Superproteção ou abandono: o que é pior?

Rev. Olivar Alves Pereira

Você já deve ter ouvido pais dizerem que fazem qualquer coisa para que seus filhos não sofram o que eles sofreram, e nem passem pelas privações que passaram quando crianças. A isso chamamos de “superproteção”.  Ela é a maior covardia que os pais para com seus filhos. De antemão afirmo que não concordo com sofrimento imposto por mero capricho, mas, envolver nossos filhos em “casulos”, dando-lhes tudo o que não tivemos (geralmente esse “tudo que não tivemos” são coisas e bens materiais), é, sem dúvida alguma, colocar nossos filhos na rota do desastre, na trilha do fracasso, na vereda do desespero, e acima de tudo, longe dos caminhos de Deus e dos princípios da Sua Palavra.

Se nos causa espanto pais abandonando seus filhos, deixando-os aos seus próprios cuidados, também deveria nos deixar perplexos quando vemos pais superprotegendo seus filhos. Num certo sentido, o abandono (refiro-me aqui a pais que saem de casa para viverem uma aventura amorosa e deixam seus filhos aos cuidados de terceiros) é menos pior que a superproteção, pois, ele força a pessoa a crescer, a sair da “zona de conforto”, e a enfrentar a vida (é claro que nem sempre isso acontece). Porém, a superproteção faz com que os filhos não cresçam, não amadureçam, não se tornem responsáveis por si mesmos e sejam capazes de constituir uma família.

Ao mesmo tempo em que devemos fazer do nosso lar um refúgio para nossos filhos, devemos torná-lo de certa forma incômodo para eles, a fim de que eles entendam que um dia terão de prosseguir sozinhos sem nós (até mesmo porque um dia morreremos).

Pais que superprotegem seus filhos, usurpam a glória de Deus, pois, enquanto estão focados em fazer com que seus filhos fiquem protegidos por eles, deixam de ensiná-los a confiarem em Deus. Estes pais encontram autogratificação nisso. Pecam por usurparem a honra e a glória de Deus, e também em não terem em Deus a verdadeira satisfação de seus corações.

     Eis aqui alguns princípios para nortearmos o nosso coração em relação aos nossos filhos:

  1. Tratemo-los não como nossos, mas, de Deus (Sl 127.3). Eles são uma herança (uma bênção) que Deus nos concedeu, mas, ainda são Dele, e por isso mesmo
  2. Ele os requererá um dia (Sl 24.1). Todos somos de Deus, e todos haveremos de comparecer diante Dele um dia. Pense na parábola dos talentos (Mt 25.14-30). Deus nos confiou nossos filhos, e um dia haveremos de prestar contas do ensinamento e cuidado que lhes demos.
  3. Amemos nossos filhos, mas, não mais do que a Deus (Mt 10.37). O amor a Deus faz com que amemos de verdade as pessoas. Pais que colocam seus filhos antes de Deus em seus corações, estão ensinando seus filhos a serem idólatras e não adoradores verdadeiros de Deus.

     Que Deus nos dê sabedoria para ensinarmos nossos filhos a buscarem o Altíssimo, pois Nele estarão verdadeiramente protegidos e jamais serão abandonados.  

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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