TAL PAI, TAL FILHO – O PODER DO EXEMPLO

Dizem que “filho de peixe, peixinho é”. É claro que essa regra tem suas exceções. Nem sempre os filhos de um ladrão tornar-se-ão ladrões, ou os de um crente serão crentes também. Contudo, isso é a exceção, e não a regra.

Nós pais precisamos atentar para o exemplo que damos aos nossos filhos através das nossas ações. Podemos ensinar por meio de muitas palavras, e, mesmo assim, serão necessárias muitas “doses” de bom exemplo para que o ensinamento seja confirmado. Contudo, a cifras são bem menores com relação aos maus exemplos. Basta um só mau exemplo, uma só ação errada e contraditória ao que ensinamos e parece que nossos filhos aprendem com uma rapidez impressionante, não é mesmo? Como diziam os antigos: “Ensine o que é bom para o seu filho; o que é errado ele já sabe”.

Há nas Escrituras o registro da vida de um servo de Deus e de seu filho que me chama a atenção. É a história de Abraão e Isaque, o filho da promessa. As semelhanças entre eles são impressionantes, tanto as positivas quanto as negativas. Vejamos.

1)     Abraão mentiu para salvar sua pele; Isaque também.

Em duas ocasiões diferentes, Abraão mentiu e fez Sara também mentir a respeito do seu casamento. Abraão e Sara eram meio-irmãos, pois, eram filhos do mesmo pai, porém, de mães diferentes (Gn 20.12). A primeira ocasião está registrada em Gn 12.10-20, quando Abraão (ainda era chamado de Abrão) desceu para o Egito por conta de uma terrível fome que assolava a terra. Sendo Sarai (Sara) sua esposa mulher muito bela, Abrão combinou com ela para que dissessem que eles eram irmãos, pois, pensava ele que se eles se apresentassem como marido e mulher, os habitantes da terra haveriam de mata-lo por causa de Sarai. O temido aconteceu. Faraó tomou Sarai para ser sua mulher, mas, Deus não permitiu. Enviou pragas sobre a casa do Faraó e assim, livrou Sarai e Abrão.

A segunda ocasião que Abraão mentiu pelas mesmas razões está registrado em Gn 20. Quando ele foi morar em Gerar, ele disse a rei Abimeleque que Sara era sua irmã. Abimeleque tomou Sara para ser mais uma mulher do seu harém. Mas, novamente Deus interviu na situação e alertou a Abimeleque em sonhos que não fizesse nada com Sara. As palavras de Abimeleque a Abraão (v.9-10) revelam que ele mostrou-se mais temente a Deus do que o próprio Abraão, que ao invés de confiar no cuidado e proteção de Deus como Este lhe prometera, preferiu os seus meios e subterfúgios carnais.

Isaque cometeu o mesmo erro (Gn 26), na ocasião de uma terrível fome que sobreveio à região. Deus lhe disse que não descesse para o Egito, mas, que ficasse em Gerar, na Filístia. O rei de Gerar era Abimeleque (talvez não o mesmo dos tempos de Abraão, pois, ao que tudo indica Abimeleque não era o nome da pessoa, mas, do cargo real). De qualquer forma, o que importa aqui é que Isaque temendo ser morto por causa de Rebeca que era muito bela, também contou a mesma mentira de seu pai, dizendo que Rebeca era sua irmã. A diferença é que no caso de Isaque, não era uma “meia mentira”, mas, uma mentira completa, pois, eles não eram irmãos. Mas, num certo dia Abimeleque flagrou Isaque acariciando Rebeca evidenciando assim que não eram irmãos, mas, casados (Gn 26.8). Deus também teve misericórdia e livrou-os, porque tanto no caso de Abraão quanto no de Isaque, era a descendência santa que estava em risco, e Deus não permitiria que tal coisa acontecesse.

2) Abraão era um pacificador. Isaque também o foi. Quando teve que se separar de seu sobrinho Ló porque os rebanhos de ambos eram muito grandes, Abraão deu a Ló o direito de escolher primeiro qual direção iria tomar (Gn 13), numa atitude clara de um pacificador.  Isaque, por sua vez, cavou quatro poços, pois, a cada poço que ele cavava os inimigos vinham e tomavam dele (Gn 26.19-33). Em vez de brigar, ele simplesmente saía e abria outro poço. Tal como seu pai, Isaque sempre andou pela via da paz.

3) Abraão foi chamado de “príncipe de Deus”, e,  Isaque de “abençoado do SENHOR”. Em Gn 23.6, por ocasião da morte de Sara, quando Abraão foi sepultá-la na terra do heteus.  Estes quiseram dar-lhe o lugar da sepultura de Sara porque reconheceram que no meio deles Abraão era “príncipe de Deus”. Eles constataram que Abraão era alguém abençoado por Deus. Semelhantemente aconteceu com Isaque quando Abimeleque rei de Gerar fez aliança com ele. Abimeleque disse: “Vimos claramente que o SENHOR é contigo” (v.28) e por isso estabeleceu paz com Isaque.  E dessa forma ficou claro que Isaque era “abençoado do SENHOR”.

Esses três aspectos da vida de Abraão e Isaque servem-nos de alerta. Nossos filhos se espelham em nós. Quando um ensinamento não fica muito claro, eles buscam alguma ação nossa para exemplificar e clarear o que ensinamos. Daí, se o que fazemos destoa do que falamos causaremos um estrago terrível no coração de nossos filhos.

Isaque era o filho da promessa, ele sabia do grande privilégio que tinha diante de Deus, mas, também sabia da responsabilidade que este privilégio lhe trazia. Ser um eleito de Deus implica em vivermos como um eleito deve viver. O mesmo se aplica ao grande privilégio que temos de ser pais. Este privilégio implica na responsabilidade que temos de ser bons exemplos de crentes e servos de Deus para os nossos filhos!

 

Rev. Olivar Alves Pereira

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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8 Responses to TAL PAI, TAL FILHO – O PODER DO EXEMPLO

  1. Obrigada por postar mensagem tão importante e oportuna. Que o Senhor o abençoe abundantemente e à sua família e ministério.

    • Olivar Alves Pereira says:

      Querida irmã Gabriela
      Obrigado por visitar nosso blog. Sim, “nosso” porque você pode utilizar qualquer um dos artigos conforme você quiser.
      Deus a abençoe.

      Rev. Olivar

  2. Iclayber Alves says:

    Meu querido irmão e pastor Olivar, obrigado por este artigo. Foi muito edificante! Que tu sejas reconhecido como alguém que tem a bênção de Deus e também como um pacificador, porque os pacificadores, segundo Cristo, serão chamados filhos de Deus. Um grande abraço pra ti e toda a família!!!!

    • Olivar Alves Pereira says:

      Rev. Iclayber, meu irmãozão querido!
      Que saudades. Nos veremos lá na ABCB este ano?
      Sim, o mundo é dos pacificadores e não dos espertos como se diz por aí.

      Abraços

  3. jose williams says:

    Artigos fantásticos, muito esclarecedores me ajudam muito em meus estudos bíblicos, obrigado e que Deus continue lhe abençoando grandemente em o nome de Jesus

  4. Gilberto Alves says:

    Achei estranho mentir.

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