivamento espiritual depois de Atos dos Apóstolos: a Reforma Protestante do século XVI.

Este dia foi escolhido como o marco histórico da reforma porque Martinho Lutero fixou suas 95 teses contra a Igreja Católica na porta da capela do castelo de Wittenberg (Alemanha).

Os reformadores, como ficaram conhecidos estes homens de Deus que juntamente com Lutero enfrentaram o poder da Igreja, levantaram um brado que ficou conhecido como os “Cinco Solas, ou seja, os cinco “somente”.

A Igreja Católica se apoia na tradição da Igreja (abrindo as portas para todo tipo de superstição), a autoridade papal por meio de suas encíclicas, e na Bíblia. Ainda que ela diga que a Bíblia é uma de suas bases, ela a coloca em mesmo pé de igualdade que as outras duas. Já a Reforma Protestante fez uma faxina. Para nós cristãos reformados a Bíblia é a única autoridade e fonte da revelação especial de Deus. Em outras palavras, jamais poderemos conhecer a Deus como Ele quer que O conheçamos a não ser por meio de Palavra.

Em decorrência disso, os reformadores levantaram “Os Cinco brados da Reforma Protestante do Século XVI”.

Tomaremos como base do texto de 2Co 4 entendendo que este texto não foi escrito para dar base aos cinco brados da Reforma, até mesmo por que isso seria um anacronismo dos mais absurdos. Contudo, como a Reforma Protestante está totalmente firmada na Palavra de Deus não encontramos nenhuma dificuldade para acharmos em toda a Bíblia bases para as afirmações da Reforma, como nos mostra este texto de 2Co 4.

Em 2Co 4 Paulo continua o assunto que vinha discorrendo no cap.3, a saber, “A excelência do ministério da Nova Aliança”, por isso ele começa o cap.4 dizendo: “Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfaleçamos” (v.1).

 1) “Sola Scriptura” – Somente a Escritura (v.2-5)

A Palavra de Deus norteia em todos os sentidos a vida do servo de Deus. Ela é a sua única regra de fé e prática, e o servo de Deus tem profundo respeito e cuidado com ela.

No v.2Paulo nos mostra como a Palavra de Deus tinha preeminência em sua vida. Coisas ocultas e vergonhosas ele desprezou; vida que não ferisse a consciência das pessoas ele viveu, e o Evangelho puro, não adulterado, ele pregou.

Nos v.3-5 ele mostra que o Evangelho de Cristo tem dupla função: salvar os eleitos e condenar os reprovados. Qualquer mensagem diferente dessa que pregarmos, não é o Evangelho de Cristo. O deus deste século cega os corações, e este deus é sem dúvida alguma Satanás. Paulo não o coloca no mesmo pé de igualdade com Deus, mas, sim, está nos mostrando que Satanás faz com que o mundo seja mais atrativo do que o céu aos homens. Quem ama mais o mundo do que a Deus jamais entrará no Reino de Deus. Por isso mesmo, como Paulo, não devemos pregar nossas ideias “mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor a Jesus” (v.5).

 2) “Sola Gratia” – Somente a Graça (v.6 e 15)

Pode Satanás cegar os corações, mas, quando Deus resplandece com Sua Luz em um coração, não há trevas que resistam.

O v.6 nos mostra que quando Deus quer revelar Sua Graça salvadora a um coração nada e ninguém pode detê-Lo. Aleluia! Ele resplandece num coração para iluminar-lhe com Seu conhecimento da Sua Glória, por meio de Cristo. Voltaremos a esse ponto mais a frente.

No v.15 Paulo mostra como a Graça de Deus atua neste mundo. Alguém que foi alcançado pela Graça de Deus deve transmiti-la a outros, pois, assim a Graça multiplica-se por meio da pregação e outros são por ela alcançados. Dessa forma um povo que glorifica a Deus é formado.

A Graça de Deus é o amor Dele por nós pecadores que não merecíamos e jamais mereceremos esse amor. A Graça de Deus nos mostra o quanto um Deus Santo e Bom pode amar pecadores miseráveis como nós. Se o seu coração compreendeu isso, passe a diante!

 3) “Solus Christus” – Somente Cristo (v.5 e 6)

Somente por meio de Cristo o pecador se reconcilia com Deus. No v.5 Paulo afirma: “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus”. Cristo era o centro da mensagem de Paulo e não suas próprias ideias como tantos fazem hoje.

No v.6 ele fala da obra de salvação realizada por Deus e diz que esta obra é realizada “na face de Cristo”, e isto quer dizer que as maravilhas de Deus são manifestadas na pessoa de Cristo.

