Os dois (únicos) resultados da pregação do Evangelho

Uma lei natural é: tudo o que fazemos tem resultados. A Bíblia chama isso de “lei da semeadura” e diz: “…pois tudo aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6.7b). Essa lei também aplica-se também à pregação do Evangelho. Não existe pregação que não tenha resultados. Toda vez que o Evangelho é pregado surgirão os resultados. O próprio SENHOR Deus declarou através de Seu profeta Isaías que: “assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Isaías 55.11). É claro que com isso Deus não está dizendo que todas as vezes que Sua Palavra for proclamada haverá conversões. Muitas vezes o que ocorrerá é justamente o contrário: os corações permanecerão endurecidos e se rebelarão ainda mais contra Deus. Esses são os dois únicos resultados da pregação do Evangelho: a conversão dos eleitos, e, a permanência da dureza de coração dos reprovados.

Quando o Evangelho é anunciado um desses dois resultados, ou os dois ao mesmo tempo acontecerão. Tanto pode ser que ninguém se converta permanecendo com o seu coração duro pelo pecado e cheio de justiça própria, quanto poderá haver conversões sinceras de corações que foram preparados pelo Espírito Santo para receberem a Palavra de Deus.

Nos campos missionários esses resultados são vistos com clareza. Ouvimos relatos de missionários que passaram anos a fio evangelizando um povo, e nenhuma viva alma se converteu. Enquanto que em outros relatos, quando os missionários chegaram em um determinado lugar, ao pregarem o Evangelho ocorreu uma conversão quase que maciça. E foi o mesmo Evangelho anunciado. Aos olhos humanos esses resultados deveram-se à habilidade dos missionários, no caso das conversões, ou à falta de habilidade dos missionários que não viram uma conversão sequer. Mas, esse é um ledo engano, pois, se o Evangelho foi proclamado com fidelidade, clareza e até mesmo com habilidade por parte dos missionários, não foi por isso que as conversões aconteceram (ainda que Deus possa se valer desses expedientes humanos), mas, sim, porque Deus quis e chegou o tempo da salvação daquelas pessoas.

Diante disso, ao mesmo tempo em que me sinto aliviado, também me sinto com uma responsabilidade imensa sobre os meus ombros.

O alívio se dá pelo fato de que Deus não exige conversões na minha pregação. Se elas acontecerem foi porque o Espírito Santo de Deus assim quis fazer. Se não aconteceram, foi porque assim também Ele não quis pelas razões que só Ele conhece. Dessa forma abro a Bíblia e prego o Evangelho sabendo que o meu “departamento é o de propaganda” enquanto que o “departamento administrativo” é de Deus.

Porém, a responsabilidade que sinto pesar sobre os meus ombros diz respeito à fidelidade com que devo pregar e viver o Evangelho. Tenho de apresentar o Cristo que é revelado nas Escrituras Sagradas, pois, qualquer outro Cristo que é pregado pela filosofia, pelas mais variadas linhas de pensamento de tudo o que é chamado de “cristianismo”, não corresponde ao Verdadeiro Cristo das Escrituras. Muitos pregadores movidos mais pela compaixão pelos pecadores do que pela glória de Deus (não que ter compaixão pelos pecadores seja algo errado, mas, ter, compaixão por eles sem apresentar-lhes o Verdadeiro Cristo das Escrituras, isso não é compaixão – é engano!), sucateiam o Evangelho de Cristo transformando-o numa filosofia de quinta categoria. Tiram de suas mensagens aquilo que as Escrituras chamam de “o escândalo da cruz”, isto é, que o pecado do homem só pôde ser removido pelo sangue puro e santo de Jesus Cristo, o Qual morreu porque Deus, o Pai, assim determinou para a salvação do Seu povo. Ao removerem “o escândalo da cruz” de suas mensagens, tais pregadores passam a ideia demoníaca de que o homem não é tão mal assim, e que, dessa forma, o que ele precisa é de uma “melhorada” na sua moral, e não de uma transformação completa do seu ser, de um novo nascimento no Espírito Santo (regeneração).

É tão séria essa questão da fidelidade na pregação do Evangelho que podemos afirmar que, se o Verdadeiro Evangelho não for anunciado fielmente não acontecerão conversões genuínas e profundas. Não devemos nos esquecer que uma pessoa pode se converter a qualquer ensinamento e qualquer seita herética, porque conversão em si nada mais é do que mudar a direção em que estava seguindo. Logo, se o Verdadeiro Evangelho não for proclamado, as “conversões” que surgirão poderão não passar de uma conversão ao erro.

Se você pregou o Evangelho com integridade de coração e com fidelidade às Escrituras Sagradas, e ninguém se converteu, não desanime. Se você viu pessoas se converterem, vigie o seu coração para não roubar a glória que pertence somente a Deus!

 

Rev. Olivar Alves Pereira

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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