Pela Graça, mas, não de graça

Como prescrevo a Teologia Reformada como sistema doutrinário para minha vida e ministério, creio que a Bíblia revela-nos uma das verdades mais preciosas que encontramos nesta vida: uma vez que Cristo salva uma pessoa, esta, está (e é) salva para sempre. Textos como João 10.28 e 29, Romanos 8.28-39 entre tantos outros, garantem que uma vez que Deus transforma um pecador em um filho Dele (João 1.12) isso é irreversível. 

Eu sei que se você não concorda com essa afirmação já deve ter formulado a seguinte pergunta: “Mas, e se a pessoa se desviar, e se vier a morrer estando desviada? Ela ainda está salva?”. Entendo que é possível a um crente se desviar dos caminhos do Senhor, mas, não permanentemente. Em algum momento ele será trazido de volta para Deus e com Ele se reconciliará.

Neste momento, talvez você esteja pensando: “Então se estou salvo para todo o sempre, e nenhum pecado que eu cometer poderá fazer com que eu perca a salvação, então posso viver como bem entender”. Eu lhe digo que se você pensa assim, deve questionar seu conceito de salvação, pois, com toda probabilidade você não passou pela experiência da conversão verdadeira a Cristo, e portanto, ainda não é um filho de Deus nas condições de João 1.12. Você está barateando a Graça (favor não merecido) de Deus, você usando a Graça como pretexto para o pecado. John MacArthur em seu livro “O Evangelho segundo Jesus” (Ed. Fiel) afirma: “A graça não nos concede permissão para vivermos na carne; ela nos supre com poder para vivermos no Espírito” (p.39).

Viver na Graça não significa ter licença para pecar e no final saber que será perdoado. Isso é o que Hebreus 10.26 chama de “viver deliberadamente em pecado”. Para quem vive assim, a “expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (v.27). Viver na Graça de Deus é ter constantemente a consciência de que essa grandiosa bênção nos capacita a fazermos justamente aquilo que Ele quer que façamos.

A salvação é um dom de Deus, e a santificação é o fruto da salvação. Logo, que se diz salvo mas, não obedece à Palavra de Deus, não tem nem uma coisa e nem outra. Na linguagem de Tiago, tal pessoa está enganando-se a si mesma (Tiago 1.26).

A vida de santidade para a qual fomos salvos diz respeito à uma vida de obediência à Palavra de Deus e sujeição da nossa vontade à Dele. Se por um lado a nossa salvação é pela Graça de Deus, no sentido de que não há dinheiro, obra ou qualquer outra coisa neste mundo que possa pagar por ela, e, por isso mesmo teve que ser vertido o sangue de Jesus lá na cruz, a salvação custou muito caro para Deus, pois, Ele teve de dar o Seu Filho Amado em nosso lugar. Por outro lado, a salvação custa-nos tudo. Tudo o que amamos, tudo o que queremos, tudo o que desejamos, deve ser submetidos a Cristo para dizermos como Paulo disse: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2.20). Nas palavras do próprio Senhor Jesus em Lucas 9.23: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”. É isso o que eu quero dizer quando afirmo que a salvação nos “custa tudo”. Contudo, esse nosso “tudo” não tem valor algum diante do valor do sacrifício de Jesus.

Como disse o puritano Isaac Wats: “Um amor assim merece o meu amor, o meu ser, o meu tudo”.

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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