Não é um pontífice pecador com sua pompa papal, ou um pastor com sua pirotequinia ilusória, mas, somente Jesus Cristo é quem nos revela Deus e pode nos salvar. Se alguém propõe outro evangelho que tenha como fundamento outra pessoa que não o Senhor Jesus, seja anátema (Gl 1.8)!

Cristo é o centro de nossas mensagens! Cristo é o centro de nossas vidas! Não existe salvação fora Dele; não podemos conhecer a Deus e as maravilhas da Sua Graça sem contemplarmos, amarmos e servirmos a Jesus Cristo como Senhor.

 4) “Sola Fide” – Somente a Fé (v.8-13 e 16-18)

Somente pela Fé em Cristo é que o coração apropria-se das maravilhas da Graça Salvadora reveladas na pessoa de Jesus Cristo e registradas nas Escrituras.

Os v.8-13 e 16-18 nos mostram que a Fé em Cristo não é um conhecimento teórico apenas, mas, sim, um conhecimento que se transforma em convicção, e esta convicção norteia nosso viver diário.

Nos v.8-13 Paulo descreve o viver do crente como um verdadeiro campo de batalha onde podemos ser: (1) atribulados, isto é, passar por dificuldades, mas, não ficarmos angustiados; (2) podemos ficar perplexos, isto é, sentirmos insegurança, mas, não ficaremos desanimados e nem deixaremos de vencer; (3)perseguidos, mas, não nos sentiremos abandonados por Jesus, isto é, se formos perseguidos por causa Dele; (4) abatidos, literalmente, deitados por terra, mas, não seremos destruídos. Tudo isso porque trazemos em nosso viver o morrer de Cristo (v.10).

No v.11 vemos que a vida do servo de Deus só encontra sentido se vivida na presença Dele e por Ele, e por essa razão o servo de Deus não se preocupa com outra coisa a não ser fazer a vontade de Seu Senhor doando-se em favor de tantos quantos o Senhor lhe confiar.

No v.13, citando o Sl 116.10, Paulo aplica a si mesmo essa verdade e a todos quantos foram alcançados pela Graça de Deus: “Eu cri; por isso, falei. Também nós cremos; por isso, também falamos”. Com essas palavras Paulo está mostrando que quem diz ter crido em Cristo, não fica guardando somente para si essa bênção; antes, ele transmite a outros.

Nos v.16-18 Paulo mostra como o viver pela Fé em Cristo faz com que o crente veja para que servem as tribulações. O crente não deve atentar para as tribulações dando a elas um peso maior que elas têm, até mesmo porque elas são “leves e momentâneas” se comparadas aos “eterno peso de glória” que Cristo tem para os que O amam.

Viver pela Fé em Cristo é viver em obediência total a Ele, especialmente no que diz respeito a comunicar a outros essa maravilhosa Graça.

5) “Soli Deo Gloria” – Somente a Deus a Glória (v.6, 7 e 15)

Crer que somente as Escrituras como regra de fé e prática, crer que somente pela graça de Deus é que podemos ser salvos, crer que somente Cristo pode nos valer diante de Deus e que todas essas bênçãos e verdades são apropriadas pelo crente por meio da Fé em Cristo somente, apontará somente e totalmente para a Glória de Deus. É a conclusão óbvia que chegamos.

O v.6 nos mostra que ao resplandecer em nosso coração, Deus nos ilumina com Seu conhecimento da Sua Glória. Isso é tão maravilhoso, pois, isso nos mostra que o objetivo de Deus em nos criar e nos salvar não é outro senão a Sua própria Glória e nela nos satisfazermos. Como disse John Piper: “Deus é mais glorificado em nós quando somos mais satisfeitos Nele”.

O v.7 nos mostra que embora sejamos o alvo do amor de Deus, embora tenhamos a incumbência abençoada de proclamarmos o ministério da Nova Aliança, toda a glória deve ser dada a Deus e nunca a nós, meros vasos de barro!

No v.15como já vimos anteriormente, cada eleito alcançado pela pregação do Evangelho, cada coração alcançado pela Graça de Deus, redundará em louvor da Glória Dele.

Quando a Igreja perde de vista a Glória de Deus, necessita urgentemente de uma Reforma como a que aconteceu no século XVI.

Conclusão

Louvemos a Deus pela Reforma Protestante. Somos herdeiros dela, mas, nunca nos esqueçamos que a Reforma Protestante não é um fim em si mesma, mas, sim, um instrumento que Deus usou para resgatar a Verdade Bíblica.

Rev.Olivar Alves Pereira

Mensagem proclamada na IPBJardimSum, São José dos Campos em 30/10/2011.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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