Senhor, faça de novo!

Há 494 anos, no dia 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano, Martinho Lutero afixou nas portas da capela do Castelo de Wittenberg (Alemanha) suas 95 teses (ou acusações) contra a Igreja Católica. Depois de muito lutar em seu coração em busca do perdão de Deus o qual ele desejava mais do que tudo nesta vida, orientado por seu abade superior a que lesse a Bíblia e tentasse encontrar ali alguma resposta para os seus dilemas, Lutero já influenciado pelo trabalho e pensamento daqueles que ficaram conhecidos como os “precursores da Reforma” ou “pré-reformadores” dentre os quais destacaram-se John Huss e John Wycliffe, os quais denunciaram os abusos e desmandos do clero católico.

Os reformadores (ou protestantes) como ficaram conhecidos, levantaram o brado que ficou conhecido como “os cinco solas“: Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Sola Scriptura, Soli Deo Gloria”, que traduzindo fica: Só a Graça, Só a Fé, Só Cristo, Só a Escritura, Só a Deus a Glória”.

Fico pensando se esse grande avivamento espiritual chamado de “Reforma Protestante” não tivesse acontecido, como estaríamos hoje.

Na Ciência ainda estaríamos tolhidos dos muitos avanços e invenções que conseguimos desde que Galileu disse que estamos num “sistema solar” e não num “geocêntrico”.

Na Medicina ainda estaríamos tão atrasados e ainda sendo dizimados por doenças que hoje são perfeitamente controladas, só porque o estudo da anatomia humana, ou o dissecar um cadáver era um sacrilégio.

Na Política ainda teríamos que aguentar o papa nomeando os seus “paus mandados” como reis em cada nação para que as mesmas continuassem a sustentar o luxo nojento do clero.

Na Educação veríamos somente os filhos dos ricos e nobres tendo acesso ao conhecimento enquanto a maioria pobre ficaria de fora das escolas nas quais os clérigos ensinavam.

Olhando por esse prisma, a Reforma Protestante foi o maior evento secularizador da História, pois, libertou a humanidade dessa religião opressora, gananciosa e inescrupulosa chamada catolicismo.

Mas, o maior benefício da Reforma Protestante para a humanidade está muito acima de ter sido um movimento social e político. A Reforma Protestante tirou todo o entulho da tradição que a igreja católica colocara sobre a Bíblia. Para a igreja católica os “pilares” da sua fé são: a tradição da igreja, a autoridade papal (por meio das encíclicas) e a Bíblia. É claro que a Bíblia está entulhada debaixo das asneiras papais e das tradições da igreja que em boa parte são superstições.

Ao resgatar a autoridade das Escrituras como “única fonte de regra, fé e prática” a Reforma logo tratou de colocar a Bíblia nas mãos de todos. Daí veio a necessidade da alfabetização e homens como Jacob Comenius empenharam todos seus esforços e recursos para que ao lado dos templos protestantes fossem construídas escolas onde todas as crianças pudessem ser alfabetizadas pelos pastores e outras pessoas membros das igrejas reformadas. Daí temos até hoje a prática de prometer no momento em que batizamos nossas crianças (as igrejas que batizam suas crianças, é claro), alfabetizá-las para que por si mesmas venham a ler a Palavra de Deus.

Não foi só a Educação que foi impactada pela Reforma. A Ciência foi incentivada dentro das universidades, tais como a de Genebra sob a liderança João Calvino. Epidemias foram controladas a partir de pesquisas realizadas nessas universidades permitindo assim a Medicina evoluísse também.

Na Política um dos grandes benefícios foi o surgimento da democracia, na qual o povo escolhe seus representantes em vez de suportar um líder estrategicamente colocado pelo papa.

Resgatando a autoridade da Palavra de Deus, as doutrinas fundamentais da Fé Cristã também foram resgatadas. A salvação é somente pela Graça de Deus, não tendo o homem qualquer condição de adquiri-la de outra forma, a não ser somente pela fé não num sistema religioso e supersticioso como o católico que vendia descaradamente aquilo que tesouro algum no mundo pode comprar, porque a salvação é somente por meio do sacrifício de Cristo e quem trilhar outro caminho que não seja o Senhor Jesus, jamais chegará ao céu. Diante dessas verdades preciosas, a conclusão que se chega é somente a Deus toda a glória. Do começo ao fim a salvação dos pecadores é obra de Deus. Ele é Soberano sobre tudo e todos.

Quando olho para os nossos dias e me deparo com as aberrações teológicas no meio evangélico que deveria se firmar nos princípios bíblicos resgatados pela Reforma Protestante, clamo a Deus que permita uma nova Reforma, só que agora dentro das igrejas que se dizem evangélicas que em sua maioria ensinam a salvação como mérito humano (não mais pela Graça somente), por meio da fé na fé muito mais do que fé em Cristo somente, confiada muito mais nos sacrifícios das “fogueiras santas”, dos “altares santos” dos “óleos ungidos” do “sal grosso” do que no sacrifício puro e santo de Jesus Cristo, baseados no empirismo e pragmatismo em vez de nas Escrituras rejeitando-a como a única fonte autorizada por Deus da Sua revelação especial, e por tudo isso, Deus nem de longe é glorificado por essas igrejas.

Conta-se que um dos grandes pregadores do Evangelho em nossos tempos ao visitar a cela onde Lutero ficou vários anos, foi encontrado de joelhos orando a Deus dizendo: “Senhor, faça de novo!”, referindo-se à Reforma Protestante.

Que nesses dias em que comemoramos mais um aniversário desse grande avivamento espiritual, a Reforma Protestante possamos clamar: “Senhor, faça de novo!”.

Rev. Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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